O Centro de Artes Contemporâneas Arquipélago acolheu, na passada quinta-feira, o lançamento do segundo volume da coleção Azórica, uma iniciativa da editora Araucária que continua a afirmar-se como uma das mais relevantes contribuições editoriais para a divulgação da cultura científica açoriana. A obra, dedicada ao vulcanismo enquanto presença incontornável no território insular, reúne fotografias de Daniel Blaufuks e textos do Divulgador Científico Nuno Pereira e da Vulcanóloga Zita França, oferecendo ao público uma abordagem simultaneamente científica, artística e poética sobre os fenómenos que moldam o nosso Arquipélago.
Durante a sessão, os vários intervenientes destacaram a excelência do trabalho desenvolvido pela Araucária, cuja curadoria editorial tem sido reconhecida pela elevada qualidade gráfica e pela pertinência cultural das publicações. A editora, dirigida por BlancaMartín-Calero, cuja visão e exigência têm conduzido à consolidação de um catálogo coerente e marcante, volta a apresentar um livro que alia rigor, sensibilidade estética e profundo enraizamento no contexto açoriano.
Nesta nova obra, Daniel Blaufuks convida o leitor a observar os Açores através de uma lente que capta o movimento da terra, as paisagens modeladas pelo fogo e a dimensão quase coreográfica dos fenómenos geológicos. A componente científica, assinada por Nuno Pereira e Zita França conduz o público pela história da vulcanologia, explicando a formação dos vulcões, os tipos de erupções, os magmas e os produtos eruptivos, tornando acessíveis conceitos centrais desta área do conhecimento.
Já Judite Canha Fernandes abre o volume com uma entrada poética intitulada Casa de Fogo, que estabelece o tom para uma obra que procura cruzar saberes e sensibilidades e o Designer José Albergaria deixa a sua marca, na conceção desta distinta obra, onde todos os olhares se juntam e formam este excelente trabalho editorial.
O lançamento no Arquipélago reforçou o papel da coleção Azórica enquanto ponte entre a ciência, a criação artística e a afirmação da identidade cultural. Ao celebrar o património vivo dos Açores, este acontecimento assumiu-se como momento distinto, reunindo a elite artística micaelense e reforçando o seu papel na vitalização da vida cultural insular.
António Pedro Costa
