Ponta Delgada acolheu a 48.ª edição do Colóquio da Qualidade, subordinada ao tema “Desafiar as Fronteiras da Qualidade”.
O evento foi um espaço de partilha de experiências e de exemplos de boas práticas, contando com diversos oradores, debates actuais e relevantes sobre a temática, bem como apresentação de casos reais de diferentes sectores. A Qualidade e a Excelência Organizacional estiveram no centro das intervenções
Entre os oradores marcaram presença Duarte Pimentel, Director Executivo e Membro do Conselho de Administração do TERINOV; Filipe Santos, CEO da Smart Energy Lab; Joaquim Menezes, Co-fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo IBEROMOLDES; Maria João Zilhão, Vogal do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Estatística (INE); Nuno Costa, Customer Success & HSSEQ Commercial Director na GALP; Ricardo Mariano, CEO do Grupo Timing, S.A.; Rui Bairrada, fundador da Doutor Finanças; Rui Moreira, General Manager Portugal na ATEPELI.
Este painel de especialistas integrou várias mesas-redondas dedicadas a temas como “A nova fronteira da produtividade sustentável”; “Inovação com recurso à Inteligência Artificial: entre a criatividade e a ética”; “Liderança hoje e amanhã”; e “Qualidade no ADN da empresa: como construir uma cultura de excelência?”.
Já a sessão de abertura do evento contou com intervenções de Paulo Sampaio, Presidente da Associação Portuguesa para a Qualidade; João Pimentel, Presidente do Instituto Português da Qualidade; Bruno Belo, Director Regional do Empreendedorismo e Competitividade; Susana Mira Leal, Reitora da Universidade dos Açores.
O Presidente da Associação Portuguesa para a Qualidade justificou a escolha de Ponta Delgada para acolher o Colóquio com o objectivo de descentralizar e reconhecer o papel imprescindível das Regiões Autónomas na construção da qualidade em Portugal. Sobre o tema do evento, Paulo Sampaio sublinha que este é “tão actual quanto necessário”.
“Mundo volátil, incerto,
complexo e ambíguo”
Segundo Sampaio, “vivemos num mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo, e atrever-me-ia a acrescentar profundamente desafiante para os profissionais da qualidade e para todas as organizações”.
Acrescenta ainda que “este Colóquio convida-nos a repensar a qualidade tal como a conhecemos” e que “não se trata de pôr em causa os seus fundamentos, mas sim de questionar abordagens, ferramentas metodologias, abrindo espaço a novas perspectivas A novas possibilidades e, acima de tudo, a novos caminhos da excelência”.
Já o Presidente do Instituto Português da Qualidade (IPQ) refere que, no actual contexto global “muito exigente”, que impõe “desafios acrescidos aos profissionais e, em particular, à comunidade nacional e mundial da qualidade”, manter vantagem competitiva “exige mais do que resiliência operacional”.
Segundo João Pimentel, “aqui os princípios e métodos da qualidade relevam-se fundamentais para eliminar ineficiências, acelerar respostas e satisfazer expectativas cada vez mais exigentes dos clientes, de forma económica e sustentável”.
A digitalização, a revolução tecnológica, as preocupações ambientais e os desafios da economia circular constituem, para Pimentel, “factores indispensáveis ao desenvolvimento e ao progresso”, impactando todas as instituições, o tecido empresarial e os organismos públicos, e transformando “profundamente a forma como trabalhamos e como nos relacionamos”.
Conclui reforçando que “não há desenvolvimento sustentável, mesmo num mundo mais digital, sem qualidade. Mas esta deve responder aos novos desafios com mais abertura e exclusividade, maior cooperação, maior rigor, mais transparência, mais visibilidade, mais credibilidade e, sobretudo, muito mais confiança”.
Tanto João Pimentel como Paulo Sampaio destacaram a assinatura do “Manifesto para a Qualidade de Portugal”, recentemente subscrito pelo IPQ, pela Associação Portuguesa para a Qualidade e pela RELACRE – Associação de Laboratórios Acreditados de Portugal. Nas palavras do Presidente do IPQ, o manifesto pretende “alavancar o movimento para a qualidade de Portugal através da promoção de uma cultura da qualidade, da inovação e da excelência em todos os sectores da sociedade”. Sublinha ainda que “confiança, transparência e padrões de qualidade são inegociáveis”.
“Competitividade mede-se
pela capacidade de inovar”
Da perspectiva açoriana, Bruno Belo, Director Regional do Empreendedorismo e Competitividade, reforça que “a localização geográfica é um sinal claro de que a qualidade na gestão, nos processos, nos produtos, nos serviços e, sobretudo, nas pessoas, é reconhecida como um valor estratégico para o desenvolvimento sustentável dos territórios ultraperiféricos”.
Segundo o Director Regional, “vivemos num contexto em que a competitividade já não se mede apenas pelos custos ou pela dimensão”, mas sim “pela capacidade de inovar, de garantir confiança aos clientes e cidadãos, de garantir segurança e sustentabilidade e de manter uma cultura de melhoria contínua”.
Para Belo, “a qualidade deixou de ser vista apenas como um selo ou como um requisito normativo” e passou a ser entendida como um “pilar transversal da política económica regional”, abrangendo “desde os sistemas de incentivos, às medidas de simplificação administrativa, da regulação do comércio e da indústria, até o apoio à capitalização das empresas e à sua internacionalização”.
Relativamente à produtividade sustentável, Bruno Belo destaca que, enquanto região insular, “sentimos todos os dias a finitude dos recursos, os custos adicionais da nossa condição geográfica e a urgência de conciliar competitividade económica com responsabilidade ambiental e social”. Acrescenta igualmente que a produtividade sustentável exige “empresas que conseguem produzir mais valor com menos desperdício, com processos mais estáveis, com energias e matérias-primas usadas de forma inteligente nas cadeias de valor mais curtas e resilientes”.
À semelhança do Director Regional do Empreendedorismo e Competitividade, a Reitora da Universidade dos Açores destaca que as questões relacionadas com a produtividade sustentável são “essenciais para regiões com escala reduzida”, e que isto exige “inovação, digitalização e gestão eficiente”.
No que toca à inteligência artificial, sublinha que existem “oportunidades que ela nos cria para a criatividade, para a eficiência, no apoio à decisão”, mas também “inúmeros desafios éticos e de responsabilidade social que nos colocam”.
Por fim, enfatiza a importância dos exemplos concretos e das boas práticas partilhadas, lembrando que é sobretudo através delas que “nós aprendemos que retiramos lições, pistas para projectos a desenvolver nas nossas organizações”.
José Henrique Andrade
