A edição 58 do Azores Rallye que hoje vai para a estrada tem algumas alterações curiosas no itinerário das provas de classificação.
A principal é no mítico troço da Tronqueira. Vai ser percorrido em sentido inverso ao habitual. Já se verificou numa das edições da década de 1970.
O início é próximo da estrada regional que liga a Povoação ao Nordeste, a cerca de 3 quilómetros do acesso ao Faial da Terra. A prova de classificação Tronqueira terminou ali durante muitos anos, antes de ficar direcçionada para a Povoação, passando pela avenida dos plátanos e pela ribeira. O final é uns metros antes de onde era dado o arranque, perto da vila do Nordeste. São 16,64 kms cronometrados, cerca de 4 kms a mais do que a versão de 2023.
A segunda passagem pela Tronqueira, que começa pelas 17h25, vai ser percorrida de noite, o que dificultará ainda mais a condução.
Também já noite serão transitados os segundos 10,50 kms do troço Graminhais. O início está previsto para as 18h20. Esta classificativa é igualmente percorrida de forma contrária. Tem cerca de 5 kms em novos caminhos. É mais curta porque o regulamento dos ralis regionais só permite atingir uma determinada quilometragem de provas especiais de classficação (PEC).
Ainda no sábado, a classificativa que abre o dia, denominada Pico do Alho, tem o mesmo percurso da que em 2023 foi designada por Ribeira Grande. São 9,67 kms. Atravessa o túnel da via rápida para o lado sul, percorrendo na parte final as ruas que entravam no troço Remédios da Lagoa.
A segunda prova de classificação do dia é a Coroa da Mata. Os mesmos 11,40 kms de sempre.
Sete Cidades a abrir
Hoje, a partir das 09h00, os concorrentes fazem o troço teste nos 3 kms dos Remédios da Lagoa.
A partida do Azores Rallye é pelas 13h30 da Alameda do Mar, na Avenida.
Começam pelas Sete Cidades, numa versão com 8,54 km, quando em 2023 foi de 10,69 km. Tem início na Seara e termina na terra antes de chegar a Santa Bárbara.
Igualmente mais reduzida comparativamente com a de há dois anos é a PEC Feteiras. Cerca de 1 km a menos. Inicia-se na canada das Cruzinhas para terminar próximo da estrada que conduz à Vista do Rei.
A Sexta-feira do rali fica concluída com a prova de classificação de 2,21 km Parque Urbano, em Ponta Delgada, pelas 18h27.
São 101,1 kms de troços cronometrados e 355 kms de ligações, todos em boas condições porque foram reparados e não tem chovido de forma a deteriorá-los.
Rego e Rodrigues na luta
Esta edição do Azores Rallye não apresenta nomes sonantes dos ralis nacionais, europeus e até mundiais como aconteceu em 54 edições. Não houve possibilidades de apoio por parte do Governo Regional. Conta apenas para o Campeonato dos Açores de Ralis e para o Troféu de Ralis de Terra. Não é candidata a entrar no “nacional” de 2026. Apenas em 2027 há a perspectiva de regressar ao Campeonato Nacional de Ralis.
O grupo Auto Açoreana Lda é o principal patrocinador.
Os dois pilotos com carros de tracção total e com mais potência, conduzidos pelo campeão regional absoluto deste ano, Luís Rego, e pelo campeão de 2024 e sétimo classificado do “nacional”, Ruben Rodrigues, serão os protagonistas da luta pela vitória final.
Ruben Rodrigues, que corre na sua ilha dois anos depois, chega com uma rodagem que lhe pode dar trunfos em relação a Rego devido à participação nos oito ralis do “nacional”.
Um deles, se não lhes acontecer algum imponderável, pode ser o sétimo açoriano a inscrever o nome em 58 edições do Azores Rallye, considerando Larama, primeiro em 1977 e em 1978, como nativo pelos muitos anos que viveu na ilha de São Miguel. Luís Toste ganhou em 1965 e Luís Carlos Cordeiro em 1966 e 1967, quando a prova era só com pilotos locais.
Depois de Larama, só Ricardo Moura, já com a prova pontuando para o Campeonato da Europa (ERC), foi o açoriano que logrou subir ao primeiro lugar do pódio. Estávamos em 2016!
Rui Borges, com o Citroen C3 N5, é um potencial candidato a terminar no pódio este ano.
Vinte de São Miguel
O número de inscritos atingiu os 24, 20 dos quais da ilha de São Miguel. Da ilha Terceira nem um.
Gustavo Silva, uma das revelações do ano que corre com um Peugeot Rallye 4, acompanhado pelo experiente co-piloto Jorge Henriques, é da Ilha do Faial. Será interessante analisar o andamento numa viatura diferente (Peugeot) do Renault .
André Oliveira, também em Peugeot, natural da ilha de Santa Maria, terminou na quarta posição o rali mariense.
O continental, de Cabeceiras de Basto, Hélder Miranda, é o único continental que marca presença.
Outra expectativa é para a estreia em pisos de terra do Lancia Ypsilon Rallye 4, conduzido pelo jorgense Fernando Soares.
Com o título açoriano da Duas Rodas Motrizes (2RM) mais uma vez na posse de Rafael Botelho, não deixará de ser grande a expectativa em verificar a luta pelo primeiro lugar desta agrupamento. São oito viaturas equivalentes. Não serão 9 porque o micaelense Ricardo Araújo, a ter bons comportamentos este ano, não irá alinhar por desaconselhamento médico devido a uma lesão contraída recentemente.
Entretanto, recorde-se como estão as classificações:
Condutores Absolutos (6 primeiros): 1.º Rafael Botelho, 151 pontos; 2.º Luís Miguel Rego, 149; 3.º Estevão Rodrigues, 87; 4.º Rui Borges, 80; 5.º Gonçalo Rego, 41; 6.º João Borges, 39; (…).
Condutores 2RM: 1.º Rafael Botelho, 190; 2.º Estevão Rodrigues, 120; 3.º Gonçalo Rego, 55; 4.º Gustavo Silva, 52; 5.º Marco Soares, 50; 6.º Ricardo Araújo, 30; (…).
José Silva
