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“Desinvestir na Agricultura é fragilizar a defesa da União Europeia”, afirma Jorge Rita

O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), acompanhado pela sua Direcção, participou na manifestação de agricultores em Bruxelas, que estava marcada para ontem, 18 de Dezembro, e que foi promovida pela COPA-COGECA, em protesto contra as propostas da Comissão Europeia para a Política Agrícola Comum (PAC) e para o novo Quadro Financeiro Plurianual (2028-2034).
Cerca de 40 organizações agrícolas, entre as quais a Federação Agrícola dos Açores e várias congéneres, mobilizam-se contra a redução do orçamento destinado à Agricultura e a alterações à arquitectura da PAC, consideradas prejudiciais à coesão e à competitividade do sector. Estiveram presentes cerca de 12.000 agricultores na capital belga, provenientes de todos os Estados-Membros.
Jorge Rita lembrou que “desde o ano passado que os agricultores alertam para os graves constrangimentos resultantes das políticas orçamental e agrícola da União Europeia, que ameaçam a sustentabilidade das explorações e a competitividade do sector, particularmente nas regiões ultraperiféricas, como os Açores”.
O líder da FAA e vice-presidente da CAP acrescentou, ainda, que estas propostas “colocam em causa a estabilidade e a função estratégica da PAC enquanto pilar fundamental da União Europeia, responsável pela segurança alimentar, pelo desenvolvimento rural e pela sustentabilidade ambiental”.
No manifesto do protesto, tornado público recentemente pela COPA-COGECA, os agricultores exigem soluções concretas, nomeadamente uma PAC forte, verdadeiramente comum e bem financiada após 2027, regras claras e justas de financiamento, simplificação administrativa efectiva e maior segurança jurídica.
Em declarações à RTP Açores, o presidente da Federação Agrícola dos Açores afirmou que 2esta grande manifestação tem muito a ver com a proposta da União Europeia para o próximo quadro comunitário de apoio que é a grande redução de fundos e também, que estão em cima da mesa as negociações MercoSul, em que os agricultores europeus têm de se afirmar, de uma vez por todas, para que não sejam prejudicados nas negociações em relação à MercoSul.
“Para nós ainda tem a questão do Posei. A partir de 28-34 o Posei não está na PAC, será transferido para o fundo de coesão e com a decisão exclusiva do estado membro e não da Região. Nós estamos a dar o primeiro passo de afirmação na Região daquilo que são as nossas necessidades e espero, depois quer a nível dos políticos quer a nível dos que têm o poder de decisão da União europeia, se alinhem com esta nossa decisão e com esta nossa estratégia”, referiu.
“Porque senão os agricultores poderão perder muitos fundos para o futuro e pode hipotecar, claramente, a agricultura”, finalizou Jorge Rita.
Jorge Rita, durante a manifestação, afirmou que esta seria “uma das maiores, senão mesmo a maior manifestação na União Europeia, de todas as organizações de todos os países que têm demonstrado grande preocupação com a Politica Agrícola Comum pela proposta da comissão que não vai de encontro aquilo que são as preocupações e as legitimas expectativas dos agricultores.”
Segundo o Presidente da Federação Agrícola dos Açores, e Vice-Presidente da Confederação de Agricultores de Portugal, “esta manifestação tem de ter impacto, porque senão tiver vão haver mais. Hoje estão reunidos os ministros e as decisões têm de começar a aparecer”.
“Porque nós não queremos nem pretendemos que só se invista na Defesa, desinvestindo na agricultura. E desinvestir na Agricultura é fragilizar a defesa da União Europeia, porque sem alimentos não há defesa. Este é o chavão que temos de continuar a cultivar”, afirmou.
É bom que não se esqueçam que ter segurança alimentar, ter bons alimentos como a Região Autónoma dos Açores, como Portugal e como a Europa têm, em que os consumidores têm a garantia que a nível da sustentabilidade, da qualidade e da segurança dos alimentos, depois têm as negociações MercoSul que não sabemos ao certo o que poderá vir a acontecer com as negociações com o Trump.
Se a Europa não se mostrar forte, decidida em prol dos agricultores e da agricultura, será uma catástrofe económica e social em toda a Europa, e onde estes políticos actuais serão todos responsáveis pelo desastre que podem estar a cometer, em toda a Europa, em matéria da agricultura, da alimentação sustentável e da segurança alimentar.
Que fique o aviso, o alerta que aquilo que está decidido não vai de encontro ao que nós pretendemos. É o desinvestimento na Agricultura e os Açores são parte interessada nessa matéria porque vão ser, claramente, os mais prejudicados.
Álvaro Mendonça, Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, também esteve presente na manifestação. Na ocasião, o Presidente afirmou que os “agricultores portugueses estavam a manifestar-se em apoio aos agricultores europeus contra a pior proposta alguma vez feita pela Politica Agrícola Comum. Estamos num momento em que há u m risco de destruição da PAC que é uma das poucas políticas verdadeiramente comum da União Europeia.
“Portugal é um dos países mais prejudicados porque é um dos países que tem maior concentração no segundo pilar da PAC, e este pilar fica desprotegido. A manifestação é uma chamada de atenção aos primeiros-ministros e ao Parlamento Europeu. O que está em causa é a subsistência da política agrícola na Europa como a conhecemos”, prosseguiu Álvaro Mendonça.
O Presidente da CAP afirmou que a manifestação se deve a duas coisas: “é uma redução de 20% num orçamento que cresce 40% e +é o misturar da PAC com a política de coesão e com a política para as migrações, por tudo no bolo comum, reduzir os montantes e dizer aos governos se quiserem depois para porem o resto do dinheiro. Deixamos de ter uma PAC para ter politica nacionais agrícolas, diferentes de país para país, e destruímos o mercado comum com esta medida”.
“Somos a favor do Mercosul, porque este é um acordo que nos abre o mercado do Brasil e da Argentina. É um acordo que deve de ir para a frente, e a posição da CAP é muito clara”, concluiu

Frederico Figueiredo

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