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Líder opositora venezuelana María Corina Machado distinguida com o Prémio Nobel da Paz de 2025

A líder opositora venezuelana María Corina Machado foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz de 2025, distinção que reconhece, segundo o Comité Norueguês do Nobel, o seu “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela” e o “empenho numa transição pacífica e justa da ditadura para a democracia”.
De acordo com a “Euronews”, o anúncio foi feito ontem, em Oslo, pelo presidente do Comité, Jorgen Watne Frydnes, que descreveu Machado como “uma mulher que mantém acesa a chama da democracia no meio de uma escuridão crescente”. A decisão foi acolhida com entusiasmo por grande parte da comunidade internacional, que vê na distinção um símbolo de apoio às liberdades civis num país há décadas mergulhado numa grave crise política e humanitária.
Nascida em Caracas, em 1967, María Corina Machado é engenheira industrial e tornou-se, ao longo das últimas duas décadas, uma das figuras mais proeminentes da oposição venezuelana. Fundadora do movimento político Vente Venezuela, construiu a sua reputação através de uma postura firme contra o Chavismo e as práticas autoritárias dos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. O Comité Norueguês destacou que a líder “unificou a oposição num momento de fragmentação, estabelecendo um terreno comum em torno da exigência de eleições livres e de um governo representativo”.
A “Euronews” recorda que, apesar de ter vencido as primárias da oposição em 2023, Machado foi impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024, por decisão das autoridades venezuelanas. Desde então, vive na clandestinidade, permanecendo dentro do país apesar das ameaças à sua segurança. O Comité do Nobel sublinha que esta escolha “inspirou milhões de cidadãos que continuam a acreditar numa Venezuela livre e democrática”.
O comunicado oficial reforça que María Corina Machado “cumpre os três critérios fundamentais definidos por Alfred Nobel para a atribuição do galardão da Paz: unificação de forças em prol de um ideal comum, resistência à militarização da sociedade e defesa persistente de uma transição pacífica”. A distinção coloca-a ao lado de figuras históricas como Nelson Mandela, Malala Yousafzai ou Aung San Suu Kyi, líderes que também desafiaram regimes autoritários em contextos de repressão e violência.
O Comité Norueguês do Nobel salientou ainda que a escolha deste ano ocorre “numa altura em que a democracia e os direitos humanos enfrentam desafios sem precedentes em várias partes do mundo”. De acordo com dados da Universidade de Uppsala, citados pela “Euronews”, desde 1946 não se registavam tantos conflitos armados envolvendo pelo menos um Estado.
A edição de 2025 contou com 338 nomeações, entre indivíduos e organizações, confirmando o prestígio e a diversidade do prémio. Este é o único dos Nobel entregue em Oslo, sendo os restantes (Medicina, Física, Química, Literatura e Economia) atribuídos em Estocolmo. O galardão da Economia será conhecido no próximo dia 13 de Outubro.
Durante o anúncio, Frydnes foi questionado sobre o interesse público em torno de Donald Trump, antigo presidente dos Estados Unidos, que tem reiterado o desejo de receber o Nobel da Paz. O responsável respondeu com cautela: “Na longa história do Prémio, o Comité já enfrentou campanhas e pressões mediáticas. Mas baseamos as nossas decisões apenas na vontade e no espírito do testamento de Alfred Nobel.”
A “Euronews” sublinha que o anúncio do prémio chega num momento de forte tensão geopolítica, com a guerra na Ucrânia, os conflitos no Médio Oriente e a crescente instabilidade na América Latina. Num cenário de escuridão, o Comité procurou premiar “a coragem e a esperança como forças transformadoras”.

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