Edit Template

Duarte Freitas afasta passivo de 700 milhões de euros na SATA e PS/Açores propõe três soluções para o futuro do grupo

O debate de urgência sobre a situação do Grupo SATA marcou o primeiro dia do último plenário do ano na Assembleia Legislativa. Duarte Freitas, Secretário Regional das Finanças, afirmou estar disponível para avaliar propostas da oposição, mas afastou que o passivo da Azores Airlines chegue aos 700 milhões de euros. Paralelamente, o PS/Açores apresentou três medidas para garantir a estabilidade da companhia. Tanto os partidos da coligação, como os da oposição, debateram responsabilidades passadas e o futuro do grupo.
Começou ontem, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), o último plenário do ano, com o primeiro dia dedicado em grande parte ao debate de urgência sobre a situação do Grupo SATA, proposto pelo PS/Açores.
Perante as soluções e medidas apresentadas pela oposição, Duarte Freitas, Secretário Regional das Finanças, afirmou estar disponível para avaliar algumas das propostas. Também esclareceu que o passivo da Azores Airlines “vai ficar, muito longe dos 700 milhões de euros que foram aqui referidos”. Porém, o governante reforçou que “há muita dívida intra-grupo” e que há “muita matéria a afinar”, finalizando que, independentemente do contexto “o passivo que ficar no fim é aquele que, naturalmente, os açorianos terão que pagar”.
Relativamente à operação de handling da companhia, Freitas afirma que, no futuro, “sendo vendido ou não sendo vendido”, deverá ser sujeita a obrigações de serviço público (OSP), de modo a “não pesar sob as contas da empresa transportadora”.

PS/Açores apresentou três medidas
para o futuro da SATA

Perante o futuro da SATA, o Partido Socialista/Açores apresentou três soluções para, segundo o partido, garantir o futuro da companhia, proteger a mobilidade dos açorianos e salvaguardar os postos de trabalho
No debate de urgência, Carlos Silva, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores, defendeu a separação efectiva das administrações do Grupo SATA, criando duas lideranças próprias e qualificadas para cada empresa do grupo, para uma “maior responsabilização na gestão”; rever a posição da Região sobre o handling nas negociações com Bruxelas, defendendo que esta actividade “permaneça maioritariamente sob controlo público”; e ainda o reforço da fiscalização parlamentar à privatização da SATA Internacional, garantindo “transparência, rigor e acesso à informação por parte de todos os partidos e dos cidadãos”.
De acordo com o parlamentar, estas medidas são “um contributo decisivo para devolver estabilidade ao grupo e salvar a SATA Air Açores de um eventual colapso da SATA Internacional”, afirmando que “não basta dizer que ‘agora é que vai ser’ ou que ‘esperamos resultados diferentes’, cometendo os mesmos erros do passado ou, em muitos casos, ainda mais graves”.
Como exemplo, o socialista relembrou o Plano de Reestruturação, “negociado pelo Governo de José Manuel Bolieiro e aprovado pela Comissão Europeia no montante de 453 milhões de euros” foi uma “oportunidade única para relançar e viabilizar a companhia” e que passados cinco anos “estamos hoje em condições de afirmar que este Plano de Reestruturação se revelou um autêntico fracasso”. Acrescentou que que o processo transformou-se “numa verdadeira novela”, marcada pela “falta de transparência e por decisões de legalidade duvidosa”.
Para além disso, Carlos Silva deu exemplos de decisões que, para o deputado, resultaram no seu contrário:
“Prometeram mais transparência, mas escondem as contas e não as publicam em tempo útil; prometeram acabar com as rotas deficitárias, mas criaram outras e agravaram os prejuízos; prometeram evitar contratar mais ACMIS, mas gastaram mais de 50 milhões de euros, só entre 2021 e 2024; prometeram reduzir custos com pessoal, mas contrataram mais 400 funcionários e fizeram aumentos superiores a 30% só para alguns; prometeram reduzir os custos operacionais em 100 milhões de euros, mas não só não reduziram, como aumentaram em mais 260 milhões e prometeram estabilidade, mas já vão em 11 Administradores e 4 Presidentes do Conselho de Administração”

Partidos da coligação apontam
melhoria na SATA e acusam PS
de ter destruído a companhia

O deputado do PSD/Açores, Paulo Simões, realçou hoje que a “transparência” tem sido a matriz do Governo da Coligação PSD/CDS-PP/PPM no processo da privatização da SATA Azores Airlines, apoiando a criação de uma Comissão para acompanhar os procedimentos. Relembrou que foram as governações socialistas as “responsáveis por afundar a SATA”, cabendo agora ao Governo da Coligação a resolução do legado que deixaram.
O deputado social-democrata apresentou a cronologia da evolução financeira da empresa entre 2018 e 2024: “Em 2018, a SATA Internacional teve um prejuízo de 63,4 milhões de euros. Em 2019, cerca de 56 milhões de euros. E passamos para a governação PSD/CDS-PP/PPM. Em 2021, 50,3 milhões de euros. Já houve uma melhoria. Em 2022, 34,2 milhões de euros”.
Além disso, destacou que os prejuízos foram reduzidos em 30%: “Ou seja, quando a SATA obteve o seu pior resultado dos anos socialistas, em 2018, o cenário que se vivia na economia regional, nacional e macroeconómica, era favorável, como indicou inclusivamente o relatório do Tribunal de Contas (…) Já a governação da Coligação depara-se com duas guerras e uma crise inflacionista, para não falar que está a pagar ainda dívidas decorrentes da aquisição do Cachalote”. O deputado sublinhou ainda que o PSD/Açores aprova a constituição de um grupo de trabalho, no âmbito da Comissão da Economia, para acompanhar a privatização da SATA”.
Por sua vez, o líder parlamentar do CDS/Açores, Pedro Pinto, afirmou que a situação da SATA “continua exigente e aqui ninguém o ignora”, mas destacou que os dados recentemente divulgados apontam para sinais objectivos de melhoria nos indicadores financeiros operacionais das empresas do Grupo. O deputado afirma ser fundamental que o debate público sobre o futuro da empresa considere “a realidade no seu todo e não apenas os elementos mais negativos”.
Apesar dos avanços, o líder parlamentar reiterou que ainda há desafios importantes pela frente e, portanto, isto não significa que a situação global da SATA seja positiva, “significa apenas que, dentro de um cenário difícil, existem sinais mensuráveis de estabilização que devem ser reconhecidos e analisados com seriedade.”
Sobre o processo em curso, Pedro Pinto lembrou que o grupo se encontra num momento decisivo de privatização e reestruturação e que, por isso, é essencial responsabilidade no discurso público.
O deputado João Mendonça, do PPM, explicou que o plano de reestruturação “não é deste Governo”: “Foi negociado pelo PS com compromissos obrigatórios, alienação da Azores Airlines e restrições europeias rígidas. Tudo porque o PS levou a SATA ao limite e teve de pedir um resgate”.
O parlamentar de um dos partidos da coligação realçou que este Governo recebeu uma “empresa falida”, “um plano fechado pelo PS” e “compromissos europeus inegociáveis”, acrescentando que, apesar disso, o executivo “cumpre, trabalha, negoceia e defende a Região”.
Do lado da oposição, o Chega/Açores aponta a situação actual da SATA ao Partido Socialista, mas sublinha que “o mesmo caminho foi trilhado e continuou depois de 2020” com o executivo de José Manuel Bolieiro.
Referindo-se à proposta do PS/Açores, de haver um pacto de regime para a SATA, o líder parlamentar do CHEGA, José Pacheco, disse concordar com a necessidade de haver uma efectiva fiscalização de todo o processo, seja através da Comissão de Economia ou de outro organismo da Assembleia Legislativa.
José Henrique Andrade

Edit Template
Notícias Recentes
Preço médio do cabaz alimentar nos Açores aumentou mais de sete euros
“Um gesto, uma mudança, por um Natal mais Feliz”: solidariedade que une Portugal e os Açores
Vitória SC de Guimarães é o Campeão de Inverno
Ribeira-Chã promove 10.ª edição do Festival da Malassada
Escola Secundária da Ribeira Grande recebe amanhã sessão de dádiva de sangue
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores