CARLOS PEDROSA É AGORA CAMPEÃO DA EUROPA DE MASTERS em 100 metros medley e nos 100 metros mariposa e medalha de bronze nos 50 mariposa.
O nadador do Clube de Atividade Física dos Bombeiros de Ponta Delgada, a comemorar 20 anos, participou esta semana, em Lublin, na Polónia, no Campeonato da Europa de Master em piscina curta.
A categoria master é para atletas a partir dos 25 anos de idade. O intuito é manter nadadores adultos activos.
Carlos Pedrosa, de 31 anos de idade, compete no escalão dos 30-34 anos.
O primeiro título foi na prova de 100 metros medley, que combina no percurso os quatro estilos da natação. Ganhou com 57.76 segundos, retirando 1 segundo à melhor marca que detinha. Bateu Michal Galon, do 5Styl Sharks (Polónia), de 30 anos, que nadou em 58.01, e May Lazaro Sanchez, do CN Albacete (Espanha), 30 anos, com 58.41. Participaram 19 nadadores.
A segunda medalha de ouro de Carlos Pedrosa foi conquistada na sexta-feira, na prova de 100 metros mariposa. Percorreu a distância em 54.52 segundos.
O segundo classificado, entre os 21 atletas concorrentes, foi Goreth Allen, do Poldo Trafford Metro SC (Inglaterra), de 33 anos, com 55.89, e o terceiro é Brad Price, do Cardiff Masters (Inglaterra), de 33 anos, com 56.26.
Ao nadar os 50 metros mariposa Pedrosa terminou na terceira posição, mas bateu o recorde pessoal e o recorde nacional. Gastou 24.63. Perdeu para o primeiro, Bartlomiej Lassek, do Musk Zgierz (Polónia) 20 centésimos. O tempo de Lassek, de 31 anos, é recorde europeu master.
O segundo lugar nesta categoria, que contou com 32 nadadores, foi Brad Price, do clube inglês do Cardiff Masters, com 24.39 segundos.
Recordo que em Agosto o nadador que treina jovens da equipa dos Bombeiros e ainda compete, foi campeão mundial, em Singapura, nos 100 mariposa e medalha de bronze nos 50 metros.
Estes resultados de Carlos Pedrosa, apesar de ser num escalão de 30 a 34 anos, realça não ser a idade um obstáculo quando as estruturas são limitadas e quando há vontade, compromisso e treino intenso.
VITOR PEREIRA ESTEVE EM PONTA DELGADA 15 ANOS depois de ter estado no Santa Clara, no início de uma carreira de treinador que o projectou para clubes do topo mundial.
Vitor Pereira treinava a equipa de sub 15 do FC Porto quando tirou o curso de treinador de grau III da UEFA. Na mesma turma de Pedro Bermonte, em 2008 ligado ao CD Santa Clara.
As boas indicações e informações, o desejo de progredir através do futebol profissional, foram decisivas para a direcção do clube de Ponta Delgada contratá-lo.
Foram dois anos de grande nível da equipa do Santa Clara na II Liga. Na primeira época, em 2008/09, perdeu a subida na última jornada com uma derrota controversa no campo do Feirense, permitindo a União de Leiria ascender ao segundo lugar, terminando com mais dois pontos.
Na temporada seguinte o Santa Clara foi quatro classificado, a três pontos do Portimonense SC e do Beira Mar, que ascenderam à I Liga.
Dois anos que alteraram a estrutura profissional do Santa Clara, obedecendo aos critérios impostos por Vitor Pereira, um dos melhores treinadores que o clube teve.
Mesmo sem ter subido, o trabalho de Vitor Pereira, com muitos jogadores sem currículo, chamou a atenção de vários clubes. Regresso ao FC Porto como adjunto de André Vilas Boas. Foi promovido na época seguinte a principal. Dois títulos nacionais.
As portas do estrangeiro abriram-se. Arábia Saudita (duas vezes), Grécia, Turquia (duas vezes), Alemanha, China, Brasil e Inglaterra, treinando 10 equipas daqueles países. Foi campeão pelo Olympiacos (Grécia) e pelo Shanghai Port (China), conquistando varias taças.
Estando Pedro Bermonte como director técnico da Associação de Futebol de Ponta Delgada, perdurando a amizade, e estando Vitor Pereira sem clube desde que saiu dos ingleses do Wolverhampton, houve a possibilidade de, durante 6 horas em dois dias, ser formador de um largo grupo de treinadores locais que certamente tiraram benefícios e esclarecimentos úteis para porem em prática nas equipas.
Os jovens que integraram a selecção da AFPD de sub 14 participante em Junho no torneio Lopes da Silva, foram convocados para servirem de teste num treino de campo no “Jácome Correia”.
Uma boa iniciativa da AFPD que deve ser repetida com outros treinadores do topo.
Vitor Pereira emocionou-se ao rever algumas das pessoas que lidou em 24 meses. Recordou os bons momentos. Esteve nos locais da ilha que mais o fascinam. Uma visita emotiva!
A DIFERENÇA DOS PREÇOS DOS INGRESSOS apresentados pela SAD do Santa Clara para a partida da próxima quinta feira, às 17h45, com o Sporting CP, dos oitavos de final da Taça de Portugal de futebol, voltou a suscitar criticas por parte de associados.
Chegaram-me queixas de que ser sócio acaba por não compensar quando a diferença entre o preço de um bilhete de sócio para um de não associado foi/é de apenas 2€ nos dois jogos com o clube de Lisboa. Aquando do encontro do campeonato, a 8 de Novembro, registaram-se idênticos protestos.
Esperavam os associados que nesta partida o limite para os que não são sócios fosse mais espaçado. Os responsáveis não foram sensíveis aos apelos.
A julgar pelo aplicado nos jogos com o Sporting CP, provavelmente manter-se-à o critério quando o Santa Clara receber o FC Porto, a 4 de Janeiro, e o SL Benfica, a 15 de Fevereiro, ambos para o campeonato.
Tomando como exemplo o desafio com o FC Porto da época passada, a diferença para a bancada central entre sócio/não sócio era de 15€ (parte coberta) e de 9€ (zonas descobertas).
Uma das perguntas que me fizeram relaciona-se com a diferença entre os preços do jogo do campeonato e este da Taça de Portugal. Assistir ao desafio de há mês e meio custou entre 22€ e 35€ para sócios e 25€ e 37€ para quem não paga cotas mensais.
Provavelmente pode ter-se reflectido no baixo número de espectadores (5 970) comparativamente com jogos anteriores com o Sporting CP.
A JUSTIFICAÇÃO PARA O ABAIXAMENTO de 15€ e de 17€ é simples. Nos jogos do campeonato as SAD definem os preços a executar em cada partida, consoante o impacto. Nos da Taça de Portugal a barreira máxima é imposta pela Federação Portuguesa de Futebol como entidade organizadora. Há a preocupação em não inflacionar o valor por forma a captar maior número de espectadores.
O máximo para as bancadas centrais, laterais e descobertas é, respectivamente, de 22€, 18€ e 11€.
A SAD do Santa Clara aplicou aqueles valores máximos estipulados para os não sócios, reduzindo em 2€ para os associados.
Finalmente houve que protestasse por ter lugar anual e ter de pagar para este jogo. É uma norma transversal a todos os clubes/SAD. O pacote vendido é apenas para o campeonato. As excepções são poucas. Nos clubes portugueses de maior projecção o exemplo é o mesmo, incluindo os jogos das competições europeias. Aliás, o Santa Clara fez o mesmo nos três jogos da Liga Conferência.
Em Fevereiro de 2024, quando o Santa Clara recebeu o FC Porto (no primeiro jogo em casa com um “grande” para a Taça), o critério foi idêntico.
Muitos associados e alguns com lugar anual só comparecem aquando das visitas das equipas mais fortes. Há um afastamento incompreensível numa ilha sem futebol de maior qualidade ao pé de casa e por preços muito acessíveis. Alguns gastam mais nas barracas de comes e bebes.
Não são as bancadas descobertas a razão. Há jogos com bom tempo que não atingem as duas mil pessoas. O povo micaelense está vocacionado para ser do SL Benfica, do Sporting CP e do FC Porto. São açorianos de gema menos no clube que representa o arquipélago.
NO CAMPO DO FC FAMALICÃO a maior bancada é descoberta. No Norte chove como na ilha de São Miguel. O afecto dos habitantes de uma cidade que em redor tem concorrentes de peso na I Liga (contrariamente aqui) é muitíssimo diferente. Gostam e apoiam quem lhes representa.
Nesta época, em sete jogos em casa, assistiram aos jogos do FC Famalicão 29 474 espectadores (média de 4 211/jogo). É o sétimo no “ranking” das assistências.
Nos mesmos sete jogos o Santa Clara teve 15 027 assistentes (média de 2 147/jogo). Há uma diferença de 10 500 espectadores. Por isso é o 15.º.
Os clubes desempenham um papel vital na construção da identidade colectiva das comunidades. O Santa Clara não é ainda um pilar agregador de socialização nem na auto estima de um povo.
Não há outra justificação para que no jogo com o Casa Pia estivessem apenas 861 espectadores num jogo de I Liga. Foi motivo de chacota em alguns órgãos de comunicação.
José Silva
