Dezenas de jornalistas norte-americanos abandonaram o edifício do Pentágono em protesto contra as novas regras impostas pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, e apoiadas pela administração Trump. As medidas determinam que qualquer informação, classificada ou não, deverá ser previamente aprovada pelo chefe da Defesa antes de ser divulgada, sob pena de expulsão dos profissionais de imprensa. A “Euronews” acompanhou as reacções e o impacto desta decisão, que foi amplamente criticada pelos principais meios de comunicação dos Estados Unidos.
A administração justificou as novas normas como um exercício de “senso comum”, destinado a “regular uma imprensa muito perturbadora”, nas palavras do presidente Donald Trump. Contudo, a medida foi rejeitada de forma quase unânime pelas redacções, que a consideram uma tentativa de controlo político sobre o fluxo de informação proveniente do Departamento de Defesa.
Cerca de 40 a 50 repórteres entregaram os seus crachás e abandonaram o edifício em conjunto. Várias caixas com documentos, livros e objectos pessoais foram vistas a ser transportadas pelos corredores, num cenário que simbolizou o fim abrupto de décadas de convivência entre a imprensa e o centro de comando das forças armadas norte-americanas.
“É um momento triste, mas também de grande orgulho pela unidade do corpo de imprensa”, afirmou Nancy Youssef, jornalista da revista The Atlantic, que trabalhava no Pentágono desde 2007.
As novas regras surgem meses depois de uma polémica envolvendo o próprio Hegseth, acusado de ter partilhado, através do telefone pessoal, planos de ataque militar com familiares e um advogado. Apesar das críticas, o secretário da Defesa manteve a intenção de impor um maior controlo sobre as fontes internas.
Donald Trump, ao ser questionado sobre o caso, expressou apoio total ao seu secretário: “A imprensa é muito desonesta. Ele considera que limitar esse ruído é importante para a paz mundial”, declarou o presidente.
Antes mesmo da implementação formal das regras, Hegseth, antigo apresentador do canal Fox News, já vinha restringindo o acesso da imprensa ao Pentágono, limitando as zonas de circulação e reduzindo o número de reuniões formais. Desde o início do seu mandato, o secretário apenas se reuniu duas vezes com os jornalistas e abriu várias investigações sobre alegadas fugas de informação.
O regulamento exige que todos os profissionais assinem um documento reconhecendo as novas directrizes. Hegseth argumenta que tal assinatura não implica concordância, apenas o reconhecimento da existência das regras. Para os repórteres, essa distinção é irrelevante, uma vez que a recusa em assinar significa, na prática, a perda de acesso.
A Associação de Imprensa do Pentágono, que representa mais de uma centena de profissionais de 56 organizações noticiosas, condenou oficialmente as medidas. De acordo com a “Euronews”, tanto meios conservadores, como a Fox News e a Newsmax, quanto veículos tradicionais, como o The New York Times e a Associated Press, aconselharam os seus jornalistas a não assinarem o novo código e a deixarem as instalações.
Apesar da saída em massa, as redacções asseguraram que continuarão a cobrir as actividades das forças armadas “de forma independente e rigorosa”. A incerteza, no entanto, permanece quanto à forma como as novas regras poderão afectar o acesso à informação militar nos próximos meses.
