Nas eleições autárquicas de Domingo, o Partido Socialista conquistou oito Câmaras Municipais nos Açores, perdendo Santa Cruz das Flores para o Movimento Cívico pelo Concelho, a única autarquia açoriana agora liderada por um grupo de cidadãos. O Partido Social Democrata venceu sete câmaras em que concorreu sozinho, conquistou a Praia da Vitória em coligação com o CDS-PP e a Horta em coligação com o CDS-PP e o PPM. O CDS-PP venceu nas Velas. Em número total de votos, o PS foi o partido mais votado, com 43.657 eleitores, tendo obtido as percentagens mais elevadas na Lagoa (74,09%) e nas Lajes do Pico (73,30%). O PSD alcançou 63,62% em São Roque do Pico e 61,07% na Horta. A abstenção regional foi de 46,15%, registando-se 1.276 votos nulos, 2.384 votos brancos e 106.463 eleitores que não votaram.
Pedro Nascimento Cabral reeleito
em Ponta Delgada com 33,87 %
Em Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, do PSD, foi reeleito presidente da Câmara Municipal com 33,87 % dos votos, perdendo a maioria absoluta que detinha desde 2021. O executivo passa a incluir representantes do Movimento Ponta Delgada para Todos (26,19 %), da Coligação Unidos por Ponta Delgada, que integra PS, BE, PAN e LIVRE, (17,85 %) e do Chega (14,56 %). A Iniciativa Liberal obteve 3,38 %, a CDU 0,75 % e o ADN 0,42 %. A abstenção foi de 53,08 %.
No discurso da noite eleitoral, Nascimento Cabral destacou a vitória do PSD na Câmara Municipal, na Assembleia Municipal e nas freguesias, salientando a viragem política em duas das maiores freguesias do concelho. Nos Arrifes, o PSD foi o partido mais votado, seguido pelo Chega, pelo Movimento Ponta Delgada para Todos e pela Coligação Unidos por Ponta Delgada. Também na freguesia das Capelas o PSD venceu, seguido pelo Movimento Ponta Delgada para Todos, pela Coligação Unidos por Ponta Delgada e pelo Chega.
O autarca afirmou que o resultado expressa “a vontade dos cidadãos para que o partido continue o trabalho iniciado no anterior mandato, trabalhando, como fizemos nos últimos quatro anos, em diálogo com o Partido Socialista, o que permitiu aprovar quatro orçamentos e avançar com reformas estruturais na cidade e no concelho”.
Salientou ainda que o Plano de Recuperação e Resiliência “é o maior desafio que este próximo Executivo Municipal vai assumir. Vamos continuar a trabalhar em diálogo, desta feita com novos protagonistas, para que Ponta Delgada não pare nem fique aquém dos grandes desafios que temos de enfrentar na próxima década”.
Disse ainda que “em democracia, os cidadãos são chamados a pronunciar-se de quatro em quatro anos. Os cidadãos de Ponta Delgada pronunciaram-se, e está bem patente nos dados eleitorais que é preciso que Ponta Delgada tenha um sentido de responsabilidade. Este Executivo Municipal deve ter esse sentido de responsabilidade, porque, para além do Movimento Independente, temos também o Partido Socialista e o Partido Chega representados no Executivo, e é com todos que temos de dialogar para que, de facto, não fiquemos para trás”.
“Ponta Delgada é a maior autarquia dos Açores e também um importante motor para que a Região possa encontrar-se com o progresso e o desenvolvimento social, económico e cultural. Todos nós temos essa responsabilidade de trabalhar para o mesmo fim. Se há movimentos de cidadãos, importa referir que os partidos políticos também são constituídos por cidadãos e que nós estamos aqui também como cidadãos de pleno direito”, afirmou.
“Aqui não há cidadãos de primeira nem cidadãos de segunda. Somos todos cidadãos que assumem diversas formas de participação cívica. Os movimentos independentes são uma delas e os partidos políticos são tradicionalmente outra. Vamos todos trabalhar para que Ponta Delgada mantenha este rumo de desenvolvimento social, económico e cultural”, reafirmou.
Questionado pelos jornalistas sobre a diminuição da percentagem de votos em relação a anos anteriores e sobre a nova composição do executivo, respondeu: “Os cidadãos de Ponta Delgada continuam a confiar no PSD (…) o que muda aqui apenas é o figurino do Executivo Municipal, porque há novas forças políticas e de cidadãos que entram, mas manteremos sempre um diálogo aberto com todas as forças porque o que está em causa é mais importante do que qualquer intriga partidária ou de movimento”.
Questionado se o novo mandato será mais desafiante, disse que todos os mandatos o são, lembrando as circunstâncias em que exerceu o anterior: “Estávamos a sair de uma pandemia de Covid-19, enfrentámos uma crise financeira, uma crise inflacionária e a subida dos juros hipotecários. Naturalmente, com o início do novo mandato há circunstâncias diferentes, desafios novos e ordens de progresso que é preciso assumir para que Ponta Delgada continue a ser uma cidade e um concelho de referência na Região e no país.”
O autarca concluiu que o novo ciclo deve ser “em benefício de Ponta Delgada e não de um partido ou de um movimento qualquer, porque todos juntos temos mais referência de união, que é Ponta Delgada, do que aquilo que nos distancia”.
Jaime Vieira (PSD) venceu na
Ribeira Grande com 44,14 %
Na Ribeira Grande, Jaime Vieira, do PSD, venceu as eleições com 44,14 % dos votos, contra 41,68 % do PS, 8,37 % do Chega, 1,24 % da Iniciativa Liberal e 0,64 % da CDU. A abstenção foi de 47,83 %. O PSD manteve quatro vereadores e o PS três, assegurando a continuidade da liderança social-democrata no concelho desde 2013.
Em declarações à RTP Açores, Jaime Vieira agradeceu “a confiança que foi depositada pelo povo da Ribeira Grande na nossa candidatura, na minha eleição e na da minha equipa”, sublinhando que “o nosso projecto é de continuidade, mas com um cunho próprio e uma liderança diferente, com muito trabalho pela frente, porque queremos continuar a fazer crescer a Ribeira Grande”.
Questionado sobre o resultado, afirmou: “Sabíamos que do outro lado havia partidos com boas equipas e boas ideias, mas o que interessava era ser o primeiro na recta final da contagem dos votos. Mantendo quatro vereadores contra três, conseguimos liderar sem depender de mais ninguém, num projecto para ganhar e desenvolver a Ribeira Grande.” Sublinhou ainda que as eleições são “cada vez mais complexas” e reforçou que “o mais importante era vencer”.
“O PSD é um partido próximo das pessoas. Eu sou um político de proximidade, e uma das minhas grandes apostas será a presidência aberta. Queremos levar o Executivo às freguesias, ouvir as pessoas e as instituições, e a partir daí construir medidas que respondam aos grandes desafios de cada freguesia”, disse. E referiu também que “uma das grandes apostas será a habitação, porque é um dos grandes desafios” do Concelho da Ribeira Grande.
A concluir, Jaime Vieira deixou “uma palavra para aqueles que foram os nossos adversários políticos, que dignificaram e de que maneira a nossa vitória. Depois da nossa tomada de posse, queremos trabalhar com todos para fazer, acima de tudo, da Ribeira Grande um concelho ainda melhor, com mais dinamismo económico e aposta nas instituições, porque só assim faz sentido estar na vida política, que é, acima de tudo, servir o outro e não se servir da política”.
Frederico Sousa (PS) venceu
na Lagoa com 74,09 % dos votos
Na Lagoa, Frederico Sousa, do PS, que sucedeu a Cristina Calisto no início do ano, venceu as eleições com 74,09 % dos votos, reforçando a maioria socialista no concelho. O PSD obteve 14,44%, o Chega 7,68%, o Bloco de Esquerda 0,88% e a CDU 0,40%. A abstenção foi de 46,23%.
No final da noite eleitoral o autarca afirmou estar “muito grato por este voto de confiança num projecto de continuidade, mas com nova energia”. E sublinhou, em declarações à RTP Açores, a vitória expressiva do PS: “Uma palavra de enorme apreço a toda a equipa que nos acompanhou e aos presidentes de Junta, pois conseguimos ganhar todas as Juntas de Freguesia da Lagoa”.
Sobre as prioridades para o novo mandato, disse que “a maior responsabilidade, para além de cumprir o manifesto, prende-se essencialmente com um desígnio transversal dos municípios, que é saber executar e executar bem os fundos comunitários”. Acrescentou que esse será “o principal objectivo e desafio”, esperando que “no final desta missão, os lagoenses percebam que o voto foi bem empregue no nosso projecto, e que encontremos uma Lagoa melhor e cada vez mais apetecível nos próximos anos”.
Graça Melo (PS) venceu em Vila
Franca do Campo com 57,82 %
Em Vila Franca do Campo, Graça Melo, do PS, venceu as eleições com 57,82 % dos votos. O PSD obteve 32,50 % e o Chega 7,82 %. A abstenção foi de 43,97 %. Graça Melo, que sucedeu a Ricardo Rodrigues no início do ano, confirmou agora o mandato nas urnas com maioria absoluta.
“Estamos muito satisfeitos com os resultados, que excederam as nossas expectativas. Foram 16 anos do Partido Socialista à frente dos destinos de Vila Franca e, normalmente, há sempre uma vontade de mudança. O povo demonstrou que quer o Partido Socialista à frente da Câmara por mais alguns anos, e isso deixou-me muito satisfeita”, afirmou a autarca em declarações à RTP Açores.
“Conseguimos um resultado excepcional. Vamos ter uma Assembleia Municipal com maioria socialista e, na Câmara Municipal, elegemos cinco vereadores, o que nos dá imensa alegria. Agora é dar andamento ao projecto de proximidade com as pessoas e de resposta às necessidades mais urgentes”, disse.
Questionada sobre as prioridades para o novo mandato, destacou a habitação como eixo central: “Temos de investir mais na habitação, no sector empresarial e nos apoios à educação, à cultura e ao desporto. É sobretudo nessas áreas que temos de trabalhar, ajudando as pessoas e estando mais próximos delas”, concluiu.
Pedro Melo (PS) venceu na
Povoação com 55,56 % dos votos
Na Povoação, Pedro Melo, do PS, venceu as eleições com 55,56 % dos votos. O PSD obteve 36,60 % e o Chega 5,64 %. A abstenção foi de 38,52 %.
Em declarações à RTP Açores, o socialista, que cumpre agora o terceiro mandato consecutivo, afirmou que o resultado é fruto de “muito trabalho e de 16 anos dedicados às pessoas e às empresas do Concelho da Povoação. São 16 anos sem aumentos de impostos, com apoios aos estudantes universitários de mil euros, que queremos aumentar, e com o triplo do apoio aos idosos para aquisição de medicamentos, que também queremos reforçar”.
Destacou ainda “a seriedade” da campanha, afirmando que a mesma “não foi de humildade e de muito trabalho”. Em crítica expressa à oposição disse: “O meu opositor principal, do PSD, fez campanha durante quatro anos na base da maldade, com publicações nas redes sociais. Este resultado também tem a ver com isso: com a maldade de um lado e o trabalho e a proximidade das pessoas do outro lado.”
Quanto às prioridades para o novo mandato, apontou “a habitação, a protecção das famílias, dos idosos, das crianças e das empresas”, bem como a criação de mais estacionamento: “Há 16 anos diziam que a Povoação estava morta. Hoje, em todas as freguesias pedem-me estacionamento. Foi esse o dinamismo que criámos e queremos continuar neste caminho”, concluiu o autarca.
António Miguel Soares (PSD)
reeleito no Nordeste com 58,56 %
No Nordeste, António Miguel Soares, do PSD, foi reeleito com 58,56 % dos votos. O PS obteve 22,59 %, o Chega 13,10 % e a CDU 1,07 %. A abstenção foi de 40,16 %.
O social-democrata, que inicia agora o terceiro mandato consecutivo à frente da autarquia, agradeceu “a confiança depositada neste projecto e na minha reeleição”, afirmando que irá “trabalhar afincadamente para todos os nordestenses, não excluindo ninguém”.
Questionado sobre as prioridades para o novo mandato, respondeu que pretende “cumprir o manifesto eleitoral, realizar algumas obras e, sobretudo, continuar a melhorar a qualidade de vida dos habitantes”. Sublinhou que a principal preocupação continuará a ser “a habitação e os apoios sociais”, além da concretização de obras consideradas essenciais para o concelho.
Referiu ainda “a importância de avançar com o pavilhão da Vila do Nordeste, um projecto já pronto, e vamos avançar de imediato com o concurso público”.
“Ganhámos e alcançámos todos os
nossos objectivos”, afirma Bolieiro
O líder social-democrata, José Manuel Bolieiro afirmou ter cumprido os objectivos traçados para as eleições autárquicas de 2025, ao alcançar o maior número de mandatos: nove Câmaras Municipais, de um total de 19, e 83 Juntas de Freguesia.
“Queríamos ter o maior número de mandatos no poder local e alcançámos”, vincou.
“Ganhámos esta maioria. E, portanto, dirijo aos eleitores a minha palavra de gratidão, porque os objectivos — e não se trata de subjectividades nem de observações parciais — são observações objectivas do projecto político e do acto eleitoral do dia 12 de Outubro. Ganhámos e alcançámos todos os nossos objectivos eleitorais”, reiterou ao final da noite, na sede do PSD/Açores, em Ponta Delgada.
José Manuel Bolieiro assegurou que manterá “com todos, o diálogo, o respeito, a objectividade e a imparcialidade no tratamento das questões de governação regional e local, quer com as freguesias, quer com os municípios. E, portanto, não temam o que foram as decisões soberanas, enquanto povo, relativamente a cada acto eleitoral. Uma vitória é uma vitória”, disse.
O presidente do PSD/Açores garantiu ainda que, mesmo tendo vencido a maioria dos Municípios, Freguesias e Assembleias Municipais, trabalhará “com todos”, mesmo naquelas em que o partido não ganhou.
Francisco César afirma que o PS é
“a única alternativa credível ao PSD”
O líder do PS/Açores, Francisco César, afirmou este Domingo que os resultados das eleições autárquicas confirmam o Partido Socialista como “o grande partido da democracia açoriana” e “a única alternativa credível ao PSD e ao rumo do actual Governo Regional”, sublinhando ter sido o partido mais votado na Região e aquele que conquistou o maior número de mandatos.
“Estas eleições autárquicas mostraram que o Partido Socialista passou a ser o partido mais votado nos Açores, com mais de 49 mil votos, superando o PSD, que, mesmo em coligação obteve cerca de 47 mil. Mas, somos também o partido que mais mandatos conquistou nas vereações e nas Assembleias Municipais, reforçando a nossa presença e a nossa responsabilidade em todo o arquipélago, apesar de termos perdido uma Câmara e não se ter atingido todos os objectivos que à partida se colocavam”, afirmou .
Francisco César destacou que, ao contrário das últimas autárquicas, o PS venceu agora em número de votos, mantendo a presidência de oito das nove autarquias que liderava e ficando perto da vitória em mais dois concelhos. Para Francisco César, estes resultados confirmam que o PS continua a ser “a força política central da Região”, aquela em que os açorianos confiam quando procuram “estabilidade, responsabilidade e soluções concretas para o futuro”.
Daniela Canha
