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O enterro do Micaelense Futebol Clube

A SEDE DO MICAELENSE FUTEBOL CLUBE ESTÁ SENDO DESMORONADA porque oferecia perigo de ruir. Abrigava pombas e ratos. A empresa de electrodomésticos que há muitos anos funcionava no rés do chão adquiriu o edificio para requalificá-lo e dar-lhe um melhor destino.
É o enterro de uma colectividade fundada em 1924. No final dos anos 80 ficou moribunda por uma doença que se vislumbrava trágica.
Desceu à II Divisão que naquelas épocas existia na Associação de Futebol de Ponta Delgada porque abundando praticantes abundavam clubes em quase todas as vilas e freguesias. Reergue-se. Por pouco tempo.
Falta de dirigentes, problemas financeiros e o futebol acabou. Deixou um currículo de vencedor do torneio de apuramento à Taça de Portugal, eliminando o poderoso Maritimo da Madeira e caindo aos pés do Sporting de Braga; de sete vezes campeão da ilha de São Miguel, vencedor de quatro edições da Taça de Honra e de uma Taça de São Miguel.
Prosseguiu com a secção de basquetebol. Atingiu a então II Divisão nacional. Foi o passo para a morte. As camisolas preto/vermelho deixaram de serem exibidas.
Sem ninguém para tomar os destinos, a porta da sede da rua Machado dos Santos, num dos lugares de maior simbolismo de Ponta Delgada, fechou. Por mais de 30 anos. Com todo o espólio no interior a degradar-se. Até que um e outro antigo dirigente foi lá retirar as taças, os troféus, as placas, as faixas e depositá-las na sede da Associação de Futebol de Ponta Delgada. Lá estão, no gaveto de uma escada, na garagem. A continuarem a degradar-se até que uma das direcções peça a alguém para estudar um lugar digno a fim de colocar um pedaço da história deste futebol que há alguns anos que só quer saber do Benfica, do Sporting e do FC Porto, envergonhando todos os que contribuíram para dar vida, através dos clubes, a muitos atletas e a muitos espectáculos, em tardes de glória e de tristeza.
Só que não retiraram tudo da sede. Há sempre algo importante que fica esquecido porque não estava à vista, jazendo em armários que não foram abertos.
Agora, saindo o cadáver do estado de congelação, o enterro das paredes, das portas e das janelas viaja até o depósito do entulho. Entre os restos vieram placas em pedra de lavoura e quadros históricos com destino ao lixo. Algumas escaparam porque a sensibilidade de funcionários do café Clipper, situado mesmo em frente, recuperou alguma história. Como a placa que em 1949 assinalou a passagem do Belenenses por Ponta Delgada, de que o Micaelense FC era filial.
Uma sede digna, que enchia de aficionados do clube e do desporto, onde se passaram noites inesquecíveis assistindo aos jogos de ténis de mesa com a mestria de Carlos Barbosa e de Ranran. Uma sede que se deteriorou não só física como na afluência. Perdeu todo o encanto porque os caminhos foram tortuosos.
Dos cinco clubes com futebol na cidade, restam dois. Sinal dos tempos e do desinteresse pelo que é genuíno.

CERTA OU ERRADA A ATITUDE DE HUGO SANTOS ao falhar propositadamente um penálti?
No jogo de sábado, dia 27 de Setembro, opondo em Rabo de Peixe o Desportivo local e o Vitória do Pico da Pedra, relativo à 1.ª jornada do grupo B da Taça de Honra João de Brito Zeferino, registou-se um penálti aos 57 minutos.
Entendeu o experiente árbitro Duarte Travassos que o jogador do Desportivo de Rabo de Peixe, Kevin Moniz, impediu a bola de entrar na baliza cortando com o braço. O lance provocou protestos e dúvidas quer dentro quer fora do campo. O atleta da equipa da casa foi expulso, mantendo o juiz de campo a decisão de castigo máximo.
Hugo Santos, experimentadíssimo jogador de 42 anos de idade, com passagens pelas duas principais divisões profissionais e amadoras de Portugal, foi encarregue de converter o penálti.
Provavelmente com conhecimento de que a intervenção de Kevin Moniz não foi faltosa, tendo o eventual erro de Duarte Travassos penalizado o adversário, Hugo Santos rematou deliberadamente para fora.
Quiz repor a verdade no resultado, na altura de 2-1 a favor da sua equipa. A converter a penalidade, o Vitória do Pico da Pedra ficava com dois golos de vantagem (3-1). Acabou a equipa de Rabo de Peixe de marcar o empate a dois golos quando jogava com menos dois atletas desde os 62 minutos.
Queixaram-se os responsáveis directivos do Vitória pela forma como os atletas da equipa de Rabo de Peixe procederam após o empate (75m), impedindo que o jogo tivesse um tempo útil superior.
A atitude de Hugo Santos revelou sentido de justiça e que, afinal, o “fair play” não é uma treta. Para proceder daquela forma tinha a convicção de que o penálti foi assinalado incorrectamente.
Mesmo com o estatuto e a influência que goza no seio do grupo, Hugo Santos não deve ter decidido por livre arbítrio. Não procurar marcar só com a unanimidade ou com a maioria da vontade dos colegas, equipa técnica e directiva. Será que colheu acordo generalizado?
Ao rematar a bola intencionalmente para fora da baliza, Hugo Santos acabou por retirar os três pontos ao Vitória, que podem influenciar o apuramento para as meias finais da Taça de Honra, ao alcance dos dois primeiros de cada série.
Mesmo tratando-se de uma competição de âmbito local, falhar de propósito uma possibilidade flagrante de golo é motivo de questionar se procedeu ou não correctamente.
Noutro patamar competitivo ou até se o jogo tivesse carácter decisivo, Hugo Santos tomaria a mesma atitude? Penso que não. O jogo estava controlado, o Vitória esteve a ganhar por 2-0 muito cedo e mesmo com o 1-2 não perspectivava o que acabou por acontecer.
Se por um lado enalteço a atitude, por outro lado acho que naquelas circunstâncias, cujo erro não lhe é imposto, o “fair play” é mesmo uma treta.
Quantos penaltis são assinalados por erros de avaliação, mesmo com o auxílio do video árbitro. Menos, é certo, mas continuam…
Aliás, o golo surge muitas e muitas vezes por erros dos adversários e quem fica com a chance de marcar procura não desperdiçar a oportunidade concedida.
Nas competições que não contam com as ajudas tecnológicas, os árbitros e os seus assistentes erram e por isso não há falhas propositadas nas ocasiões de golo.
Hugo Santos levantou um assunto que é polémico.

DIOGO MONIZ MARCA QUE SE FARTA, COM 20 GOLOS EM QUATRO JOGOS. O jovem avançado de 16 anos de idade (faz 17 anos a 11 de Novembro) está ao serviço da equipa B de Sub-19 (juniores) do Santa Clara, SAD.
Sábado dia 27 de Setembro, na vitória por 7-0 sobre o Águia Desportivo, nos Arrifes, apontou os sete golos. Três dias antes, na Ribeira Grande, já tinha marcado 7 dos 11 golos do triunfo com o Sporting Ideal. Nas partidas do grupo B do campeonato de São Miguel com o Oliveirenses (11-0) e com o Benfica Águia (16-0) marcou três golos em cada um dos encontros.
Formado no Vitória do Pico da Pedra durante 10 anos e meio, Diogo Moniz transferiu-se para os Sub-17 do Desportivo de Rabo de Peixe. Jogou meia época. O ingresso do treinador João Silva no Santa Clara foi convidativo para o acompanhar.
Na equipa de Sub-17 do clube de Ponta Delgada concretizou na época passada 26 golos em 30 jogos nas provas de ilha. Na fase de apuramento do campeão da II Divisão nacional e de subida não conseguiu marcar. A fraca participação do Santa Clara, com 10 golos em 18 jogos, também não contribuiu.
Esteve ausente parte da época devido a lesão.
Diogo Moniz tem ADN. É filho de Marcinho Moniz, médio que fez grande parte do percurso no Vitória do Pico da Pedra e no Desportivo de Rabo de Peixe, encerrando a carreira aos 39 anos de idade no Águia dos Arrifes. É sobrinho de Valtinha (ainda em campo, aos 36 anos, agora no Vitória) e de Zé Manel, já retirado.
Estamos na presença de um goleador. É certo que as debilidades dos adversários e a qualidade dos companheiros permitem-lhe golos com maior facilidade. A realidade é que se não tivesse capacidades não o faria. Há que o proteger, preparar cuidadosamente o futuro para não ser mais um que passou ao lado de uma brilhante carreira. Está num projecto diferente, com objectivos. Atleta e SAD terão de aproveitá-lo. Jogar o campeonato de ilha sénior pela equipa C favorecer-lhe-à.

CAMPO DE FUTEBOL DE SANTO ANTÓNIO ESTÁ MAIS PRÓXIMO DA CONCLUSÃO, colocando ponto final em quatro meses de andar a treinar e a jogar nos campos das Capelas e da Ribeira Grande.
A foto é de quinta feira, faltando colocar as últimas peças da relva artificial que rende a velhinha de 23 anos. As 500 cadeiras estão praticamente colocadas. Restam umas pinturas para as equipas do CD Santo António regressarem a casa.
A substituição do relvado sintético começou a 2 de Junho e tem-se prolongado demasiado tempo, comparando com as alterações em campos quer na ilha de São Miguel quer em outras ilhas.
Numa visita que realizei há pouco tempo, a seguir a um dia de muita chuva, notou-se que o asfalto que sustenta a relva apresentava muitas poças. O nivelamento não mereceu a correção devida.
Será que o relvado terá um piso irregular em algumas zonas e com poças quando chove, como acontece no sintético de São Roque substituído há um ano? O tempo dar-me-á a resposta.

José Silva

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