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“Sinto que muita gente se irá identificar com esta história”, afirma a escritora Márcia Castro

Depois de ter se dado a conhecer com o livro ‘Amores e Desencontros’, Márcia Castro lançará, na próxima semana, o seu segundo livro intitulado ‘Cego por Amor’. Ao ‘Correio dos Açores’, explica como foram as vendas do seu primeiro livro, qual é o tema deste segundo e informa que já está activamente a trabalhar no seu terceiro manuscrito.
Correio dos Açores – Publicou o livro ‘Amores e Desencontros’ há cerca de um ano. Como correu em termos de vendas?
Márcia Castro (escritora) – Posso dizer que correu mais ou menos dentro da expectativa que tinha. Também sou uma escritora ainda novata, digamos assim e que não sou, ainda, muito conhecida. Se vivesse no continente, acho que seria diferente. Aqui, notamos que tudo o que é açoriano tem alguma dificuldade em ser divulgado.
Vendi alguns livros, mas não posso dizer que as vendas tenham corrido super bem.
O que lhe avançar para um novo livro?
A escrita é uma paixão que nasceu comigo. Como escrevi o primeiro livro e tive um bom feedback por parte dos leitores, ajudou. Todas as pessoas que leram o livro identificaram-se com a história. Recebi muitas mensagens a pedir que continuasse a escrever e muita gente pedia a continuação do primeiro livro.
Como gosto de escrever, decidi fazer um novo livro, com uma história totalmente diferente da que tinha escrito no meu primeiro livro. Tenho sempre aquele bichinho para escrever e posso adiantar desde já que estou, neste momento, a escrever um terceiro livro.

Então, não acedeu ao pedido dos seus fãs e fez uma sequela do Amores e Desencontros?
Não, não fiz uma sequela. Não penso nisso por agora, quem sabe se num futuro próximo, depois do terceiro livro.
Como referi já estou a trabalhar num terceiro, que também tem uma historia muito diferente das demais. Tento sempre escrever histórias que sejam um pouco diferentes uma das outras, sou uma escritora versátil.

Que diferenças existem entre o seu primeiro livro e este que será lançado?
O primeiro podemos dizer que é mais fantasia. Toda a gente sonha com aquele amor encantado, não é tanto assim, mas tem coisas reais.
O segundo, tem uma história forte. É uma história de superação, que envolve muitas partes da nossa sociedade. Também transmite o sentimento de coragem e acho que faz o leitor sentir a vida de uma forma mais leve, mas essa vida é, muitas vezes, dura. Sinto que muita gente também se irá identificar com esta história, porque é uma história vivida por muita gente, actualmente.
Acho que quem ler este novo livro vai-se identificar com muitos dos aspectos presentes, e com parte das muitas personagens que estão presentes.

Consegue levantar a ponta do véu sobre este novo livro?
Gosto de manter sempre um pouco de segredo, ou de mistério como preferir, para aguçar a curiosidade dos leitores. Posso apenas dizer que a história é passada em Coimbra e que é um enredo que conta com amor e muito drama.
Tem vários tipos de amor: como o amor de pais, de amigos e também o amor conjugal. É uma mistura de vários sentimentos e de várias situações que ocorrem nos dias de hoje.

O seu livro anterior também falava sobre o tema do amor. Considera-se uma eterna romântica?
Sim, apesar de no ‘Amores e Desencontros’ ser um amor mais conjugal. Neste novo livro, que se intitula ‘Cego por Amor existe, para além do amor conjugal, o amor entre pais e amor de amigos. Podemos dizer que é uma mistura de vários tipos de amor.

Decidiu manter-se com a mesma editora ou apostou noutra para o desenvolvimento deste segundo livro?
Decidi manter a mesma editora, que é a Atlantic Books. Aquando da publicação do livro ‘Amores e Desencontros’, assinamos um contrato de parceria durante dois anos, então os próximos livros serão publicados por eles.

Na sua opinião, porque é que se divulga tão pouco o trabalho dos escritores açorianos?
Na minha opinião, os próprios açorianos não dão muito valor ao trabalho que é desenvolvido pelas pessoas cá.
Nós temos vários artistas de grande qualidade, e falo em várias áreas, não apenas na escrita, como na música e no teatro e que não têm grande oportunidade para mostrar o seu trabalho. Se vivesse no continente os meus livros teriam um sucesso maior precisamente por causa disso. E também há muita falta, como referi, de oportunidade para que os nossos artistas possam apresentar os seus trabalhos.
Há divulgação, mas, acho, que se poderia fazer mais e por essa razão os trabalhos dos nossos artistas, cá, não chegam mais longe. Nós, talvez por seja um meio pequeno, não há essa grande aposta.

Aquando da apresentação do ‘Amores e Desencontros’ referiu que não conseguia viver apenas da escrita. É algo que se alterou ou mantém-se a mesma situação?
Ainda se mantém, apesar de ser um dos meus objectivos. Tenho muitas ideias e levei praticamente um ano, após o lançamento do meu primeiro livro, para publicar o segundo. Se estivesse a escrever a tempo inteiro, provavelmente não demoraria este tempo.
Mas eu não escrevo todos os dias, claro que há alturas em que paro. Quando estou a escrever, as ideias fluem e escrevo imenso, contudo há momentos em que fico parada, digamos assim.

Onde vai buscar a sua inspiração?
Quando estou no silêncio, fico a pensar e as ideias aparecem na minha mente. Então, depois, tento criar histórias com base nessas ideias que me vão surgindo.
Gosto de tornar o impossível, possível. Gosto do diferente e da diversidade.

O terceiro livro que se encontra a escrever será diferente dos outros dois?
Vai ser muito diferente, como já referi anteriormente, com um tema também ele muito distinto. Posso adiantar que será um livro policial.

Que expectativas tem para o lançamento do livro ‘Cego por Amor’?
Como é o segundo livro, as expectativas estão mais altas do que na altura do primeiro. Espero que o ‘Cego por Amor’ me dê mais abertura, pois também já sou mais conhecida.
Normalmente, não ficamos muito conhecidos apenas pelo primeiro trabalho, muitas vezes é pelo segundo ou pelo terceiro. Este segundo livro serve também para mostrar aos meus leitores que consigo escrever sobre vários temas e que não sigo a mesma linha.
As histórias são totalmente diferentes e não podemos comparar uma com a outra. Os leitores poderão ver que existiu uma evolução do primeiro livro. O primeiro foi o nascimento da escritora e agora estou a crescer e pretendo continuar a escrever mais alguns livros.
O livro ‘Cego por Amor’ será lançado no próximo dia 14 de Dezembro, no Convento de Santo António, que fica em Santa Cruz, na Lagoa. Será às 16 horas.

Frederico Figueiredo

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