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Bairro Comercial Digital será concluído dentro do prazo estipulado pelo PRR e pode beneficiar até 400 empresas, afirma Gualter Couto

A cidade de Ponta Delgada recebe, até ao dia 21 de Novembro, a primeira edição da “Startup Week 2025”. O evento pretende dinamizar o tecido empresarial local e de acelerar a transição digital do comércio e dos serviços no centro histórico. A “Startup Week 2025” conta com a participação de mais de vinte oradores e dezenas de empresas, entre as quais a ZoomGuide, DIGIN, Grupo Creativa, ACIN, NCify e Core.
A abertura oficial decorreu ontem, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, e contou com intervenções da Vereadora da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina Canto Tavares, do Presidente da Câmara de Comércio e Indústria, Gualter Couto, da Presidente da Delegação da AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) dos Açores, Cláudia Chaves, e do CEO da GesEntrepreneur, Francisco Banha.
O evento surge no âmbito do projecto “Bairro Comercial Digital – PDL Centro Histórico”, um consórcio estabelecido com a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada e com a AHRESP, promovido pela Startup PDL e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através da Accelerator Azores Brand, lançada pelo Governo Regional.
“Durante esta semana Startup, Ponta Delgada e os Açores serão, assim, colocados no centro da discussão da inovação, do empreendedorismo e do futuro digital e, tudo isto, a partir do coração da cidade”, afirmou Cristina Canto Tavares, destacando ainda que são “quatro dias em que teremos contributo de empreendedores irão partilhar experiências de modernização com os respectivos bairros comerciais digitais”.
O Bairro Comercial Digital ganhou destaque na sessão de abertura da semana dedicada ao empreendedorismo em Ponta Delgada. Recorde-se que a candidatura do Bairro Comercial Digital do Centro Histórico de Ponta Delgada foi apresentada pela Câmara Municipal de Ponta Delgada, em consórcio com a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada e a AHRESP, tendo sido classificada em 14.º lugar entre as 60 aprovadas, de um total de 160 candidaturas provenientes de todo o país. O projecto contou com um financiamento do PRR no valor de 1.089.158,50 euros.
O projecto tem como finalidade reabilitar e requalificar os territórios abrangidos, tanto ao nível urbanístico como ao nível da conexão entre espaço urbano e actividade comercial, proporcionando novas e melhores vivências aos frequentadores e consumidores do comércio local. Visa, ainda, criar condições para que os operadores económicos desenvolvam os seus modelos de negócio, bem como para o desenvolvimento de novas cadeias logísticas de valor e abastecimento, recorrendo a ferramentas e equipamentos digitais, tecnologias emergentes e ciência dos dados.
Neste sentido, a Vereadora do Município de Ponta Delgada destacou, durante a abertura da Startup Week, que “temos connosco pessoas com experiência nos seus bairros digitais em vários pontos do país”. Acrescentou também que diversas empresas e parceiros ligados à plataforma “Centro Histórico PDL – Bairro Comercial Digital” participam no evento com o intuito de “dinamizarmos ainda mais (…) junto do comércio local, serviços e estabelecimentos de restauração”.
A Vereadora sublinha que, como referido acima, o Bairro Comercial Digital representa um investimento superior a 1 milhão de euros financiado pelo PRR, e considera que o projecto “tem a capacidade de desenvolver e dinamizar a economia do concelho e pode beneficiar até 400 empresas que adiram ao projecto”.

Bairro Comercial Digital será
concluído dentro do prazo acordado

O Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Gualter Couto, revelou que o Bairro Comercial Digital de Ponta Delgada será “terminado dentro do prazo acordado no PRR”, garantindo que essa “vai ser uma meta e um objectivo que queremos alcançar”.
Segundo explicou, o projecto encontra-se já na sua fase final, contando até ao momento com cerca de 63 empresas aderentes, que representam mais de 75 lojas em diversos sectores, desde o comércio e serviços à restauração, lazer, saúde, arte e cultura. Referiu ainda que o website do Bairro Comercial está praticamente desenvolvido e que a instalação da primeira unidade de “smart lockers” está concluída no Mercado da Graça.
“Estamos neste momento em fase de conclusão da segunda e última instalação dos “smart lockers”, que será na rua do Aljube. As obras da rua do Aljube, que irá também funcionar como o primeiro centro logístico de Ponta Delgada, já estão concluídas, estando já em fase de testes e de operacionalização”.
Os “smart lockers” permitem que os consumidores levantem as compras realizadas através da plataforma do Bairro Comercial Digital.
“Isso deixa-nos tranquilos relativamente à conclusão deste importante projecto, que no fundo pretende, mantendo a essência, o carácter genuíno do nosso local, dos nossos serviços e dos nossos comerciantes, dotá-los de ferramentas úteis e modernas, digitalizando processos de modo a acompanhar o comboio da evolução. Posso dizer que, à nossa dimensão, teremos uma Ponta Delgada que, ao nível do Bairro Comercial Digital, estará comparável ao que existe nas restantes capitais europeias”, diz Gualter Couto.
Quanto à adesão das empresas, Couto explica que a mentalidade açoriana funciona, muitas vezes, com base no princípio de “ver para querer”, ou seja, “ver como está a funcionar na porta ao lado para depois também aderir”. No entanto, considera que isso faz parte do processo. Recordou ainda que o objectivo, também mencionado pela Vereadora do Município, é de chegar às 400 empresas aderentes.
“Para quem começou com zero, as coisas não estão nada mal, e ainda por cima faltam-nos ainda alguns meses para concluir o processo”, conclui o Presidente da Câmara do Comércio.

“Estratégia fiscal equilibrada, justa
e promotora de investimento”

No âmbito económico, Cristina Canto Tavares reitera que o município tem implementado medidas que “criam terreno e espaço para que o nosso tecido empresarial esteja preparado para ultrapassar os desafios do agora e os que a próxima década irão trazer”, sublinhando que a autarquia vai “continuar a adoptar uma estratégia fiscal equilibrada, justa e promotora de investimento”.
A Vereadora indicou que a derrama (um imposto de âmbito municipal que incide sobre o lucro tributável respeitante ao período fiscal do ano anterior) vai permanecer fixada em 1%, com isenção total para novas empresas nos primeiros dois anos de actividade, bem como as que apresentem lucros anuais até 150 mil euros, e que o IMI permanece de 0,3%, no mínimo estabelecido por lei. Para Canto Tavares, “a manutenção de uma carga fiscal municipal reduzida contribuirá para o aumento do rendimento disponível das pessoas, das famílias e das empresas, potenciando o consumo, a poupança e o investimento”.
A Vereadora releva na sua intervenção que “Ponta Delgada é a autarquia dos Açores com maior índice de independência financeira, apresentando uma percentagem de 54,9% de receitas próprias”, tendo por base o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses relativo a 2024, publicado no início do presente mês.
Abordou também a aplicação do programa de apoio ao arrendamento comercial, em que “qualquer empresário pode contar com um apoio de 500 euros mensais até um total de 6.000 anuais para negócios” no concelho de Ponta Delgada e nas suas vinte e quatro freguesias.
Uma das medidas em desenvolvimento que a Vereadora anunciou é o desenvolvimento de uma solução de vídeo analítica instalada que permite analisar “algo fundamental para o negócio” que é mobilidade na cidade, ou seja, controlo de tráfego, de trajectos, de horários mais movimentados, com base em dados reais
“Dinamizar ainda mais o centro histórico de Ponta Delgada é um dos propósitos da criação da Startup PDL 2025. A transição digital tem instado a modernização e a agilização dos serviços que a Câmara de Ponta Delgada disponibiliza aos cidadãos, impulsionando o apoio ao talento e à inovação”, afirma Cristina Canto Tavares
“É fundamental perceber que o comércio local tem espaço e que pode ser um factor diferenciador, aliando o conceito da tradição, daquilo que é local e identitário, à inovação e ao digital”, conclui.
Uma das intervenções que também marcou a manhã de ontem foi a do CEO da GesEntrepreneur (empresa dedicada à formação e educação de empreendedorismo), Francisco Banha. O empreendedor declarou que a iniciativa da “Startup Week” visa “acelerar a transição digital em negócios locais”, posicionando Ponta Delgada como um “agente relevante no ecossistema empreendedor regional”.
Para Francisco Banha, continua-se a assistir, a nível europeu, nacional e regional, a uma “desconexão entre o talento da nossa juventude e a incapacidade de despertar nela a chama empreendedora”.

Capacidade de reter talento
permanece um “balde furado”

O CEO da GesEntrepreneur fez referência a um estudo da OCDE que, segundo afirmou, indica que 39% dos jovens desejam ou ponderam desenvolver actividades por conta própria, mas, na prática, apenas 7% acabam por concretizar esse objectivo.
“Estamos perante aquilo que alguém dizia por um ‘balde furado’, onde nós temos a capacidade de encher com talento, talento esse que os nossos jovens de alguma forma robustecem nas excelentes universidades que nós temos no nosso país, que produzem uma base sólida para o seu desenvolvimento profissional, mas depois acabamos por não os conseguir manter”.
“Se não tivermos essas convicções, dificilmente poderemos assumir uma transição assente numa lógica de atracção de investimentos para uma lógica de retenção de talento e produção de valor local”, acrescenta.
Banha referiu ainda que “pensa-se muito em capital e investimento”, reconhecendo que são importantes, mas frisa que também “temos que garantir aqueles que são de talento, que fazem parte da nossa história, que estão nas suas origens, e fazer com que eles tenham capacidade de aproveitar os recursos endógenos e as relações todas que fazem parte da nossa comunidade para poderem sair, mas através do seu posto de comando aqui, nomeadamente, em Ponta Delgada”.
José Henrique Andrade

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