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Governo esclarece que patrocínio da SATA ao Santa Clara é uma “troca de serviços” sem apoio financeiro directo

O Governo Regional dos Açores esclareceu que o patrocínio da Azores Airlines ao Clube Desportivo Santa Clara não envolve qualquer transferência monetária, tratando-se antes de uma troca de serviços que visa a promoção da marca da companhia aérea. A resposta surge na sequência de um requerimento apresentado pelo Grupo Parlamentar do Chega, que questionava a legitimidade do apoio a uma equipa de futebol profissional por parte de uma empresa pública com elevados prejuízos.

No requerimento entregue na Assembleia Legislativa, o Chega lembrava que a Azores Airlines, empresa do grupo SATA, registou no primeiro semestre de 2025 um resultado líquido negativo de 41,1 milhões de euros, um aumento de 3,3 milhões face ao mesmo período do ano anterior. O partido questionava como é que uma empresa pública com “prejuízos astronómicos, pagos por todos os açorianos” mantivesse um patrocínio a um clube profissional e pediu esclarecimentos sobre o valor, os termos e o retorno esperado da parceria.
Na resposta oficial, assinada pelo secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, o Governo afirma que o acordo se insere “numa estratégia de promoção institucional da marca Azores Airlines” e assenta “numa permuta publicitária e não em apoio financeiro directo”. A companhia aérea disponibiliza ao Santa Clara um plafond anual de 81.319,50 euros em passagens aéreas, a utilizar nas deslocações da equipa em competições desportivas.
Ultrapassado esse montante, a Azores Airlines concede ainda um desconto de 10% sobre as tarifas públicas (com excepção das tarifas de residente e desportiva). Em troca, a transportadora obtém “visibilidade e projecção da marca” nos equipamentos, nas plataformas digitais, nos espaços do estádio e nas transmissões televisivas do clube.
“Este modelo de colaboração não implica desembolso financeiro, representa uma troca de serviços, com benefícios mútuos e retorno indirecto”, pode ler-se no documento. O Governo justifica o protocolo como parte de uma “estratégia de promoção institucional da marca Azores Airlines”, com benefícios reputacionais e retorno indirecto, ao reforçar a notoriedade e o posicionamento da companhia nos mercados regionais, nacionais e internacionais. Entre os objectivos referidos estão a fidelização de clientes, o aumento da procura e a associação da transportadora “ao dinamismo e projecção do futebol açoriano”.
O Executivo sublinha ainda que o acordo “não compromete a sustentabilidade financeira” da Azores Airlines e poderá contribuir para “atracção de novas receitas” e para a “valorização económica e simbólica da marca”.
O documento do Governo foi enviado à Assembleia Legislativa a 14 de Outubro e inclui em anexo uma cópia do protocolo celebrado entre a companhia aérea e o clube.
Daniela Canha

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