Naturalmente, que Rabo de Peixe foi tema de conversa, até porque, a Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande tem tido uma atenção especial na sua intervenção. “Rabo de Peixe é uma vila com desafios sociais muito específicos e complexos, o que justifica uma intervenção contínua e prioritária por parte da Santa Casa”, começou por explicar, especificando as acções contínuas. Sobre que impacto têm tido essas intervenções, o Provedor Nelson Correia sublinha, que “o impacto tem sido muito positivo, contribuindo para a melhoria das condições de vida, para a inclusão social e para o reforço do apoio às famílias mais carenciadas”.
Que percentagem das receitas da farmácia é canalizada para o apoio às respostas sociais da instituição?
Praticamente todos os resultados da farmácia são canalizados diretamente para o financiamento das respostas sociais, permitindo colmatar a insuficiência dos apoios públicos. Graças à nossa farmácia temos conseguido assegurar estabilidade financeira, responder a necessidades emergentes e manter projetos sociais que, sem esta fonte de receita, seriam extremamente difíceis de sustentar apenas com financiamento público.
Rabo de Peixe tem um lugar especial na intervenção da Santa Casa. Porquê esta prioridade?
Rabo de Peixe é uma vila com desafios sociais muito específicos e complexos, o que justifica uma intervenção contínua e prioritária por parte da Santa Casa. Temos uma intervenção muito activa junto da Infância e Juventude, com o Centro Familiar Estrela do Mar – Creche / centro de apoio à infância em Rabo de Peixe; Animação de Rua “Espaço Extremo” – Valência de animação de rua/atividades comunitárias para jovens; CDIJ Porto Seguro – Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil, com actividades de apoio educativo e sócio – educativo; Ludoteca – Ludoteca para ocupação lúdica e educativa de crianças; ATL’S Meninos do Mar, Arco Íris e Mundo da Criança – Centros de Atividades de Tempos Livres para crianças e jovens e ainda o Centro Educação Ambiental – Espaço de educação ambiental ligado à comunidade e crianças. Estas valências fazem parte de um conjunto amplo de serviços que a Misericórdia presta para crianças e jovens, oferecendo educação, ocupação de tempos livres, apoio social e atividades recreativas.
Que impacto têm tido essas intervenções na comunidade local?
O impacto tem sido muito positivo, contribuindo para a melhoria das condições de vida, para a inclusão social e para o reforço do apoio às famílias mais carenciadas.
Que investimentos estão actualmente em curso ou previstos a curto prazo pela Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande?
No início do segundo mandato que já lá vão sete anos, uma das nossas prioridades era dignificar a imagem da Santa Casa na Vila de Rabo de Peixe, isto porque temos Valências em casas de moradias adaptadas e sem o mínimo de condições para uma boa aprendizagem das crianças e jovens bem como a dispersão entre as mesmas o que encarece os nossos custos.
Estão assim previstos investimentos na melhoria de infraestruturas, na modernização de equipamentos e na valorização das respostas sociais existentes, designadamente na construção de uma Estrutura Residencial para pessoas com deficiência na Ribeira Grande, assim como a construção de uma nova Creche em Rabo de Peixe, assim como a centralização dos ATL’S daquela Vila num único espaço assim como, a construção de um novo ATL na cidade.
O ano de 2026 será o último ano do seu mandato como Provedor. Que objetivos considera essenciais concretizar até ao final desse ciclo?
Continuar a consolidar a sustentabilidade financeira da instituição, reforçar as respostas sociais e garantir que a Santa Casa continue preparada para responder aos desafios futuros. Por outro lado, gostaria muito de deixar iniciados os projetos de investimento que enumerei nas respostas anteriores.
Que legado espera deixar à Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande e à comunidade que serve?
Um legado de estabilidade, responsabilidade social, proximidade com a comunidade e compromisso permanente com os mais frágeis, assegurando que a Santa Casa continue a ser uma referência de solidariedade no concelho.
Que projectos pode destacar como importantes durante o seu mandato de Provedor?
Este ano de 2025 foi um ano de (sorte) para a nossa Santa Casa, porque começou com uma doação de um mini – autocarro comparticipado a 100% por um Instituição Bancária, investimento a rondar os 100.000€, bem como de dois imoveis, um deles em frente à Igreja Paroquial da Ribeira Seca, avaliado em algumas centenas de milhares de euros, que após longos meses de troca de correspondência entre a minha pessoa e o doador residente em Macau concretizou-se finalmente a doação em junho deste ano. Nesta data estamos em obras de beneficiação do mesmo a fim de se propor ao ISSA duas valências para este edifício, uma será um ATL para jovens com deficiência e a outra uma cozinha comunitária aproveitando o quintal desta moradia. A outra doação foi 50% de uma moradia pertencente a uma ex-mesária da nossa Santa Casa, a professora D.Elvira Machado Melo.
Gostaria finalmente de deixar um alerta ao Governo para que tivesse a coragem de reunir com a URMA e a URIPSSA, a fim de se encontrar formas de agrupar valências pertencentes a Centros Sociais ou algumas em Casas de Povo que têm muitas dificuldades na sua gestão e outras organizações, concentrar estas valências em IPSS e Misericórdias de forma a rentabilizar melhor as mesmas e reduzir custos de operacionalidade. Tudo isto seria vantajoso para o orçamento da Região na área social, que infelizmente não consegue colmatar todas as solicitações.
António Pedro Costa
