“Queremos colocar a tecnologia ao serviço do nosso mar e dos nossos recursos marinhos com a missão de proteger e preservar o mar dos Açores”, afirmam os estudantes que venceram o Prémio Norma-Açores 2025.
O projecto ALGACLEAR, criado por dois jovens estudantes da Universidade dos Açores (UAc) foi o grande vencedor da 1ª Edição do Prémio Norma-Açores, que ocorreu no passado dia 21 deste mês. O prémio destina-se a premiar o melhor projecto de Empreendedorismo e Inovação da UAc. A iniciativa desenvolvida pelos jovens tem o objectivo de auxiliar os concessionários de zonas balneares na remoção de algas invasoras nas praias e zonas portuárias da região.
O nosso jornal, esteve à conversa com Bernardo Silveira e Diogo Tavares, criadores da ideia. Bernardo, de 22 anos, é natural de São Roque, é licenciado em Gestão, e no momento actual encontra-se a frequentar o mestrado de Ciências Empresarias na UAc. Diogo tem 25 anos, é natural de Santa Cruz e está a concluir a sua licenciatura em gestão no mesmo estabelecimento.
“Queremos resolver a questão das algas invasoras porque comprometem a biodiversidade marinha, estas impedem os banhistas de desfrutarem das nossas belas praias das nossas zonas balneares. Isto afecta também a percepção quando se chega a praias e prejudica o sector das pescas, que não conseguem desempenhar as suas actividades”, reforçaram Diogo e Bernardo.
Segundo os fundadores, a ALGACLEAR é uma solução considerada inovadora que busca prestar apoio aos concessionários das zonas balneares e portuárias da ilha de São Miguel. “A ideia passa por ter de fazer uma monotorização e remoção de algas invasoras. Na nossa região, temos a alga invasora, rugulopterix okamurae, uma espécie que surge frequentemente nas nossas praias e que afecta a biodiversidade marinha e a qualidade das águas”, revelaram.
Os criadores informaram que a ideia de trabalhar com algas, surgiu aquando uma entrevista com os Portos dos Açores para um trabalho académico, trabalho este que foi a catapulta para a consolidação do projecto ALGACLEAR. Foram ainda apoiados por instituições como a Faculdade de Economia e Gestão (FEG), a InUAc e os Portos dos Açores. “Consideramos esta entrevista muito importante, porque saímos satisfeitos por termos uma coisa mais concreta e por termos percebido uma das dores do nosso segmento alvo”, destacaram os dois jovens.
Para a resolução desta problemática, os estudantes pretendem fazer uma recolha, através da utilização de dois veículos autonomamente operados e que têm acoplado neles uma caixa de rede. Uma porta, que abre de fora para dentro, seria a forma de armazenar as algas dentro do objecto, explicaram os micaelenses. Acrescentaram ainda que pretendem recorrer à utilização de um drone, que segundo eles irá “detectar as machas de algas que estão a flutuar perto da zona da costa”.
“Quanto à sustentabilidade ambiental, visamos proteger os ecossistemas marinhos, ao tentarmos mitigar uma espécie invasora. A outra vertente seria económica, desempenhamos a tarefa de recolha de algas, mas a questão do armazenamento, transporte e aproveitamento de algas, teria de ser feita por terceiros. Com isso estamos a promover a cooperação económica com outras empresas e outras actividades”, sublinharam os fundadores sobre como projecto contribui para a sustentabilidade da região açoriana.
Em relação ao método utilizado, Diogo e Bernardo, garantem que este poderá existir, uma vez que o projecto ainda não está colocado na prática, contudo afirmam que querem rodear-se de especialistas, engenheiros e investigadores de modo a obterem os melhores conselhos para encontrarem as melhores alternativas para este obstáculo.
“No fim o que queremos ter, é o máximo de conselhos e de ideias para que seja possível minimizar ao máximo o impacto ambiental, porque a nossa ideia é ajudarmos e não estamos a prejudicar”, afirmaram.
Os açorianos enfrentaram ainda alguns obstáculos, revelaram que o percurso até à ideia final “não foi muito linear”. “Tínhamos bastantes ideias para incluir num só robô como corte, como a recolha e a análise, entretanto à medida que fomos recebendo mentoria, fomos percebendo que tínhamos que nos fixar numa só ideia e não em várias”, confessaram os jovens.
A participação no projecto surgiu através de uma iniciativa do professor Ricardo Machado, que lecciona a Unidade Curricular de Empreendedorismo. Os jovens sentiram que não tinham nada a perder e decidiram participar na premiação que estreou este ano.
Para o futuro, a ALGACLEAR pretende criar empregos e dar uso às algas que são recolhidas, “a actividade do projecto é a recolha das algas, mas existe toda uma envolvência que é necessária, seja pelo transporte, seja pelo armazenamento, e seja por dar o uso às algas que já foram recolhidas”, afirmaram os estudantes e pretendem também estabelecer parcerias com a Norma-Açores, que concedeu a premiação.
Os dois colegas ambicionam “concretizar a ideia na prática. O nosso maior objetivo é que essa ideia consiga ser concretizada na prática e que tenha resultados práticos e vantajosos para as pessoas, sobretudo para o nosso segmento alvo, os concessionários das zonas balneares e os agentes portuários”.
Os jovens, deixaram ainda uma pequena mensagem de apoio a todos os jovens que têm ideias inovadoras: “Acreditar. Devem acreditar nas suas próprias ideias e não ter medo de começar ou de tentar. Devemos sempre tentar experimentar tudo aquilo nos aparece, aquilo que achamos que faz sentido para a nossa vida, mesmo que não se ganhe nada em termos monetários ou físicos, as experiências, as lições, ficam sempre na nossa cabeça e é isso que a levamos para a vida. As melhores ideias surgem de ideias simples e que até estão presentes no nosso dia-a-dia”.
“Queremos colocar a tecnologia ao serviço do nosso mar e dos nossos recursos marinhos com a missão de proteger e preservar o mar dos Açores”, concluíram Diogo Tavares e Bernardo Silveira.
A Faculdade de Economia e Gestão da Universidade dos Açores, também divulgou, no passado dia 21 deste mês, os outros vencedores do prémio Norma-Açores. O prémio que resulta de uma parceria entre as instituições Norma Açores, a InUAc e a FEG.
Através do comunicado enviado à imprensa, informaram, além do ALGACLEAR que foi o vencedor, os projectos que ocuparam a segunda e terceira colocação. O projecto Mar&Terra, da estudante Francisca Sousa, alcançou a segunda posição da premiação.
O Mar&Terra utiliza a produção de adubos e fertilizantes biológicos, mira apoiar agricultores e cooperativas agrícolas a utilizarem fertilizantes naturais, que tem como base algas e conteiras, invés de fertilizantes químicos.
Em terceiro colocado ficou o projecto HARMONY, da estudante Tatiana Pires, que visa ajudar turistas no seu bem-estar com uma oferta diversificada de terapias ao ar livre e em contacto com a natureza da região, através da inclusão de produtos naturais regionais, como óleos essenciais ou o chá do Porto Formoso.
DP
