Foi anunciado um acordo entre Israel e o Hamas mediado pelos Estados Unidos, reacendendo esperanças globais de paz. A comunidade mundial apela a todas as partes para que respeitem integralmente os seus termos e se empenhem numa resolução duradoura que ponha fim a mais de dois anos de conflito. Segundo “Euronews”, este entendimento representaria a primeira fase de um plano de paz em 21 pontos proposto pelo presidente Donald Trump.
O acordo saiu do terceiro dia de conversações indirectas, mediadas por Egipto, Qatar e Turquia, em Sharm el-Sheikh, no Egipto. A proposta prevê a libertação imediata de todos os 48 reféns remanescentes que o Hamas mantém em Gaza. Em contrapartida, Israel compromete-se a recuar suas tropas para uma linha previamente definida e a libertar prisioneiros palestinianos. O anúncio foi feito por Trump numa publicação no Truth Social.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o acordo numa mensagem no X, instando todas as partes a respeitarem completamente os seus termos: “Agora, todas as partes devem respeitar integralmente os termos do acordo. Todos os reféns têm de ser libertados em segurança. Deve ser estabelecido um cessar-fogo permanente. O sofrimento tem de acabar.” Também sublinhou que a União Europeia vai continuar a facilitar o envio de ajuda humanitária a Gaza e a apoiar a recuperação e reconstrução do território quando for oportuno.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, felicitou o novo entendimento e reforçou o apelo ao cumprimento total dos compromissos assumidos: “Exorto todos os envolvidos a cumprirem integralmente os termos do acordo. Todos os reféns devem ser libertados de forma digna.” Salientou ainda que deve haver um cessar-fogo permanente, a entrada irrestrita de ajuda em Gaza e o fim das hostilidades. Guterres manifestou a intenção da ONU de apoiar a execução do acordo e intensificar os esforços humanitários, nutrindo a esperança de que esse passo possa pavimentar um caminho para a solução de dois Estados, com base nas linhas de 1967.
Em Portugal, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, felicitou o anúncio do cessar-fogo e a libertação dos reféns, afirmando que a implementação da fase inicial do acordo “abre caminho à tão esperada libertação de todos os reféns israelitas, um cessar-fogo em Gaza e o fim da grave crise humanitária no terreno.” Para Costa, esta é uma oportunidade vital para lançar as bases de uma paz duradoura, sustentada numa solução de dois Estados.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, saudou com júbilo a assinatura do acordo que permite a libertação esperada dos reféns ao fim de mais de dois anos, enaltecendo o empenho de Donald Trump. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, congratulou-se com o cessar-fogo e com o fim iminente das mortes de civis, sublinhando que este primeiro passo deve permitir a reconstrução de Gaza e conduzir a uma paz justa e duradoura, com Israel e Palestina reconhecidos por Portugal.
Diversos líderes internacionais reagiram com entusiasmo, mas também com cautela. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, elogiou Trump pela “busca incansável” pela paz, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, enfatizou que agora começa a parte mais difícil: dialogar, ajudar os civis e construir o futuro para que as atrocidades não se repitam. O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou “imensa esperança” e renovou o compromisso de Paris com uma solução de dois Estados, prometendo que o país contribuirá activamente para esse desígnio.
Em Ottawa, o primeiro-ministro canadiano manifestou gratidão pela “liderança essencial” de Trump e pelo papel dos mediadores no acordo. Já em Camberra, o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese e sua ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, saudaram o pacto, reconhecendo que o caminho para a reconstrução e paz a longo prazo será longo e prometendo suporte ao esforço. Na Malásia, o primeiro-ministro Anwar Ibrahim expressou “total solidariedade” ao povo palestiniano e pediu que esse momento seja o início de uma paz abrangente e duradoura.
A embaixada de Israel em Portugal divulgou nota afirmando que o acordo representa a primeira fase de um entendimento-quadro para cessar-fogo e libertação de reféns, inclusive seis portugueses. Segundo o comunicado, o pacto respeita os objectivos iniciais de Israel: o retorno de todos os reféns, um futuro governo em Gaza sem o Hamas e o desarmamento do movimento. O texto conclui evocando o feriado judaico de Sukkot: “Este é o tempo da nossa alegria” e manifestando a expectativa de que, em breve, haja motivos para celebrar.
Com este acordo, de acordo com “Euronews”, renasce a esperança de milhões, mas muitos permanecem cautelosos e vigilantes quanto à sua concretização e ao cumprimento dos compromissos assumidos por todas as partes.
