A canábis continua a ser a droga ilícita mais consumida em Portugal, com uma prevalência de consumo recente de 2% na população entre os 15 e os 74 anos e de 5% nos 15 aos 34 anos, valores mais elevados entre os homens. De acordo com dados do ICAD, IP (2025), a resina é a forma de canábis mais comummente consumida no país.
Do ponto de vista territorial, 25% dos participantes residem na Região Autónoma dos Açores, seguindo-se a região de Lisboa e Vale do Tejo (33%), o Norte (20%) e o Centro (14%). As restantes regiões apresentam percentagens mais reduzidas.
Estas conclusões enquadram um estudo baseado num inquérito europeu online dirigido a consumidores de drogas com 18 ou mais anos, que analisou especificamente uma amostra de 619 participantes que declararam ter consumido canábis nos 12 meses anteriores ao questionário. O objectivo foi caracterizar o perfil sociodemográfico dos respondentes no módulo dedicado ao consumo de canábis.
A amostra é composta maioritariamente por participantes do sexo masculino (63%), sendo que 64% se identificam com o género masculino, 34% com o feminino e 2% como não binário. A distribuição etária é equilibrada, com 33% entre os 18 e os 24 anos, 34% entre os 25 e os 34 anos e 33% com 35 ou mais anos. Em termos de escolaridade, 62% têm o ensino superior completo, 36% o secundário e apenas 2% o ensino básico.
Quanto à situação profissional, 65% dos participantes estão empregados a tempo inteiro, 23% são estudantes ou trabalhadores-estudantes e 8% trabalham a meio tempo. Metade da amostra (49%) apresenta um rendimento líquido mensal inferior a 1000 euros, enquanto 38% se situam entre os 1000 e os 1999 euros e 13% auferem 2000 euros ou mais. A maioria vive em contexto urbano, com 65% a residirem em cidades.
Os responsáveis pelo estudo sublinham que se trata de uma amostra de conveniência, não representativa da população geral, pelo que os dados não permitem generalizações directas sobre o perfil dos consumidores de canábis em Portugal. Ainda assim, quando devidamente articulados com inquéritos representativos, como o Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, estes resultados oferecem pistas relevantes sobre padrões de consumo e de aquisição.
O inquérito integra um estudo internacional realizado sensivelmente de três em três anos. O ICAD, IP participou pela primeira vez em 2021 e voltou a colaborar em 2024, edição que contou com cerca de 66 mil participantes de 35 países distintos.