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“A arquitectura é também uma experiência viva e envolvente capaz de activar os sentidos e evocar emoções”

“Pensar a arquitectura: o(s) tempos(s) do processo criativo” é uma exposição de Catarina Valadão, que estará patente no espaço Criativo, de 30 de Outubro a 28 de Fevereiro de 2026, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís Silveira Ribeiro, em Angra do Heroísmo.
Com 39 anos de idade, Catarina Valadão trabalha em arquitectura há já alguns anos, desde 2007.
Natural de Angra do Heroísmo fez o ensino secundário na ilha Terceira, passando ainda pela área das artes, antes de resolver entrar para o curso de arquitectura, onde esteve dois anos aqui, em Ponta Delgada a fazer os preparatórios para depois concluir o licenciamento e o mestrado no continente. Neste momento está a fazer doutoramento em arquitectura na Universidade de Coimbra. Trabalhou na ilha Terceira e no continente, mas depois resolveu vir trabalhar para São Miguel, onde permanece.

Veio atrás do seu sonho

Quando esteve na Universidade dos Açores gostou muito de viver cá, confessando, que “sempre teve a ideia, que quando regressasse à Região gostava de voltar a viver aqui, então vim atrás daquilo que era o meu sonho”, confessou.
Entretanto foi convidada pela Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silveira Ribeiro para fazer uma exposição relativamente à arquitectura, dando-lhe a hipótese de escolher o tema, então achou “por bem, que fosse «Pensar a arquitectura» com o intuito de explicar às pessoas, que a arquitectura é muito isto, sobretudo o pensamento. Um colega meu tinha uma expressão muito engraçada: «o arquitecto é pago para pensar» e realmente é isto, que fazemos. Nós somos pagos para pensar, e através desse pensamento conseguimos criar espaços, que consigam dar qualidade de vida às pessoas. Aproveito muito a exposição para explicar quais são as condicionantes da arquitectura, quais são os prós e os contras e o que é que as pessoas procuram no arquitecto, e acima de tudo para explicar para que serve a arquitectura. Portanto, a exposição vai estar patente durante quatro meses, e durante esse tempo vou explicar quais é que são os processos criativos da arquitectura. O que é que começamos a pensar, como é que chegamos aos primeiros desenhos e ao resultado final. Na exposição, as pessoas vão ter sempre de novo para ver, todos os meses”.
A apresentação formal desta exposição, possivelmente deverá acontecer só no final do mês de Janeiro e estará patente até ao final do mês de Fevereiro. “Até lá, as pessoas vão estar a ver um processo normalíssimo de arquitectura. Como é que o arquitecto pensa, como é que faz um projecto, como é que esse projecto depois passa para as entidades camarárias para ser aprovado, quanto tempo é que esse processo leva, quer o processo criativo quer a parte das aprovações dos projectos de arquitectura, ou seja, é dar a conhecer à população, um bocado, o que é um trabalho de um arquitecto, que não se resume efectivamente só a três linhas, como as pessoas normalmente pensam que é. Então estou a utilizar este espaço para passar esta mensagem”.
“A arquitectura tem um lado humano muito forte”

A exposição “Pensar a arquitectura: o(s) tempo(s) do processo criativo” vai ser levado a cabo em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde estará exposta durante quatro meses, mas Catarina Valadão gostaria (e tem essa vontade), que depois a mesma viesse a ser realizada em São Miguel.
Catarina Valadão considera, que “a arquitectura tem um lado humano muito forte” e acredita mesmo, que “é o que deve ser entendido em primeiro lugar, ou seja, cada pessoa, que vem ter comigo pedir um projecto é uma pessoa única, que me pede um projecto para um local único. Portanto, tenho acima de tudo perceber quais são as vivências daquela pessoa, qual o seu modo de vida, o seu estilo e o que é que a pessoa gosta ou não gosta. Não impingir aquilo, que será o meu estilo de arquitecta, porque em primeira instância tenho de descobrir o que é que a pessoa, que está à minha frente precisa, além daquilo, que ela quer e a seguir fazer o trabalho de casa, dar-lhe o melhor, que a arquitectura pode ter para ela se sentir segura e confortável”.
A arquitectura é transversal a qualquer coisa, que se faça, quer seja espaço público ou privado. Se estivermos num espaço mais fechado sentimos, que estamos num espaço mais fechado ou num espaço de comunidade. A arquitectura é mais do que apenas forma, função e técnica e é também uma experiência viva e envolvente capaz de activar os sentidos e evocar emoções. Um arquitecto tem, obrigatoriamente de saber um bocadinho de diversas coisas para conseguir chegar a um ponto de equilíbrio, para conseguir dar às pessoas o essencial daquilo, que elas precisam, nomeadamente, o conforto, segurança e uma série de outros parâmetros. Vou fazer aqui uma crítica, em relação a alguns arquitectos, porque há arquitectos, que foram para a arquitectura única e exclusivamente a pensar na estética e vão muito atrás disso, às vezes, para ganharem prémios e infelizmente ainda se dão prémios pela estética e sou completamente contra isso, porque acho, que a arquitectura é feita de seres humanos para seres humanos e estou a prestar um serviço para a população. Muito mais do que a estética, que também é importante e ajuda a criar as tais sensações de segurança e conforto, mas acima de tudo tenho de perceber o que é que quer, quem está à minha frente. A partir daí ajudar com a forma, com as cores, com as funções, com os acessos, com a luz e com a ventilação, e com tudo aquilo que a arquitectura nos pode dar e que nós temos que saber trabalhar”.

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