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Uma homenagem que faltava

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada – Associação Empresarial de São Miguel e Santa Maria – prestou, por ocasião da comemoração dos seus 190 anos de existência, uma sentida homenagem a alguns empresários, numa cerimónia realizada nos Jardins José do Canto, que contou com a presença de várias personalidades de relevo e de numerosos associados daquela prestigiada agremiação.
Entre os homenageados, foi lembrado a título póstumo Mariano Brum Gouveia, figura maior do tecido empresarial micaelense nas décadas finais do século XX, cuja visão, talento empreendedor e capacidade de trabalho o tornaram amplamente respeitado dentro e fora de Rabo de Peixe.
Recorde-se que, nos alvores do povoamento açoriano, chegou às ilhas a Família Brum, oriunda da Flandres. Esta estirpe repartiu-se por três ilhas e fixou-se no Faial, nos Biscoitos, na Ilha Terceira, em Rabo de Peixe e Vila Franca do Campo, em São Miguel. Na Igreja das Angústias, na cidade da Horta, conservam-se ainda os brasões das principais casas que contribuíram para a colonização destas terras atlânticas, podendo admirar-se, no teto da capela-mor, o brasão ancestral dos Brum.
Mariano Brum Gouveia era o derradeiro dos catorze filhos de Mariano Dias Gouveia e de Maria dos Anjos Brum. Desde tenra idade, aquando do falecimento paterno, viu-se compelido a entrar no mundo do labor e da iniciativa económica, iniciando-se com uma modesta moagem, uma carpintaria e a fabricação de caixões, com o propósito de assegurar o sustento familiar.
Beneficiando do legado herdado, veio a tornar-se proprietário de uma das mais emblemáticas quintas do lugar do Charco. Cresceu e viveu na zona das Quintas de Rabo de Peixe e jamais renegou a sua origem, dedicando-se ao cultivo e exportação das afamadas laranjas das Areias, então reputadas como das mais excelentes de toda a ilha. Empregou nesta labuta numerosas mulheres, encarregues da apanha e do embalamento da fruta destinada sobretudo ao arquipélago da Madeira.
Enquanto alguns irmãos emigravam para o Brasil, Mariano Brum Gouveia, graças à sua determinação e audácia, ampliou progressivamente a sua atividade empresarial em São Miguel, adquirindo maquinaria moderna destinada a aperfeiçoar a moagem, a carpintaria e a serração de madeiras, investimentos que foram determinantes para o êxito e expansão dos seus empreendimentos.
Simultaneamente, a criação de gado assumiu também um papel relevante na sua vida, possuindo uma manada distribuída por diversos pastos da freguesia.
O seu espírito de iniciativa fez florescer a firma comercial que fundou, a qual viria a tornar-se uma das maiores empresas de Rabo de Peixe, destacando-se na carpintaria, nas ferragens e na venda de materiais de construção civil.
Ficou igualmente conhecido pelo seu carácter afável, pelo humanismo e pelo humor que cultivava com quantos com ele privavam, qualidades que cimentaram o respeito e estima que lhe eram amplamente concedidos.
Em 1982, constituiu a empresa Mariano Brum Gouveia e Filhos, Lda., integrando todos os seus cinco descendentes. Já em idade provecta, no ano de 1986, transformou a empresa em sociedade por quotas, com os filhos José Maria Gouveia e Domingos Gouveia.
Nos dias que correm, esta casa empresarial permanece como uma das mais robustas e prestigiadas da ilha de São Miguel.
António Pedro Costa

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