Diogo Mané, jogador e treinador de basquetebol, fundou a KAIZUR, marca de roupa dedicada ao basquetebol. A iniciativa surgiu em São Miguel e tem o objectivo de representar a modalidade como um estilo de vida, ao mesmo tempo que a promove na Região. Ao ‘Correio dos Açores’, o empreendedor revelou que o projecto nasceu da ligação profunda com o jogo e da ambição de criar algo próprio com o intuito de “quebrar fronteiras”. O atleta, proveniente do Barreiro, já disponibilizou a primeira colecção, “Take Off” e acredita que existe espaço para a prática crescer na ilha
Correio dos Açores – Quem é o fundador da KAIZUR? Qual a sua história?
Diogo Mané (Fundador da KAIZUR) – A marca foi fundada por mim. Sou jogador e treinador de basquetebol com vários anos ligados à modalidade, tanto dentro como fora de campo. A prática sempre foi mais do que um desporto para mim, foi uma escola de valores, disciplina e identidade. A KAIZUR nasce dessa ligação profunda ao jogo e da vontade de criar algo próprio, construído com propósito e respeito pela sua cultura.
Como surgiu a ideia de criar uma marca direccionada para o basquetebol?
A ideia surgiu de uma necessidade pessoal. Sempre senti falta de uma ideia que representasse a modalidade para além do seu lado profissional ou comercial e que falasse também com os jogadores de rua, aos apaixonados pelo jogo e a quem o vive todos os dias. O projecto nasce para preencher este espaço, é criado por alguém do meio e para quem realmente ama a actividade.
Qual é o seu objectivo? Quais os valores e a missão?
O objectivo é representar o basquetebol como um estilo de vida. A missão é criar peças que respeitem a cultura e história da modalidade e que possam, ao mesmo tempo, ser utilizadas dentro e fora da quadra. Os valores passam pela autenticidade, trabalho, consistência, respeito pelo jogo e pela comunidade que o vive diariamente.
O mote “For the Love of the Game” é um lema muito respeitado na cultura desportiva. Por que motivo optou por esta frase para ser a cara da sua marca?
“For the Love of the Game” resume tudo aquilo em que acredito. Representa jogar não por dinheiro, fama ou reconhecimento, mas pela paixão pura. É algo que sempre senti ao longo da minha carreira e que vejo em muitos atletas que continuam a aparecer todos os dias, mesmo sem holofotes. A frase não é um slogan vazio, é uma declaração de intenções.
Qual o motivo que o levou a criar peças de roupa nos Açores?
Porque foi nos Açores que encontrei o espaço mental e pessoal para criar. Estar em São Miguel deu-me estabilidade, foco e ligação à comunidade. A KAIZUR nasce aqui porque faz sentido para mim construir algo onde vivo, trabalho e contribuo activamente.
Quais são os desafios que enfrenta nesta fase inicial? Considera que a insularidade da Região o afecta?
Como qualquer projecto no início, os principais desafios são a visibilidade, a logística e a gestão de recursos. A insularidade traz desafios adicionais, especialmente em custos e prazos, mas não encaro isso como um obstáculo intransponível. Com planeamento e o uso do digital, é possível competir em igualdade com negócios de fora.
Qual o motivo que o levou a deixar o Barreiro e vir para São Miguel?
A vinda para São Miguel aconteceu por motivos profissionais ligados ao basquetebol. Com o tempo, a ilha tornou-se casa. Foi aqui que me encontrei verdadeiramente como jogador, permitindo que pensasse em produzir algo novo para além de jogar ou treinar. Devo a São Miguel o início da minha carreira como atleta profissional e todo o carinho e apoio que me mostraram nas 7 de 11 épocas que joguei. A ilha sempre será um lar muito especial para mim.
A primeira linha de peças tem o nome de “Take Off Collection”. Qual a inspiração para a primeira leva de produtos?
“Take Off” simboliza o início da jornada. Representa o primeiro salto, o primeiro passo em direcção a algo maior. Assim como no basquetebol, tudo começa com uma base sólida. Esta colecção reflecte simplicidade, identidade e intenção, é o ponto de partida da KAIZUR.
Sente que existe espaço para que a modalidade cresça na ilha?
Sem dúvida. Existe talento, paixão e vontade. O crescimento passa por continuidade, investimento na formação e criação de referências locais. A actividade tem espaço para crescer se existirem projectos consistentes e pessoas comprometidas.
De que modo é que contribui para a sustentabilidade do arquipélago?
Apostamos numa produção consciente, evitando excessos e desperdícios. Trabalhamos com modelos de produção controlada e privilegiamos qualidade invés de quantidade. Além disso, o facto de a iniciativa ser gerida a partir dos Açores contribui para que de momento a maior parte da sua visibilidade seja na Região, mas ambicionamos no futuro quebrar fronteiras.
A comunidade tem apoiado o projecto?
Sim, o apoio tem sido muito positivo. Desde atletas, treinadores, amigos e pessoas que se identificam com a mensagem. O suporte tem sido fundamental e dá-me ainda mais responsabilidade.
Quais são os planos para o futuro?
O foco é crescer de forma sustentável, consolidar a KAIZUR e expandir a sua presença, mas sempre mantendo a identidade. No futuro, quero também relacionar a marca a iniciativas que promovam o basquetebol e a cultura do desporto.
Que mensagem gostaria de deixar à comunidade?
A mensagem é simples: continuem a apoiar projectos locais e feitos com verdade. A KAIZUR é construída com trabalho diário, paixão e respeito pelo jogo. Isto é apenas o começo.
Diogo Simões Pires
