Assinalou-se no passado domingo, 9 de novembro, o dia internacional contra o fascismo e o antissemitismo, assim como o 36.º aniversário da queda do Muro de Berlim (9 de novembro de 1989).
Foi na noite do dia 9 de novembro de 1938, que a chamada “Noite de Cristal” (Kristallnacht) iluminou a Alemanha com o brilho trágico de montras destruídas, sinagogas queimadas e vidas despedaçadas. Foi o prelúdio do horror, o sinal de que o ódio, quando normalizado, transforma-se em política de Estado.
Uma data que não pode ser encarada apenas como uma evocação do passado, mas, um verdadeiro espelho do presente.
O fascismo e o antissemitismo não são fantasmas do antigamente, confinados aos livros de História, são formas mutantes de intolerância que regressam sempre que a sociedade se acomoda, sempre que a ignorância se confunde com a opinião e sempre que o medo encontra palco.
Hoje, cada vez com mais frequência, ouvimos discursos que relativizam o autoritarismo, que atacam minorias, que banalizam a violência política e que, com aparente inocência, colocam em causa os pilares da nossa Democracia.
Nos Açores, tal como em qualquer parte do Mundo, a defesa da liberdade e da dignidade humana tem de ser uma tarefa perene. A nossa insularidade não nos isola das ondas de extremismo que crescem por toda a Europa, e, talvez por isso, temos de estar atentos, mais exigentes e conscientes.
A Democracia açoriana, jovem, mas madura, precisa de cidadãos que não aceitam o silêncio como resposta, nem a indiferença como refúgio.
Ser contra o fascismo é mais do que uma posição política, é um compromisso ético. É recusar o discurso do ódio, é proteger o pluralismo, é valorizar a diferença. É ensinar às novas gerações que a liberdade não é um dado adquirido, mas uma construção diária. É lembrar que o “nunca mais” só se cumpre se o repetirmos todos os dias, com palavras e com ações concretas.
Todos, sem exceção, temos de questionar: O que fazemos, nas nossas ilhas, para combater o preconceito? Que papel têm as escolas, os meios de comunicação social e as instituições públicas na promoção da tolerância? Que voz damos às vítimas do racismo, da discriminação ou da exclusão social?
Este combate não é apenas um gesto simbólico, é uma escolha que começa em cada um de nós, na forma como falamos, como ouvimos e como respeitamos.
Não podemos deixar que o medo vença a liberdade. Nunca!
“Estamos nos últimos dois minutos da Democracia e o silêncio é cúmplice” (Maria Ressa).
Por: Humberto Bettencourt