Os ministros da Defesa da NATO vão se reunir para procurar novas formas de reforçar o apoio militar à Ucrânia, numa altura em que as remessas de armamento e munições para Kiev registam uma queda acentuada. Segundo informações da “Euronews”, o encontro ocorre num contexto de crescente preocupação com as incursões de drones e violações do espaço aéreo por parte de aviões russos, o que levanta receios de que o presidente Vladimir Putin esteja a testar os limites defensivos da Aliança Atlântica.
A reunião de Bruxelas deverá centrar-se na tentativa de angariar mais contribuições financeiras e logísticas, assim como na discussão sobre o levantamento das restrições impostas a certos equipamentos militares já fornecidos. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, apelou aos países-membros para que permitam a utilização dos seus meios aéreos e terrestres de forma mais flexível, de modo a reforçar a defesa da fronteira oriental da organização, que faz fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e a Ucrânia.
De acordo com dados citados pela “Euronews”, a ajuda militar ocidental à Ucrânia diminuiu 43% entre Julho e Agosto, em comparação com o primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Kiel, da Alemanha. Esta redução acontece apesar da criação do mecanismo financeiro conhecido como Lista de Necessidades Prioritárias da Ucrânia (PURL), destinado a agilizar a compra de armamento.
Os Estados Unidos não participam com doações directas através do PURL, mas seis países europeus já contribuíram com cerca de dois mil milhões de dólares para o fundo. A Dinamarca, os Países Baixos, a Noruega e a Suécia têm adquirido armas norte-americanas destinadas a Kiev. Outros membros da aliança, como a Itália e a Espanha, têm enviado volumes muito inferiores, o que gera descontentamento entre os aliados mais activos.
Um diplomata sénior da NATO, ouvido sob anonimato, afirmou à “Euronews” que “alguns países estão muito atrasados em relação ao que deveriam fazer”, alertando que, caso a Ucrânia caia, “as despesas com defesa ultrapassarão os 5% do produto interno bruto”, meta considerada já bastante ambiciosa pela aliança.
As dificuldades económicas internas de alguns Estados-membros explicam parte da retracção. A França, por exemplo, defende que os fundos europeus sejam utilizados para fortalecer a indústria de defesa do próprio continente, e não a dos Estados Unidos, pelo que não pretende participar no PURL. Kiev tenta persuadir os países que ainda não contribuíram a fazê-lo e incentivar os já comprometidos a aumentarem o montante, reconhecendo que se trata de uma questão sensível em tempos de incerteza económica.
A guerra na Ucrânia continua concentrada nos ataques da Rússia à infra-estrutura energética do país, numa tentativa de privar os civis de electricidade e aquecimento à medida que se aproxima o Inverno. No terreno, as prioridades de Kiev passam por assegurar o fornecimento contínuo de munições e equipamentos de defesa aérea, proteger as cidades e reforçar as defesas das Infraestruturas críticas.
No flanco oriental da NATO, mantém-se o esforço para equilibrar a defesa da aliança com as necessidades ucranianas. Segundo a “Euronews”, as defesas aéreas destacadas na Polónia, nos Estados Bálticos e na fronteira polaco-ucraniana ainda não retiraram recursos à Ucrânia. Contudo, os comandantes da NATO querem ter liberdade total de movimentação dos meios aéreos entre as diferentes operações regionais, de forma a criar um escudo unificado.
O general norte-americano Alex Grynkewich, Comandante Supremo Aliado da NATO (SACEUR), elogiou a resposta aos incidentes no espaço aéreo da Polónia e da Estónia, mas advertiu que as restrições nacionais dificultam uma actuação coordenada. “Quanto mais advertências e limitações existirem, mais difícil será garantir uma defesa eficiente”, afirmou o enviado dos Estados Unidos à NATO, Matthew Whitaker, citado pela “Euronews”.
