O ruído negativo em redor do futebol não para nem diminui. Por mais campanhas e apelos que se façam diariamente há matéria para a agitação. Em muitas das vezes por erros grosseiros inexplicáveis, muito difíceis de compreender.
O recurso ao vídeo árbitro é uma ferramenta imprescindível. Tem evitado resultados injustos por más decisões involuntárias. Por vezes com a anulação de golos que roça o caricato por um ou por dois centímetros. São fases do jogo que escapam ao quarteto de árbitros em campo porque a velocidade da bola aumentou consideravelmente.
Há um protocolo que contempla alguns lances. Principalmente as jogadas de fora de jogo ou das faltas ou não para assinalarem os penaltis.
O que se passou sábado no minuto final do jogo Santa Clara-Sporting não foi a primeira vez e nem será a última caso estas situações não integrem o protocolo do VAR.
Se um pontapé de canto assinalado erradamente resultar em golo, deve haver intervenção do VAR para anulá-lo. Qual a diferença quando está em causa um fora de jogo ou não? A jogada não é interrompida e se der golo é analisada?
Agora há lances que são tão evidentes que levantam suspeitas porque são erradamente assinalados. Foi o caso do pontapé de canto que favoreceu o Sporting e que resultou no 2-1. Tão evidente ter sido Quenda a chutar para fora, porque a bola surgiu de forma atabalhoada. Não estava encoberto. Foi visto por quem estava no lado oposto. Paulo Vitor estava um pouco afastado.
Ângelo Carneiro não viu o não quis ver? É a questão que irá perdurar. É incrível como o árbitro principal João Gonçalves não viu, nem o assistente do lado contrário ou o quarto árbitro.
Se não resultasse no golo de Hjulmand a 2 minutos do fim, ficando os três pontos no Sporting, este erro nem era falado. Tem-no sido pela pressão dos seus mais directos opositores do que pelo prejuízo ao Santa Clara.
O erro de palmatória vai penalizar Ângelo Carneiro e o chefe João Gonçalves.
O Santa Clara foi duplamente prejudicado. Os protestos originaram a expulsão de Adriano Firmino e mais tarde de Sydney Lima. Sem MT, lesionado, será uma defesa desfalcada. O delegado Rafael Andrade foi também expulso. E mais virá com a água arremessada para a tribuna em direcção ao presidente do Sporitng, Frederico Varandas, e com o sururu no relvado entre Henrique Silva e Pedro Gonçalves.
Quanto ao jogo, o golo aos 5m de Vinicius Lopes foi cedo demais. Permitiu uma avalanche ofensiva do opositor, colocando o Santa Clara remetido à defesa e sem conseguir sair a jogar. Empatou por Pedro Gonçalves aos 32m.
Na segunda parte permaneceu o domínio do Sporting, mas o Santa Clara esteve mais aplicado e com mais posse de bola. Até Brenner Lucas, por duas vezes, teve o ensejo de marcar.
O Sporting foi naturalmente superior, com mais oportunidades de golo, mas o Santa Clara, dentro das limitações e das armas que possui, lutou por um ponto que lhe foi espoliado por um erro difícil de compreender.
JS
O décimo quarto jogo de Ângelo
A figura central do jogo do Santa Clara com o Sporting acabou, infelizmente e pelo pior motivo, por ser o árbitro assistente Ângelo Carneiro.
Ao ter sido o melhor árbitro assistente da categoria C2 na época de 2020/21, o juiz portuense, filiado na Associação de Futebol de Vila Real, foi promovido ao quadro nacional profissional na época seguinte de 2021/22. Naquela mesma época o micaelense André Almeida, hoje retirado da actividade, foi o terceiro melhor classificado, tendo também subido às provas profissionais.
Décimo sexto classificado entre os 40 assistentes da primeira categoria em 2024/25 (foi 12.º em 2023/24), cumpre esta época o sexto ano nos jogos das I e II Ligas.
Praticamente desde a ascensão que faz parte da equipa do árbitro João Gonçalves (AF Porto), terceiro melhor árbitro português da actualidade.
Sábado esteve no décimo quarto encontro com a participação do Santa Clara. Ironia das ironias nos jogos em que interveio só por quatro vezes a equipa de Ponta Delgada venceu. Empate apenas um, mas derrotas foram nove.
Não temos dados de ter cometido lapsos com efeito directo nos resultados dos jogos.
Os jogos e os resultados do Santa Clara com a presença de Ângelo Carneiro, que a 16 de Dezembro fará 41 anos de idade.
Quase seis mil espectadores
A assistência do jogo Santa Clara-Sporting CP do passado sábado, à noite, não atingiu os 6 mil espectadores. Ficou-se pelos 5 970.
Exceptuando os jogos nos anos em que foi limitado o acesso de espectadores aos estádios por causa da crise pandémica motivada pelo virus Covid 19, a maior afluência do público com a presença do Sporting, desde que houve contabilização nas entradas, foi na primeira época após o regresso do Santa Clara à I Liga, que quase atingiu as 10 mil pessoas.
Seguiram-se quebras acentuadas nas recepções seguintes ao Sporting, mesmo com os preços aproximando-se dos valores aplicados no jogo do passado sábado.
A queixa dos associados, cujo preço de ingresso era apenas 2€ inferior ao vendido ao público sem ligação ao clube através da cota mensal, pode ter influenciado a quebra.
O valor dos ingressos é idêntico aos praticados nos jogos do Sporting em casa e semelhante ao posto à venda pelas SAD,s quando as equipas dos principais clubes as visitam.
Na época passada o número voltou a subir, aproximando-se dos 9 mil. Este ano, com o Sporting realizando um campeonato positivo, esperava-se mais espectadores. Foram menos 2 944 pessoas.
Não havendo contagem das entradas nos campos, o primeiro jogo do Santa Clara na I Liga, recebendo o Sporting a 20 de Agosto de 1999 (2-2), contou com a maior enchente. Estimou-se em cerca de 18 mil espectadores.
O Santa Clara ocupa o 13.º lugar no “ranking” das assistências, com um total de 14 166 espectadores em seis jogos no estádio de São Migue. Representa uma média de 2 361/jogo.
Atrás do Santa Clara estão FC Arouca, AFS, CD Tondela, Casa Pia e Nacional da Madeira.
O quadro com o número de espectadores aos jogos do Santa Clara-Sporting dos últimos sete desafios.
2018/19: 9 968 (1-2)
2019/20: 5 282 (0-4)
2020/21: 932* (1-2)
2021/22: 761* (3-2)
2022/23: 4 447 (1-2)
2024/25: 8 914 (0-1)
2025/26: 5 970 (1-2)
* redução da capacidade pelas restrições derivadas da pandemia.
