A “Euronews” informou que a União Europeia vai conceder ao Egipto um novo pacote de 75 milhões de euros em apoio financeiro, destinado a promover o desenvolvimento socioeconómico e reforçar a resiliência do país do Norte de África. O anúncio será formalizado durante uma cimeira de alto nível UE-Egipto, marcada para Quarta-feira, em Bruxelas.
Segundo um responsável europeu citado pela “Euronews”, a subvenção visa melhorar o acesso a saúde, educação, água e saneamento, com enfoque nas mulheres e nos jovens. O Egipto tem desempenhado um papel central nos esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo em Gaza, tendo acolhido recentemente uma conferência internacional sobre a implementação de um plano de paz na região, na presença do presidente norte-americano Donald Trump e de vários líderes árabes e europeus.
O novo apoio insere-se num quadro macrofinanceiro de 7,4 mil milhões de euros, aprovado em Março de 2024, que cobre o período 2024-2027. “A cimeira de hoje marca uma nova fase da nossa parceria estratégica, reforçando a cooperação em resiliência económica, desenvolvimento sustentável e reformas”, declarou a comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica.
Durante a reunião, a União Europeia será representada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, enquanto o Egipto será representado pelo presidente Abdel Fattah el-Sisi. Além das subvenções, estão previstos empréstimos adicionais no âmbito do mesmo quadro financeiro.
A “Euronews” recorda que o Egipto é considerado um parceiro estratégico da União Europeia em seis áreas: estabilidade económica, comércio e investimento, migração e mobilidade, segurança, demografia e desenvolvimento humano. Desde Março de 2024, Bruxelas tem vindo a reforçar a cooperação com o Cairo, com medidas que incluem um empréstimo de mil milhões de euros de assistência macrofinanceira a curto prazo e um aumento de quatro mil milhões ainda não desembolsados.
A parceria entre a União Europeia e o Egito assenta no Conselho de Associação UE-Egipto, criado em 2004 para supervisionar e orientar as relações bilaterais. O órgão reúne-se sempre que existe vontade política para definir prioridades e rever acordos. O encontro mais recente, realizado em Janeiro de 2024, não produziu novas decisões formais, mas resultou numa declaração conjunta reafirmando os objectivos comuns e o compromisso com uma relação reforçada.
Além do Conselho, foi decidido criar uma reunião de alto nível bienal, simbolizando a intensificação do diálogo. Esta será a primeira desse formato. “A UE valoriza profundamente o papel estabilizador do Egipto no Médio Oriente e o seu papel de mediação no conflito de Gaza”, afirmou António Costa num comunicado divulgado antes do evento.
Em 2024, a União Europeia manteve-se como o maior parceiro comercial do Egipto, representando 22% do comércio total do país. Bruxelas foi o principal destino das exportações egípcias (26,5%) e a principal fonte das suas importações (19,9%). O Egipto, por sua vez, desempenha um papel essencial na gestão dos fluxos migratórios para a Europa. Embora não seja um ponto de partida principal, 9% dos migrantes que chegaram irregularmente à UE em 2024 eram cidadãos egípcios, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
