Mais de 150 voluntários acompanharam a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) nas brigadas de resgate de cagarros dinamizadas no Corvo, Vila Franca do Campo, Nordeste e Povoação.
De acordo com o comunicado de imprensa, a iniciativa permitiu resgatar mais de 1000 cagarros e testar novamente, em Vila Franca do Campo, a realização de primeiros socorros para as aves que não tiveram sorte com a sua primeira aterragem.
“Infelizmente, também recolhemos algumas aves feridas e mortas, na sua maioria devido a colisão com estruturas por causa da poluição luminosa”, lê-se na nota.
A SPEA associou-se, como em anos anteriores, à campanha SOS Cagarro, coordenada pela Direcção Regional de Políticas Marítimas e operacionalizada no terreno pelos Parques Naturais de Ilha, associações civis e centenas de voluntários promovendo brigadas de resgate de cagarros juvenis acidentados na ilha do Corvo e nos municípios de Vila Franca do Campo, Nordeste e Povoação, na ilha de São Miguel.
Entre 20 de Outubro e 9 de Novembro decorreram as brigadas de resgate de cagarros lideradas pela SPEA, sendo que, em cada local, estas brigadas são adaptadas às necessidades das zonas onde são realizadas, ao número de aves que caem e às sinergias que podem ser estabelecidas com as entidades que actuam como ponto de recolha e como parceiros das brigadas SPEA.
No município do Nordeste, são realizadas brigadas nocturnas na Vila de Nordeste pelos técnicos da SPEA e voluntários e são realizadas as libertações de manhã das aves recolhidas, contando com o apoio da PSP de Nordeste, que actua como ponto de recolha e no resgate de aves quando contactados por munícipes e sempre que possível. Este ano, a SPEA contou também com o apoio de vários munícipes que vieram entregar aves encontradas nos seus terrenos ou avisaram para as ir recolher. O Município do Nordeste e a EDA colaboraram também reduzindo as luzes na Vila de Nordeste de modo a minimizar as quedas.
Na Povoação e no Faial da Terra, existiram hotéis de cagarros, construídos pelo município, que permitem que os munícipes tenham caixas disponíveis e entreguem aves resgatadas 24 horas por dia, contamos também com o apoio da PSP e dos Bombeiros Voluntários no resgate. Os técnicos da SPEA realizaram tanto brigadas à noite, como a libertação das aves com o apoio de voluntários que ano após ano se têm juntado às brigadas. O Município da Povoação e a Junta de Freguesia do Faial da Terra também colaboraram com a redução de luzes, que é “essencial para reduzir as quedas, e especialmente, a mortalidade de aves”.
Em Vila Franca do Campo, apesar dos “esforços tanto do município como da Lotaçor para reduzir as luzes na orla costeira”, continua a ser um dos pontos onde mais aves são recolhidas todos os anos na ilha de São Miguel. A SPEA centra as brigadas na marina e no porto, contando com perto de 100 voluntários que se associam à entidade, ajudando no resgate de aves. A SPEA afirma que “este ano chegaram a ser 124 aves na noite de 29 de Outubro”. Para além dos voluntários, que vão desde estudantes universitários, população local e até turistas, a SPEA tem contado com o apoio dos pescadores e da Lotaçor que recolhem aves e colocam-nas nos hotéis colocados pelo município de Vila Franca do Campo no porto de pescas e na marina.
Segundo relata a SPEA, a libertação das aves foi realizada, durante a semana pelo Parque Natural da Ilha e os técnicos da Direcção Regional das Políticas Marítimas de São Miguel, e aos fins-de-semana e feriados pela SPEA.
“Desde que iniciamos as brigadas de resgate em Vila Franca do Campo, temos verificado com satisfação que o interesse dos voluntários e da população local tem crescido, aumentando a sua participação activa no resgate de aves” destaca Beatriz Martins, técnica de conservação marinha da SPEA e responsável pela liderança destas brigadas durante 20 noites seguidas.
Este ano, e pelo segundo ano consecutivo, em Vila Franca do Campo a SPEA tem contado com o apoio voluntário de uma veterinária para testar a realização de um posto de triagem e primeiros socorros às aves que são recolhidas feridas ou contaminadas, que precisam de tratamento antes de serem libertadas. Este ano, foi possível tratar cerca de 70 aves e depois libertá-las.
“O posto de triagem e primeiros socorros serve para avaliar o estado das aves recolhidas e a sua condição para serem libertadas em segurança, podendo realizar algumas intervenções de primeiros socorros que por vezes são suficientes para dar uma maior probabilidade de sobrevivência à ave” indica Catarina Sousa, veterinária voluntária que participa nestas brigadas, que concluiu dizendo que “As aves com ferimentos mais graves são encaminhadas para o Parque Natural da Ilha de São Miguel”.
As brigadas de Vila Franca do Campo contaram ainda com a parceria do Clube Naval de Vila Franca do Campo, a Terra Azul e a Marina da Vila.
Na ilha do Corvo, onde a campanha foi iniciada pelo Professor Luís Monteiro e com a comunidade local, a SPEA colabora com o Parque Natural de Ilha e criou Brigadas Voluntárias que contam com 18 capitães de brigada (residentes e não residentes voluntários com experiência no resgate e que receberam formação para liderar estas brigadas) e 15 voluntários a assegurarem os resgates todas as noites.
O município do Corvo aderiu novamente à realização de um apagão total, que decorreu entre 25 e 30 de Outubro, tendo reduzido significativamente as quedas de aves na ilha. Este ano, apenas 25% das quedas ocorreram durante o apagão, apesar de ter coincidido com o período em que, em outros locais, foram detectadas mais quedas.
“Resgatar juvenis de cagarro com responsabilidade é essencial para mitigar o impacto que as actividades humanas têm na população desta ave, mas é também muito importante agir na causa do problema e reduzir a iluminação sempre que possível”, disse a coordenadora da SPEA-Açores, Azucena de la Cruz.
