O primeiro dia da Web Summit 2025, em Lisboa, ficou marcado por um alerta contundente do seu fundador e director executivo, Paddy Cosgrave. Segundo declarações citadas pela “Euronews”, o responsável advertiu que a Europa e a América do Norte estão a perder terreno na corrida tecnológica para a Ásia, em especial para a China, que hoje lidera nas áreas da robótica e da inteligência artificial.
A conferência anual dedicada à Internet e às tecnologias decorre na capital portuguesa até Quinta-feira e reúne milhares de participantes de todo o mundo. Durante a abertura, Cosgrave destacou o avanço chinês em modelos de inteligência artificial de fonte aberta, capazes de rivalizar com as grandes empresas ocidentais, e elogiou o exemplo do sistema brasileiro Pix, uma ferramenta de pagamento gratuita e acessível, que poderá inspirar soluções semelhantes a nível global.
A cerimónia de abertura contou também com a participação do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, do ministro-adjunto da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, e de Casey Lau, co-apresentador do evento. Moedas recordou a promessa de transformar Lisboa numa “fábrica de unicórnios” e afirmou que essa visão se tornou realidade, com 16 startups avaliadas em mais de mil milhões de dólares com sede na cidade. “Em breve serão 17”, afirmou o autarca, citado pela “Euronews”.
Gonçalo Matias salientou o papel de Portugal na vanguarda tecnológica europeia e sublinhou que o país “não está apenas ligado ao mundo, está ligado ao futuro”. Lau, por sua vez, inaugurou o tradicional desfile das bandeiras que simboliza a presença internacional das startups participantes, destacando também a representação palestiniana e o anúncio de uma “Palestine Summit”, agendada para o último dia do evento.
A presença israelita foi este ano discreta, limitada a duas empresas, enquanto as russas estiveram ausentes devido às sanções internacionais resultantes da invasão da Ucrânia. Ainda assim, uma personalidade russa foi a mais aguardada do dia: a ex-tenista e empresária Maria Sharapova, que participou num painel com a directora-geral da Time, Jessica Sibley, e a responsável de marcas da IBM, Sarah Meron.
Sharapova, cuja carreira desportiva deu lugar a uma trajectória empresarial de sucesso, falou sobre inovação e resiliência, temas que atravessaram todo o programa da Web Summit. O público aplaudiu a intervenção da antiga campeã, que partilhou a experiência de se reinventar fora dos campos de ténis.
Outra figura em destaque foi Khaby Lame, o influenciador senegalês naturalizado italiano, conhecido pelos seus vídeos humorísticos e minimalistas que se tornaram virais nas redes sociais. A sua presença atraiu milhares de participantes, reforçando o papel das novas plataformas digitais na criação de carreiras globais.
De acordo com a “Euronews”, a edição deste ano da Web Summit apresenta um foco particular em inteligência artificial, cibersegurança, sustentabilidade e regulação digital. A conferência decorre num contexto de intensificação da concorrência entre blocos tecnológicos e de crescente debate sobre o papel ético das novas ferramentas digitais.
Cosgrave concluiu a sessão inaugural com uma mensagem de desafio e esperança: “O futuro não pertence a um continente, pertence àqueles que ousam inovar. A Europa e a América têm de recuperar a ousadia que as fez liderar o mundo”.
