1. Para falar do CUIDADOR é preciso conhecer por dentro a realidade nua e crua das suas funções e da sua responsabilidade, o seu ambiente de trabalho, a sua competência profissional, os seus dotes pessoais, o grau de paciência, o perfil do utente ou familiar e o grau de capacidade de esforço despendido dia a dia, hora a hora. De manhã à noite e, nalguns casos pela madrugada dentro. Depende de cada caso!
Ser CUIDADOR hoje é enfrentar a fase derradeira do idoso, as suas doenças e achaques, as suas limitações e dependências, as suas queixas, os seus ais! Mesmo com outros técnicos ao lado!
2. O CUIDADOR do Lar ou de outras estruturas similares, que antes se chamava AUXILIAR de Apoio, é um sacrificado pela vida do utente, seja ou não familiar. A tarefa de casa é idêntica à que é feita num Lar, dependendo sempre da situação de fragilidade e dependência de cada pessoa que é cuidada. Muda o ambiente e o conforto do utente que sempre se sente melhor em sua casa mesmo que a família seja curta. Claro que há outras coisas a dizer em teoria, mas muitas delas não batem certo com a realidade!
3. O CUIDADOR é muitas vezes um sacrificado porque o esforço é permanente e exige atenção redobrada, paciência e competências qualificadas para poder oferecer segurança, conforto, bem-estar e respeito pela pessoa a quem se presta cuidados. Uma pessoa sénior não deixa de ser uma pessoa de corpo inteiro que luta com a solidão e com a memória e recordações que lhe vêm permanentemente à cabeça e que, com a idade avançada ainda é mais carente de afetos e ternura, no sorriso e na proximidade, na docilidade e no acolhimento. E no respeito, porque não raras vezes o idoso também é tratado como criança!
4. Por ser muito exigente, nem todos aguentam o elevado esforço que lhes é pedido. É, por isso, necessário rever o Estatuto do CUIDADOR, seja ele formal ou informal e melhorar as suas condições de trabalho, isto no caso de não serem familiares. E elevar o vencimento ou retribuição para um nível bem mais alto! Que eles justamente merecem nos Lares ou em casa!
Por: Eduardo de Medeiros