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Cine-concerto de Filipe Raposo apresenta versão restaurada de Metropolis no Teatro Micaelense

Amanhã, às 21h30, o Teatro Micaelense apresenta o cine-concerto de Filipe Raposo para Metropolis (1927), de Fritz Lang, acompanhado por um Ensemble da Sinfonietta de Ponta Delgada sob direcção de Amâncio Cabral. A sessão inclui a projecção da versão restaurada do clássico do Expressionismo Alemão, considerada a mais completa actualmente disponível.
Segundo a organização, Metropolis é “mais actual do que nunca”, um filme que “aborda temas como a desumanização causada pela tecnologia, o conflito entre capital e trabalho e a necessidade de mediação humana, sintetizada na frase ‘O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração’.” A mesma nota realça que “a cenografia monumental, a arquitectura inspirada no futurismo e no art déco, e os efeitos especiais revolucionários, como a transformação da Máquina-Maria”, continuam a marcar o imaginário do cinema. Destaca ainda que “a fotografia recorre a contrastes intensos, enquadramentos simétricos e movimentos de câmera inovadores, enquanto a coreografia rígida dos trabalhadores reforça a ideia de mecanização humana.”
A versão restaurada resulta do trabalho concluído em 2010 pela Fundação Murnau, que reintegrou cerca de 25 minutos de material inédito descoberto numa cinemateca argentina em 2008. A organização sublinha que, apesar da “qualidade inferior de algumas imagens devido ao estado da película encontrada”, esta é “a versão mais completa e coerente existente, permitindo ao público contemporâneo experimentar Metropolis com uma profundidade estética e narrativa que se acreditava perdida para sempre”.
Na partitura que acompanha o filme, Filipe Raposo trabalha três eixos principais. Primeiro, “as cidades e o futuro”, onde a música reflecte “a verticalidade arquitectónica” da obra de Lang. Depois, as lutas de classes, “representadas com muita agitação”. Por fim, o compositor destaca o tema da paixão e da sedução, “transversal tanto no domínio emocional como no domínio do poder”, descrevendo esta secção como um espaço onde revisita “compositores como Bach ou Jean-Philippe Rameau, na qual existe uma ideia de sedução intrínseca, ligada a melodias sinuosas e harmonias muito equilibradas”.

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