A impossibilidade de os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) da ilha de São Miguel estarem nos jogos de futebol e de futsal organizados pela Associação de Futebol de Ponta Delgada continua e não se vê solução à vista.
Já houve reuniões de dirigentes associativos com algumas forças políticas e com um dos sindicatos no sentido de intervirem para serem nomeados polícias da bolsa de voluntários, mas a evolução é nula.
Desde há um ano que o comando da PSP de Ponta Delgada comunicou a impossibilidade de mandar agentes para os jogos como vinha a suceder. Alegou a redução significativa do número de policias dispostos a realizarem aqueles trabalhos gratificados em dias de folga.
A solução encontrada pela AFPD foi a contratação de Assistentes de Recintos Desportivos (ARD,s), com formação especifica para as tarefas. Ficou determinado em reunião que as despesas seriam divididas equitativamente pelos clubes, mas, pelo que apurou este jornal, foi a direcção associativa a assumir os custos que rondaram os 53 mil Euros.
Esta época o problema mantém-se na ilha de São Miguel, porque nas cidades do Continente onde actua a PSP não tem havido falta de policiamento.
O início dos campeonatos de São Miguel de futebol de Sub-17 e de Sub-15 foi atribulado porque quatro jogos foram adiados. Os clubes discordaram da notificação a 34 horas do primeiro jogo de que passariam a custear a segurança através da requisição dos ARD,s.
Os custos quase que triplicam quando a segurança dos jogos é feita por ARD,s, já que o Ministério da Administração Interna, do Governo da República, paga elevadas percentagens quando é a PSP a estar nas partidas oficiais.
Com policiamento os clubes pagavam 13€ (10%) de um jogo de futebol de Sub-15 e de 85€ (50%) num jogo de seniores, porque o diferencial é suportado pelo Governo central. Com os ARD,s os valores para os mesmos escalões são, respectivamente, de 104,40€ e de 156,60€. Num universo de 33 jogos semanais o dispêndio com a PSP era de 1 203€ e com os ARD é de 3 532€. Semanalmente, a AFPD pagou uma média 2 330€, quando, antes, não tinha aquele encargo.
Os protestos generalizados e a ameaça da paragem das competições pelos dirigentes dos clubes fez a direcção da AFPD recuar. Assumiu, pelo segundo ano, os custos da segurança dos jogos sob a sua jurisdição.
Todos para o Santa Clara-Sporting
Agora surge um problema complicado e previsível quando jogam em São Miguel as equipas do Sporting, do Benfica e do FC Porto, que atraem um elevado número espectadores. Não tendo a empresa Trust-CSI agentes suficientes, mobiliza para o jogo das 19h30 de sábado todo o efectivo disponível. O protocolo define para aqueles desafios da I Liga a presença no estádio cinco horas antes, ou seja, pelas 14h30. Impossibilita a realização de jogos locais que requerem segurança (a partir dos Sub-14) nas tarde e noite.
Tem havido uma espécie de jogo de xadrez para colocar os jogos em horas na manhã de sábado e no domingo, mas há impossibilidades com compromissos assumidos.
Um dos principais é a utilização do complexo desportivo Pedro Pauleta. Sendo uma estrutura privada, tem alugueres contratualizados para fazer face às despesas.
Neste fim-de-semana são sete os jogos naquele recinto. Os contactos para a alteração dos jogos durante as noites dos dias da nova semana não têm sido frutíferos por dificuldades das equipas adversários apresentarem todos os jogadores.
Até à hora de encerrar esta página ainda não havia marcação de jogos para o fim de semana.
