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Moléculas de sangue ocultas revelam surpreendente poder antienvelhecimento

Investigadores descobriram um conjunto de moléculas escondidas no sangue humano com um impacto surpreendente no envelhecimento da pele. Os compostos, produzidos por uma bactéria pouco estudada que vive na corrente sanguínea, mostraram uma forte capacidade para reduzir a inflamação, o stress oxidativo e a degradação do colagénio em células cutâneas cultivadas em laboratório — abrindo caminho a uma nova geração de terapias antienvelhecimento.
Os cientistas focaram-se na bactéria Paracoccus sanguinis, identificada em 2015 no sangue humano e conhecida por produzir compostos indólicos — moléculas derivadas do indol, já associadas a efeitos anti-inflamatórios, antimicrobianos e potencialmente antienvelhecimento.
Para estudar o seu potencial, a equipa cultivou grandes quantidades de P. sanguinis durante vários dias e analisou os metabolitos produzidos. Recorreu a um conjunto de técnicas avançadas, incluindo espectrometria, marcação isotópica e métodos computacionais, identificando 12 metabolitos indólicos distintos, dos quais seis nunca tinham sido descritos na literatura científica.
O passo seguinte foi testar se estes compostos poderiam atenuar processos ligados ao envelhecimento cutâneo. As moléculas foram adicionadas a culturas de células humanas da pele previamente sujeitas a condições que aumentam a produção de espécies reactivas de oxigénio (ROS) — moléculas que favorecem a inflamação e danificam o colagénio, contribuindo para rugas e perda de elasticidade.
Entre os 12 metabolitos indólicos testados, três compostos — incluindo dois nunca antes observados — revelaram-se especialmente promissores, uma vez que reduziram significativamente os níveis de ROS nas células cutâneas “stressadas”; diminuíram a quantidade de proteínas inflamatórias; e reduziram a actividade de uma proteína envolvida na degradação do colagénio.
Na prática, estes resultados sugerem que os metabolitos produzidos pela bactéria sanguínea ajudam a proteger as células da pele contra agressões que aceleram o envelhecimento.
Embora o estudo tenha sido realizado em células em cultura — ainda longe de aplicações clínicas directas — os autores defendem que os metabolitos indólicos de Paracoccus sanguinis podem vir a servir de base para novos ingredientes activos em cremes ou séruns antienvelhecimento ou até terapias sistémicas, inspiradas nas moléculas produzidas pelo próprio microbioma sanguíneo.
A investigação mostra como metabolitos microbianos, tradicionalmente ignorados, podem desempenhar um papel importante na saúde humana, em particular na saúde da pele. A descoberta de compostos com actividade antienvelhecimento produzidos directamente no sangue acrescenta uma dimensão inesperada ao estudo da interacção entre microbioma e organismo humano.
Os autores sublinham, no entanto, que serão necessários estudos adicionais em modelos animais e em ensaios clínicos para confirmar a segurança, eficácia e possíveis aplicações destes compostos em produtos de cuidados da pele ou medicamentos.
Para já, o trabalho liderado por Won Min Lee e Chung Sub Kim constitui um passo importante na identificação de novas moléculas bioativas e reforça a ideia de que algumas das chaves para retardar o envelhecimento da pele podem estar literalmente “escondidas” no sangue.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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