Edit Template

CESA reconhece ambição do Orçamento Regional mas avisa para riscos na execução por depender de apoios comunitários

O parecer do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) sobre a anteproposta do Plano e Orçamento Regional para 2026 destaca um investimento público de 1.191,6 milhões de euros, com 46,4% das verbas destinadas a despesas de capital, e chama atenção para a necessidade de uma gestão prudente num ano marcado pela conclusão do PRR.

O Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) aprovou, por unanimidade, o parecer sobre a Anteproposta do Plano Regional Anual e do Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2026, reconhecendo a ambição do investimento público previsto, mas alertando para riscos de execução e de sustentabilidade financeira, num contexto de forte dependência de fundos comunitários e de um calendário apertado do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Segundo o documento, o cenário macroeconómico base aponta para “um crescimento do PIB na ordem dos 2% relativamente ao ano anterior, uma taxa de inflação de 2,1% e uma estimativa da taxa de desemprego de 5,8%, previsão que se deverá manter, face ao forte e acelerado investimento público para a conclusão do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.
O Orçamento apresenta uma “ambição significativa em matéria de investimento público”, destinando 46,4% das verbas a despesas de capital, com destaque para a execução final do PRR e para o cumprimento da regra n+3 do Programa Açores 2030. A estratégia visa “a criação de valor e o reforço da capacidade infra-estrutural da Região”, com impacto potencial na eficiência e produtividade.
O nível de investimento público previsto é de 1.191,6 milhões de euros, dos quais 990,9 milhões correspondem a despesa directa do Governo Regional, traduzindo “um crescimento de mais de 20% face ao previsto para o ano anterior”. O parecer adverte, porém, que a dependência de receitas condicionadas à execução de fundos comunitários, associada ao “elevado volume de investimento num tão curto horizonte temporal”, levanta preocupações quanto à exequibilidade do plano e à sustentabilidade financeira regional, recomendando “um planeamento rigoroso, uma gestão prudente da tesouraria e coordenação interinstitucional reforçada”.
O aumento da receita fiscal e das transferências da União Europeia é considerado positivo, mas o saldo efectivo negativo de 155 milhões de euros e o aumento das operações financeiras “indicam que persistem desafios estruturais na consolidação orçamental”. O CESA recomenda “contenção e transparência na divulgação das despesas de funcionamento, em particular no que concerne à racionalização da despesa com pessoal e bens e serviços”.
A distribuição funcional e orgânica da despesa revela, segundo o CESA, “prioridades claras” nas áreas da saúde, mobilidade, educação e protecção social, sublinhando o parecer a importância de “garantir equilíbrio entre investimento e funcionamento, de forma a preservar a qualidade dos serviços públicos e a robustez financeira da Região”.
O CESA cita a anteproposta do Governo Regional, que afirma que “a opção estratégica relativa à execução de fundos europeus não colocará em causa o rigor orçamental e a sustentabilidade das finanças públicas, medida pela verificação dos critérios de Maastrich: 3% para a relação entre o défice orçamental e o PIB e 60% para a relação entre a dívida pública e o PIB”. Contudo, o próprio CESA assinala “a ausência de referências explícitas sobre o nível de endividamento previsto, de acordo com os critérios do Sistema de Contas Nacionais”.
Entre as medidas orçamentais, o parecer assinala que os principais pressupostos de transferências do Orçamento do Estado para a Região “estão assegurados (e até ultrapassados)” na proposta apresentada pelo Governo da República à Assembleia da República, o que, uma vez aprovada, confirma a validade das previsões inscritas na anteproposta regional.

Orçamento prevê até 75 milhões
para conversão de dívida
e 10 milhões para a SATA
Mantém-se a autorização para contrair dívida fundada até 75 milhões de euros para conversão de dívida comercial em dívida financeira, acrescida de 10 milhões para pagamento à SATA no âmbito das Obrigações de Serviço Público no transporte interilhas e 12,5 milhões para a entidade que vier a ser seleccionada para operar as rotas aéreas não liberalizadas.
O parecer destaca ainda a necessidade de “estimular a retenção e atracção de trabalhadores qualificados através de “medidas concretas ao nível da valorização salarial (i.e., significativo aumento dos salários), incentivos à natalidade, habitação, mobilidade interilhas e conciliação da vida familiar e profissional, potenciando todas as mais-valias da vivência nos Açores”.
O CESA incluiu também recomendações de políticas públicas sectoriais nas áreas sociodemográfica, educação e qualificação profissional, saúde, turismo, agricultura, habitação, coesão territorial, governação e finanças públicas (pp. 76–80 do parecer).
Em síntese, o CESA considera tratar-se de “uma proposta de Plano e Orçamento muito ambiciosos que irão exigir um acompanhamento rígido e eficaz na sua execução, sob pena de a RAA ser confrontada com a necessidade de devolução de verbas, entretanto adiantadas, pelos fundos europeus”.
O documento foi aprovado por unanimidade e remetido aos órgãos de governo próprio da Região, estando disponível na página de internet do CESA.
Daniela Canha

Edit Template
Notícias Recentes
“Não se trata apenas de escolher um destino e reservar um hotel”, afirma o travel designer Hugo Oliveira
A Igreja em todo o mundo reza pela saúde do Papa
Governo dos Açores anuncia reforço da conservação da floresta com pomar de espécies endémicas
Município de Angra do Heroísmo disponibiliza Agenda Conversacional com inteligência artificial
“Vários estudos científicos mostram que aprender através de jogos pode melhorar a aprendizagem, a motivação e o desenvolvimento dos alunos”, afirma Paulo Santos
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2026 Correio dos Açores