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Maria Corisca

Meus Queridos: Já começaram as posses dos novos “governantes autárquicos”… e a minha prima Maria da Praia telefonou-me para dar a sua opinião sobre os eleitos que vão ser empossados, embora as eleições autárquicas do dia 12 de Outubro deixaram uma nuvem em vários conselhos mas o melhor é esperar para ver como é que vão arrancar os novos eleitos, porque em São Miguel ficou quase tudo como o bacalhau… isto é seco, salgado e bem conservado. As presidências das Câmaras ficaram nas mesmas mãos… ou melhor dizer com as mesmas cores, … como se os lugares tivessem chumbo com ornamentem que sobressaem os pregos já com ferrugem e com alguns pingos de cola Super 3. Mas nas freguesias de maior peso eleitoral da Ilha do Arcanjo deu-se, uma autêntica “comédia de vira-casaca” digna de novela mexicana. Os Arrifes, a Maia e Capelas, que eram tidas como fortalezas de betão armado, ao serviço do “socialismo” onde os “donos disto tudo” mandavam há anos, mas desta vez aconteceu uma reviravolta que nem a Nossa Senhora da Apresentação conseguiria explicar… O povo, esse malandro, trocou de camisola e virou-se pró PSD, enquanto mas, entretanto deu-se um outro milagre… desta feita em Rabo de Peixe, que durante três mandatos foi o reduto de Jaime Vieira, que viu os nove mil e tal habitantes virarem-se para o candidato do PS, porque segundo diz a minha comadre Engrácia, estavam fartos de promessas de vários projectos que nunca chegaram a ver a luz do dia e são necessários para garantirem o crescimento de uma Vila que vive do Mar, da Terra e das empresas, mas que tudo ficou “bloqueado” levando por isso os eleitores a trocaram de bandeira com mais estilo do que aquele dos figurantes da Feira Quinhentista da Ribeira Grande… Na noite eleitoral que foi longa não faltou fanfarra nem fogo-de-artifício … e aqueles que andaram a distribuir cabazes como se fossem bênçãos do Espírito Santo, ficaram a falar sozinhos, ou seja, nem os cabazes, cheios de promessas, envoltas em arroz, batatas e latas de atum, … fizeram o milagre do costume… que era ganhar…. Nos Arrifes e em Rabo de Peixe, houve distribuição como quem lança migalhas a pombos, mas os pombos, não foram votar… ou ficaram a ver a repetição da novela,.. ou decidiram ir apanhar polvos…. Meus queridos: Democracia, sim senhor, mas sem promessas que acabaram por apodrecerem!

Ricos: Já agora aqui deixo a minha opinião…o povo pode ser manso, mas burro não é. Às vezes acorda e quando acorda, muda tudo. Que isto fique de lição para os que ainda pensam que o voto se compra com um saco de mantimentos e dois sorrisos em tempo de campanha…é caso para dizer esse tempo já passou e como diz a minha prima Genoveva… não se fiem “em sapatos de defuntos”.

Ricos! Depois de falar em resultados eleitorais fui parar na leitura de um vasto artigo da autoria de um ilustre causídico da Ilha de Jesus, que tem lugar próprio no Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, e que disserta sobre defeitos da Autonomia assim como sobre o modelo de governança e a qualidade da própria Autonomia, aplicando as dores do Projecto Autonómico ao peso dos micaelenses assim como ao modelo de governança que consta do Estatuto e da própria Constituição… A minha prima Maria da Praia com quem falei sobre a matéria disse-me que é uma pena que no meio de tantos juristas que andam nas várias secretarias regionais, não tenham arranjado maneira de trazer à razão o escritor que se agarra à situação, de governo económico nos Açores e que, segundo ele diz pode constituir um perigo para a actual autonomia política e para reforçar a sua “douta opinião” resolve fazer um “trocadilho” entre dois patamares… e que aqui me atrevo a registar: se o G7 que é o conjunto de sete Ilhas atingisse patamares de excelência económica numa dimensão apropriada e de boa qualidade de vida, e com parceiros genuinamente interessados, naturalmente que se questionará algum dia a utilidade da Região Autónoma… Trata-se de um pensamento que vai para além do futuro que sabemos qual é mas não sabemos como será….. Depois o articulista entende que o desenvolvimento do G2 é à custa do G7, isto é São Miguel cresce à custa das outras sete Ilhas…o que envolve um desconhecimento das Ilhas pelo ilustre causídico …que atribui depois que o renascimento das cinzas da águia redentora da terceirense… “Antes morrer livres do que em paz sujeitos”, e acrescenta que esse modelo poderia corroer a ditadura de empresas extractivas da Região Autónoma, como a EDA e a SATA, que servem sobretudo a economia e a indústria de São Miguel… Ora, aqui é que o jurista se engana porque as duas empresas EDA e SATA é que estabelecem princípios de igualdade no fornecimento de energia ao mesmo preço em todas as Ilhas, e a SATA a voar com o mesmo custo por bilhete…. Depois acrescenta que “a ditadura das empresas do G2 e do G7 poderia levar à divisão da Região em duas, uma composta pelo G2 e outra formada pelo G7; O articulista vai depois à conclusão que em política quase tudo é efémero…. Na verdade, se as instituições políticas e económicas são inclusivas, acontece um círculo virtuoso que torna a sociedade feliz e solidária; se não é inclusiva é por que é exclusiva num círculo vicioso da elite extractiva… Ora, como disse a minha prima Engrácia, esse círculo virtuoso certamente já é velho e é pena que subsista como uma “doença” na Ilha de Jesus… em vez de levar a mensagem ao G7 para que ele continue a crescer para o todo onde se inclui o G2 e o G/7… porque se assim não for a ditadura do G/2 tão molestada pelo articulista não passará de uma doença que tem raízes muito antigas de alguns ilustres pensantes que pouco ou nada conhecem sobre a evolução do G/2: Meus queridos! Tenham tino porque o mundo não está para brincadeiras e longe vão os “capitães donatários” de outrora que deixaram na Ilha de Jesus um génese que perdura….e acidifica o presente em vez de ser parte para o futuro….

Ricos: O jornal que generosamente me acolhe no seu seio publicou uma entrevista com o Rogério Massa, Presidente cessante do Coral de São José e olhem que o homem não se saiu nada mal. Fez um balanço todo bonito sobre o que o coral tem feito pela cultura musical dos Açores… e diga-se: é obra, sim senhor! Como se sabe, o Coral de São José foi fundado lá atrás, em 1967, a sair da batina do coro litúrgico da Igreja de São José. Mas não pensem que ficou só a cantar aleluias. Aquilo evoluiu, afinou-se, ganhou mundo e hoje é uma referência com “R” grande, tanto cá pela ilha, como lá fora no continente e arredores. E porque ali não se faz pela metade, há o coro litúrgico misto que actua nas Eucaristias de São José, alternando com o recém-criado coro masculino e o coro sinfónico, que é para ninguém dizer que a música anda pelas ruas da amargura. Está tudo muito bem ensaiadinho e é um consolo de se ouvir. Agora, deixem-me mandar um beijinho repenicado para a nova Presidente, a Sónia Penela, que anda de alma cheia e com vontade de dar palco à nossa cultura. Força, e continuem afinadinhos, que os Açores agradecem.

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