A SATA nasceu no setor privado, primeiro do que a TAP, mas iniciou a sua operação mais tarde. Quando festejaram o seu longo tempo de serviço, evento merecido por assinalar e reconhecer o bonito rol de décadas acumuladas por ambas, a TAP depois de receber o troféu que confirmava a idade sem magoar a sua dignidade – antes, enaltecendo-a – entregou-o à SATA. SATA, uma sigla que ao tempo do seu nascimento também queria dizer Serviço e Amabilidade na Terra e no Ar.
Recordo-me de ter feito uma viagem de Santa Maria para S. Miguel, já há cerca de sete décadas, numa das suas primeiras aeronaves – os Dove de oito lugares, se a minha memória ainda não me abandonou. Para equilibrar o avião com menor número de passageiros era necessário depositar, na sua bagageira dianteira, um saco de cimento.
O capital privado da SATA foi adquirido pelo Governo Regional logo que este começou a exercer as suas funções e a componente restante pertencente ao Estado foi transferida para a Região Autónoma dos Açores. A SATA assumiu então a natureza de empresa pública regional.
Entretanto, a SATA cresceu com a construção de novos aeroportos nos Açores, com as operações para o Continente Português, para a América e Europa. Todavia, o PIB açoriano não dispunha de volume suficiente para além do que já suportava, designadamente para assegurar também a viabilização da SATA como modelo operação, a extensão deste e do funcionamento de serviços adicionais que foi desenvolvendo ao longo dos anos mais recentes.
Hoje mesmo a SATA envereda por um caminho de regresso ao setor privado.
Não é coisa do outro mundo, pelo contrário, é bem deste. O fenómeno aconteceu em quase todos os países da Europa e noutros pontos geográficos do mundo cujos Estados detinham companhias públicas de transporte aéreo de passageiros e cargas.
O transporte aéreo de passageiros passou de um serviço público insustentável e com tendência para a decadência para o sector privado, sobrevivendo e desenvolvendo-se adequadamente no âmbito de um mercado de forte concorrência e promotor de notável desenvolvimento tecnológico.
A SATA prepara-se para seguir o mesmo caminho que é inevitável.
O Governo Regional, intimidando os negacionistas, declarou publicamente que encerraria, admito que a SATA – Azores AirLines – se não fosse possível transferi-la para o setor privado.
Crê-se que dentro de alguns dias, não muitos, será finalmente decidido por concurso público a privatização da SATA ou a sua permanência no setor público.
Parece-me, provavelmente também a outros, que o Governo Regional não tem informado ponderada e suficientemente a evolução do procedimento de privatização SATA que é matéria que preocupa compreensivelmente os açorianos repartidos por nove ilhas dispersas ao longo de cerca de 600 Km de mar e distantes alguns milhares de quilómetros dos Continentes entre os quais se situa o Arquipélago que habitam sem maioritariamente preferirem outro.
Sente-se a ausência ou o conhecimento atempado de um plano futuro em relação ao calendário que se seguirá sobre o transporte aéreo de passageiros e de carga nos Açores.
Não é o processo que corre adequada e visivelmente bem que tem de ser explicado e justificado, mas o que se alonga sem que se conheçam completamente os seus termos, as causas que determinam o seu entorpecimento e o respectivo programa. A incerteza é o pior dos males da economia… A previsibilidade é um bem valioso para as famílias e para as empresas.
Seria muito útil e produtivo que o Governo Regional informasse a população sobre o andamento do procedimento de privatização da SATA, em que concretamente consiste e que plano tem preparado para o futuro desencadeado pelo novo modelo de transportes aéreos de passageiros e cargas de e para os Açores assim como no interior do Arquipélago.
Por: Álvaro Dâmaso