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Emmanuel Macron apela à “superação” das divergências com a China

As conversações sobre o desequilíbrio comercial com a Europa e as relações de Pequim com a Rússia, com vista a pôr termo à guerra na Ucrânia, estiveram no centro do encontro entre os presidentes de França e China, Emmanuel Macron e Xi Jinping, em Pequim.
De acordo com a “Euronews”, o início da reunião, Macron propôs uma “tripla agenda positiva para as nossas relações. A da estabilidade geopolítica, do reequilíbrio económico e da sustentabilidade ambiental”.
“Devemos continuar a trabalhar para a paz e estabilidade no mundo, e para a Ucrânia, diferentes regiões do mundo que são afectadas pela guerra”, disse o presidente francês: “Como sabemos, temos muitas vias de convergência, por vezes temos desacordos, mas temos a responsabilidade de saber ultrapassá-los, de encontrar mecanismos de cooperação e de resolução de diferendos para alcançar o multilateralismo efectivo em que acreditamos”, acrescentou.
Por seu lado, Xi Jinping afirmou que a China tenciona cooperar com França para “excluir qualquer interferência” e “tornar mais estável a parceria estratégica global entre a China e França”. Macron também apelou a Pequim para “investir de forma cruzada” no reequilíbrio das relações comerciais. Defendeu a cooperação com o G7 para uma governação económica baseada em regras.
Acompanhado na sua deslocação por 35 responsáveis de grandes grupos (Airbus, EDF, Danone, etc.) e empresas que vão dos bens de luxo à indústria alimentar, Macron assistiu também à assinatura de vários contratos.
Esta é a quarta visita de Estado do presidente francês à China desde que tomou posse em 2017. O próprio Xi foi recebido em França com grande pompa e circunstância em 2024. O palácio do Eliseu destaca o tempo que Xi Jinping vai passar com Emmanuel Macron até Sexta-feira como um sinal da importância da relação.
No entanto, as diferenças com França e, de uma forma mais geral, com a Europa, são profundas. “Temos uma expectativa constante em relação à China. É que deve usar a sua influência junto da Rússia para a levar a parar a guerra” na Ucrânia, às portas da União Europeia, diz o Eliseu.
A China diz que quer a paz, mas nunca condenou a invasão da Ucrânia. Parceiro económico e político fundamental da Rússia, Pequim é o maior comprador mundial de combustíveis fósseis russos, incluindo produtos petrolíferos, alimentando assim a máquina de guerra russa. Os europeus acusam Pequim de fornecer componentes militares à Rússia.
Segundo a “Euronews”, durante a sua anterior deslocação a Pequim, em 2023, Emmanuel Macron apelou a Xi Jinping para “chamar a Rússia à razão”. No entanto, Xi Jinping deu um tratamento especial a Vladimir Putin em Setembro, quando o convidou, juntamente com o líder norte-coreano Kim Jong Un, a participar numa gigantesca parada militar para celebrar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.
Emmanuel Macron também denunciou as práticas comerciais chinesas consideradas desleais, desde os automóveis eléctricos ao aço. A relação entre a China e a Europa caracteriza-se por um enorme défice comercial (357,1 mil milhões de dólares), em detrimento da UE.
Paris está também a pressionar para que a China invista mais em França, com vista à partilha de tecnologias. Os europeus insistem igualmente num acesso mais aberto aos metais raros, cuja produção e transformação a China domina a nível mundial e que utilizou em 2025 para abalar as cadeias de abastecimento mundiais e europeias.
Por seu lado, Xi Jinping garantiu que a China tenciona cooperar com França para “evitar qualquer interferência” e “tornar a parceria estratégica global entre a China e França mais estável”.
Para concluir esta visita diplomática, os dois casais presidenciais voltam a encontrar-se na Sexta-feira, num ambiente mais informal, em Chengdu, na província de Sichuan, onde vivem os pandas gigantes que se tornaram embaixadores de Pequim em todo o mundo.

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