Os guardas-florestais da Região Autónoma dos Açores, através do SINTAP – Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e Entidades com Fins Públicos, publicaram um pré-aviso de greve.
Segundo o sindicato, face à ausência de resposta e de contraproposta no processo negocial, tendo em vista a valorização da carreira de guarda-florestal na Região Autónoma dos Açores, “não resta outro caminho que não o da greve. Ainda assim, o SINTAP deixa a porta aberta: “caso se verifique uma clara manifestação de diálogo negocial, desconvocaremos a greve”.
O ‘Correio dos Açores’ contactou a Secretaria Regional da Agricultura, tendo o Director Regional dos Recursos Florestais e Ordenamento Territorial, Nuno Sousa, garantido que existe uma proposta para apresentar aos guardas-florestais da Região.
Também em declarações ao nosso jornal, o delegado sindical e porta-voz, o mestre florestal Sérgio Almeida, explica que a reivindicação surge porque, em 2023, as carreiras foram actualizadas salarialmente, mas as carreiras especiais ficaram de fora.
“A carreira de guarda também é especial e, por falta de resposta da Direcção Regional, mantém-se esta injustiça: todas as carreiras gerais foram melhoradas, algumas carreiras especiais também, mas os guardas não foram abrangidos. Daí termos iniciado esta reivindicação”, afirma.
Aproveitaram ainda o processo para pedir a correcção de outra injustiça, relacionada com a revisão e regulamentação da carreira em 2020.
Almeida recorda que houve uma primeira reunião em Maio deste ano, onde ficou combinado que seria apresentada uma proposta.
“Nós apresentámos a nossa e recebemos uma resposta em Novembro, mas não foi sequer considerada, porque não teve em conta o que ficou falado em Maio.”
Segundo explica, a proposta apresentada valorizava apenas os guardas mais recentes, deixando os mais antigos de fora: “o aumento salarial para os mais velhos era zero, o que é tremendamente injusto”. A classe aguarda agora uma nova proposta, que o Governo assegura estar “para breve”.
Sobre outras carências, Sérgio Almeida admite que a realidade dos guardas nos Açores é complexa: “são nove ilhas, cada uma com a sua especificidade e forma de trabalhar, por isso é difícil encontrar um ponto comum de necessidades”. Para já, a reivindicação está focada apenas na melhoria salarial.
Em termos de recursos humanos, considera que a avaliação varia de ilha para ilha: “na Terceira, por exemplo, acho que estamos com o grupo completo. Mas ter muitos meios humanos sem condições para desempenharem as funções também desmotiva.”
Quanto à comparação com o continente, Almeida é claro: “em termos salariais, os nossos colegas estão melhores do que nós”. Explica que, no Continente, foi aplicada uma salvaguarda às carreiras gerais: nas subidas de índice ou nível, quando o aumento era inferior a 28 euros, os trabalhadores passavam automaticamente para o nível seguinte, algo que não aconteceu nos Açores.
“Nós ficámos exactamente onde estávamos, sem essa atenção que houve para as carreiras gerais. Por isso, eles estão melhores que nós.” JHA
