O Presidente do Governo Regional, no passado sábado aos micrófones da RTP/Açores, classificou de “tímidas” as verbas que no Orçamento Geral do Estado (OGE) estão destinadas aos Açores e pediu aos nossos deputados com assento na Assembleia da República que, no debate na especialidade daquele documento, fossem reivindicativos de modo a aproximar os valores orçamentados no OGE às reais necessidades desta Região.
Esta atitude vem dar razão ao que eu já tinha escrito sobre o “embandeiramento em arco “ do Dr. Bolieiro, aquando da realização de um Conselho de Ministros que, a convite do Governo da República, contou com a presença dos Presidentes dos governos dos Açores e da Madeira.
A alegria foi tanta que até pareceu que o nosso Presidente do Governo Regional se tinha esquecido das promessas feitas pelo Dr. Luís Montenegro, enquanto Primeiro Ministro de Portugal, a quase tudo o que “mexe” não só respeitante aos Açores mas também ao rectângulo português, desde o sector da saúde ao da educação, passando pela habitação, reabilitações de infraestruturas, etc.
Quando se vê a televisão, se ouve a rádio, ou se lê os jornais, pode-se verificar que são mais do que muitas as promessas não cumpridas pelos vários sectores do governo, em todos os sectores de actividade levando, por isso mesmo, as pessoas a optar pelas greves em variadíssimos sectores de actividade, o que torna a vida neste país num verdadeiro inferno.
No momento em que escrevo, está a noticiar a medida que o senhor Ministro da Educação quer implementar nas escolas deste país, desde a escola básica à secundária.
Assim, enquanto noutros países se proíbe o uso do smartphone nas escolas, em Portugal e por uma questão económica na aquisição de computadores para todas as escolas, permite-se ao aluno o uso do seu smartphone por falta do computador. Esqueceu-se aquele senhor que, no ano passado, se legislou a proibição do uso dos smartphones naquelas mesmas escolas.
Pergunta-se: em que ficamos? Usa-se ou não se usa aquele meio de comunicação na escola?
Para mim isto é uma incongruência! Mas, o mesmo acontece nas conversações com as centrais sindicais porque, segundo o que dizem alguns sindicalistas, o governo dá com uma mão e tira com as duas. Do mesmo mal se queixam os bombeiros e não só.
Não entendo como é que o nosso Governo Regional ainda não “levou à Europa” este tipo de tratamento infligido aos açorianos. Até parece que somos portugueses de segunda quando comparados com os naturais do rectângulo português.
Por outro lado pergunta-se: acerca desta matéria, o que fazem os deputados açorianos ao Parlamento Europeu? Porque não denunciam este tratamento diferenciado dos demais portugueses quando, como todos sabem, na nossa vida diária, temos maiores custos?
Julgo que o nosso Presidente do Governo Regional tem consciência plena de que temos sido sucessivamente enganados em tudo quanto é investimentos, citando apenas dois exemplos. Relembro a construção de nova cadeia de Ponta Delgada que anda em “bolandas” há mais de duas décadas; relembro também as obras de recuperação dos estragos causados pelo furacão Lorenzo nas várias ilhas com significativos atrasos das transferências financeiras o que nos obriga a recorrer à banca aumentando assim a nossa dívida.
Financeiramente falando, classificar de tímidas as verbas do OGE destinadas aos Açores é aceitar o que Lisboa dita e colocar o pescoço na “guilhotina”.
Nestes cinquenta anos de autonomia os Açores têm servido de “pau para toda a obra”, nomeadamente como moeda de troca nas “negociatas internacionais” realizadas entre Portugal e qualquer outro país, com especial relevo para os Estados Unidos da América.
Penso já ser mais do que tempo de se acabar com esta situação.
Continuar a mentir, como têm feito até aqui, é que não.
P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
Por: Carlos Rezendes Cabral