De acordo com a “Euronews”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o seu próximo objectivo diplomático é concentrar-se na Rússia e procurar pôr fim à guerra que o país mantém contra a Ucrânia. A declaração surgiu na Segunda-feira, pouco depois de ter sido confirmado o êxito da primeira fase do acordo de cessar-fogo em Gaza, mediado pela Casa Branca.
O cessar-fogo no Médio Oriente, que levou à libertação dos últimos reféns israelitas e de cerca de dois mil prisioneiros palestinianos, é visto por Trump como um sinal de que a diplomacia americana voltou a desempenhar um papel determinante na resolução de conflitos globais. O presidente norte-americano, ao discursar perante o parlamento israelita, sublinhou que a paz em Gaza deveria servir de exemplo para outros conflitos. “Vamos concentrar-nos primeiro na Rússia”, afirmou, garantindo que a prioridade agora é a Ucrânia.
Segundo a “Euronews”, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que deverá reunir-se com Trump em Washington, na Sexta-feira, para discutir um possível cessar-fogo e os próximos passos diplomáticos. Zelensky afirmou que tenciona apresentar ao líder americano uma proposta de sequência de medidas para alcançar a paz e reforçar as defesas da Ucrânia.
Trump, que regressou à presidência em Janeiro, tem procurado relançar as negociações de paz entre Kiev e Moscovo, mas as iniciativas têm sido travadas pela recusa do Kremlin em dialogar directamente com a liderança ucraniana. Moscovo aceita apenas um eventual encontro entre Trump e Vladimir Putin, previsto para o Alasca, ainda este ano.
Para Kiev, o recente êxito da mediação norte-americana no conflito israelo-palestiniano representa um sinal de esperança. Numa publicação na rede X, Zelensky afirmou que “quando a paz é alcançada numa parte do mundo, isso traz esperança a outras regiões ainda sob ameaça”. O presidente ucraniano felicitou Trump pela “liderança e determinação” demonstradas e disse acreditar que a mesma abordagem poderá resultar também na Europa.
A “Euronews” refere que a estratégia de Trump tem como denominador comum a doutrina que o próprio designa como “paz através da força”, princípio que o presidente americano citou novamente no seu discurso em Jerusalém. Essa lógica, aplicada com firmeza no Médio Oriente, poderá agora ser transposta para a frente oriental. Zelensky tem manifestado apoio a essa ideia, defendendo que apenas a pressão e o reforço militar poderão obrigar a Rússia a interromper a ofensiva.
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, desempenha um papel central nos dois processos diplomáticos. O empresário norte-americano já se reuniu com Putin e esteve envolvido nas negociações de paz em Gaza. Trump chegou a contar, com humor, um episódio em que Witkoff permaneceu cinco horas reunido com o presidente russo, o que o surpreendeu pela persistência e capacidade de diálogo.
Nos últimos dias, Trump também voltou a falar sobre o eventual fornecimento de mísseis Tomahawk à Ucrânia, o que aumentou as preocupações em Moscovo. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou o tema como “de extrema preocupação”, advertindo que as tensões estão a aumentar de todos os lados. Ainda assim, Washington acredita que a via diplomática não está encerrada.
A “Euronews” destaca que a próxima reunião entre Trump e Zelensky poderá definir o rumo das negociações e determinar se o êxito em Gaza poderá inspirar um novo caminho de paz no leste da Europa.
