Desde 2023 que a instituição Olhar Poente é detentora do Selo Protector, distinção que eleva ainda mais o trabalho desenvolvido na promoção e reconhecimento dos direitos das crianças. Ao ‘Correio dos Açores’, Sandra Serpa, Presidente da Olhar Poente, e Carlota Dâmaso, educadora responsável pelo processo, explicam como foi receber esta distinção, que responsabilidade acrescida trouxe à instituição e quais são os projectos que vão ser desenvolvidos pela Olhar Poente.
A instituição Olhar Poente, da ilha Terceira, é uma instituição a quem foi atribuída, no ano de 2023, o Selo Protector. Este selo, é um reconhecimento de boas práticas e desenvolvimento de trabalho para reconhecer os direitos das crianças.
Para Sandra Serpa, a atribuição deste selo foi “importante no sentido em que podemos dizer à comunidade que nós, enquanto instituição, temos vontade e estamos focados em garantir os direitos das crianças em todos os contextos da vida”.
“Claro que todos tentamos cumprir e ter em conta todos os direitos que as crianças têm, mas às vezes, as pessoas esquecem-se de alguns direitos que todos têm. E eu acho que o facto de termos o Selo Protector alerta mais a equipa, alerta mais todos os que trabalham com as crianças para realmente garantir estes direitos”, prosseguiu.
Segundo a presidente da Olhar Poente, “para além de tudo o que envolve o Selo Protector, que está relacionado sempre com os cofres de conduta dos trabalhadores, ou com determinado procedimento que nós temos a nível do recrutamento, ou mesmo através do plano que nós promovemos estrategicamente para as crianças, o facto de nós termos esse Selo vai-nos obrigar um pouco mais a desenvolver determinadas competências e a fazer determinados mecanismos, a criar determinados sinais ou a promover determinados contextos que, se calhar, não iríamos fazer”.
“O Selo quase que nos ‘obriga’ a melhorar os nossos serviços. E nós, enquanto instituição, vemos isto com bons olhos, porque a instituição Olhar Poente, Também já passou por um processo de requalificação das suas respostas sociais, ou seja, de forma a melhorar os serviços que nós já prestávamos no todo, desde os processos burocráticos até os processos de fala directamente com as crianças, todos estes processos têm sido através da gestão da qualidade melhorados e eu acho que o Selo Protector também nos ajuda a melhorar na parte de realmente garantir os direitos das crianças e com uma ligação permitir que, e é algo que a Olhar Poente sempre tev4e e sempre trabalhou, que foi numa aproximação com a família e com a comunidade. Ainda nos permite trabalhar mais com as famílias e promover para as famílias, par alem dos sistemas que já promovíamos de paz e de outras pequenas formações que já fazemos para a comunidade, centramos nestes temas que são importantes ao nível dos direitos das crianças. E também da forma de actuação das famílias. Relativamente à questão da sinalização, a equipa está mais desperta par sinalizar uma criança”, disse Sandra Serpa.
Para a presidente, “é muito frequente na comunidade em geral, deixarmos passar coisas que nós vemos, mas se estivermos com um olhar atento, de protecção, vamos conseguir actuar mais facilmente. O Selo Protector tem feito a equipa crescer e melhorar na sua prática do dia-a-dia sempre em favor e sempre em prol das crianças. Por isso eu acho que o Selo não deixa de ser uma mais-valia e algo a manter”.
Os projectos desenvolvidos
na Olhar Poente
Neste momento, na Olhar Poente, informa Sandra Serpa “temos valências de creche, ATL, e depois temos o Centro de Estudo que é a Academia Olhar Poente. A maior parte do nosso trabalho está relacionado com estas valências e nós temos várias freguesias onde intervimos, nesse caso, tanto com o creche e com a ATL nós estivemos na freguesia da Vila Nova, das Fontinhas, da Fonte Bastardo e dos Biscoitos”.
“Depois a Academia Olhar Poente, é na Praia da Vitória, em frente à Escola Francisco Ornelas da Câmara, e nós também estamos agora a fazer um processo de licenciamento para a abertura de um ATL no Conselho Angra, mais especificamente na Freguesia de São Bartolomeu”, disse.
Para a presidente da instituição, “o nosso trabalho acaba por estar um bocadinho ligado destas valências e, dentro destas valências, temos outros projectos, que nós estamos a desenvolver, e que depois vão sendo aplicados dentro dessas mesmas valências”.
“Dentro da valência de creche do ATL implementamos os projectos que saíram há pouco tempos nas redes sociais, que são: o projecto Educamente, Meditação e Relaxamento e também o PEP4Kids, que é um projecto de estimulação precoce, ou seja, são dois projectos que são desenvolvidos em faixas etárias. O Educamente é desenvolvido nas duas faixas etárias, na creche e no ATL, mas este ano, devido ao prémio que nós obtivemos pelo BPI, ele está sendo envolvido mais em específico nas agências ATL, com todas as freguesias. Ou seja, as técnicas dirigem-se às freguesias em que nós desenvolvemos e aplicam o projecto em todas as freguesias. O prémio atribuído ao projecto PEP4Kids é mais destinado à creche. Apesar de que também fazíamos algumas actividades com o ATL, mas este ano, devido ao prémio que recebemos da Caixa Social, vai ser mais implementado em idades de creche, em todas as freguesias”, referiu Sandra Serpa.
“Para além destes projectos, temos outros que vamos fazendo ao longo do ano, dentro do projecto educativo e do plano de actividades, mas também de outras pequenas candidaturas, como foi o caso do selo protector”, indicou.
Desenvolvimento de outros projectos com outras entidades
Mas, não são só os projectos acima descritos que são feitos pela instituição Olhar Poente. De acordo com Sandra Serpa, a instituição tem “uma candidatura à escola Unicef, onde este ano vamos implementar algumas actividades e algum trabalho no âmbito dos direitos das crianças, porque também está relacionado com o Selo Protector, então toda esta lógica da Unicef e do Selo Protector acaba por trabalhar de forma coadjuvada, ou seja, acabamos por trabalhar as duas práticas dentro desses projectos”.
“Acabamos por fazer, também, outros projectos no mesmo âmbito, mas com outras entidades. Temos o AMA que nos ajuda em algumas actividades, mais especificamente em actividades do Educamente e do PEP4Kids. A CCPJ também nos ajudou na parte do Selo Protector e surgem outros parceiros de acordo com os projectos que vamos trabalhando”, prosseguiu.
Na parte da Academia, a Olhar Poente, faz um trabalho um bocadinho diferente. “Temos os planos de apoio ao estudo, projecto apoiado pelo Governo Regional, onde nós apoiamos crianças carenciadas que vêm através do plano de estudo. São crianças que têm baixo rendimento escolar e baixos rendimentos familiares. Estas crianças frequentam gratuitamente a academia através deste plano de estudo que é, como referi, apoiado pelo Governo Regional.
E, também fazemos na Academia, apoio ao estudo, com o apoio também de voluntariados e de outros técnicos que nós contratamos. Durante os períodos de interrupções relativas normalmente fazemos também campos de férias, em específico no período da Páscoa e depois também no Verão. Para além disso, temos, este ano, projectos de estágio e de voluntariado aprovados e vamos ter algumas actividades do programa Estagiar L e de Estagiar, tanto para recebermos como para enviarmos”, disse Sandra Serpa.
A presidente referiu ainda um novo projecto que estão a desenvolver. “Vamos ter um projecto de envio para fazer job shadowing das nossas colaboradoras. Neste momento estamos a definir qual será o sítio em função das pedagogias que nós também trabalhamos e desenvolvemos na instituição. Iremos receber outros grupos de estagiários quer de Portugal, quer de outros países da Europa. São projectos que nos vamos candidatando ao longo do ano, e que também vamos fazendo e aplicando. Os estagiários que recebemos acabam, depois, por trabalhar connosco, uma vez que nós fazemos trabalhos com os temas que eles precisam trabalhar mas, sempre a partir das nossas valências para desenvolver este tipo de trabalhos”.
A instituição ajuda mais
de 420 crianças
Questionada sobre o número de crianças que conseguem ajudar, Sandra Serpa afirmou que “estivemos a actualizar os nossos números porque, ao longo do ano, às vezes temos algumas oscilações, porque as pessoas mudam de freguesia, ou temos pessoas novas que vêm. No ATL estamos com a capacidade praticamente lotada em todos, excepto no ATL dos Biscoitos. Ao nível de creche temos cerca de 150 crianças. São todas creches familiares, com uma sala para cada idade. Os bebés ficam até aos dois anos e depois aos três vão para o ATL. No ATL temos 225 crianças a frequentarem. Depois na academia, são cerca de 50 alunos”, finalizou.
A atribuição do Selo e a sua importância
Carlota Dâmaso, educadora na valência dos Biscoitos e responsável pela atribuição do Selo Protector, explicou, em primeiro lugar, o que é o Selo. “O Selo Protector é uma iniciativa nacional, da Comissão Nacional de Comissão dos Direitos da Protecção das Crianças e foi-nos atribuída em 2023. Fizemos uma candidatura e desde então temos vindo a registar uma cultura mais de protecção, de prevenção e de sustentação que envolve toda a comunidade educativa”, disse.
Questionada sobre a sua importância, a educadora referiu que “acabou por ser um reconhecimento do trabalho que a gente, no fundo, já desenvolvia. Mas, na minha opinião, foi, também, um ponto de partida, para que a gente pudesse aprofundar de alguma forma esta dita cultura de perfeição que se torna muito mais complexa. A verdade é que termos sido atribuídos com este Selo, significou assumirmos um compromisso que deve ser contínuo, ou seja, manter a formação, virar procedimentos e envolver toda a comunidade nesta questão da prevenção. Neste momento recebemos alguns prémios, nomeadamente o Healthy Workplaces, o Selo Protector e estamos a desenvolver um projecto que é o SOS Casa. Somos, também, uma instituição certificada, ou seja, somos uma entidade formadora e temos mais alguns projectos em andamento”.
A atribuição deste prémio foi feita através da implementação de algumas medidas práticas nas valências. “Não tivemos propriamente que criar o projecto, ou seja, perante aquilo que eles nos sugeriam, tínhamos alguns requisitos para o fazer, que fomos fazemos. Implementamos algumas medidas concretas como, por exemplo: a instalação de sinalética eléctrica nas diferentes valências, tais como a proibição do fumar, a proibição das fotografias. Estamos também em formações internas directamente com a CPCJ do Conselho da Praia da Vitória. Fizemos tertúlias que foram abertas à comunidade e que abordaram temas de bastante interesse como o bullying e a linguagem inclusiva que permitiu envolver as pessoas da comunidade neste tipo de reflexões que são bastante importantes para o Selo em questão. Na verdade, aquilo que também fazíamos, e que fazemos ainda mais, é integrar certos e determinados dias comemorativos no nosso plano anual de actividades, como por exemplo o dia do nacional do pijama, da não-violência ou do combate ao bullying. Enquanto instituição a quem foi atribuída este Selo Protector, não podemos deixar passar estes dias em branco”.
Dificuldade de implementação das medidas e a importância da comunidade
Segundo Carlota Dâmaso, “sabemos que esta questão da implementação do projecto Selo Protector, apresenta-nos alguns desafios, nomeadamente garantir que toda a equipa e todos os envolvidos estejam permanentemente actualizados com as melhores práticas, por assim dizer, de protecção infantil. Temos também alguma dificuldade, por exemplo, em envolver, de forma activa, as famílias e a comunidade de modo a que a protecção das crianças não seja apenas uma responsabilidade da instituição, mas sim um compromisso partilhado. Mas a verdade é que apesar destes desafios, acreditamos que, a cada parte que vamos, possamos reforçar esta dita cultura de protecção e que contribuímos, de alguma forma, por uma sociedade e por uma comunidade ser muito mais conscientes e, sobretudo, comprometida com esta questão dos direitos das crianças.
Já sobre a importância do envolvimento da comunidade, a educadora disse que “temos tido sempre alguma adesão e mais do que é feito, aliás do que é feito pela comunidade é feito principalmente para eles. Temos aqui um exemplo do SOS Casa, que é um projecto que visa aqui ajudar na realização das estruturas de pessoas que têm aqui mais algum tipo de necessidade. E, portanto, todos os projectos em que nos envolvemos têm sempre este cariz social para que possamos dar resposta às necessidades da nossa comunidade, das nossas famílias e, no geral, do meio que nos envolve.
A segunda edição da
caminhada solidária
A Olhar Poente, no ano passado, realizou uma caminhada solidária par alertar as pessoas sobre os direitos das crianças. Caminha esta que se irá repetir este ano. “É o segundo ano consecutivo que fazemos o evento da nossa caminhada que é, nada mais, nada menos, que uma iniciativa simbólica para nós conseguirmos celebrar este mês de Novembro, que como sabemos é bastante importante, uma vez que é dedicado aos direitos das crianças. Como disse, é a segunda edição do evento, no ano passado reunimos cerca de 80 participantes e esperamos que este ano possamos alcançar um número semelhante. Mas, acima de tudo valorizamos a intenção de o preparar, ou seja, caminhar juntos pelos direitos das crianças. Participa a nossa equipa, as nossas famílias, órgãos sociais, sócios e parceiros da instituição. No fundo, abrimos a caminhada para todas as pessoas que partilham da mesma intenção que a nossa”.
Segundo Carlota Dâmaso, “foi muito gratificante ter a participação das nossas famílias e podermos trazer as nossas boas práticas do nosso dia-a-dia para este evento, como por exemplo o cuidado ao atravessar nas passadeiras, o facto de haver todo um alinhamento durante a caminhada, ou seja haver uma pessoa que inicia, que assegura que o caminho está livre para seguirmos. Esperemos que este ano corra de igual forma”, finalizou.
Frederico Figueiredo
