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SPEA Açores faz um balanço positivo de 2025 com mais de 31 mil plantas nativas plantadas e trilhos restaurados para proteger o priolo e a floresta de altitude

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) apresentou o balanço das suas actividades de 2025, um ano que voltou a ser pautado por uma forte aposta no restauro de habitats e da vegetação natural dos Açores, na educação ambiental e na sensibilização do público para a conservação da natureza e da avifauna. Ao longo do ano, a organização desenvolveu e colaborou em projectos nas áreas do combate ao lixo marinho, recuperação de turfeiras e florestas nativas, requalificação de trilhos, redução da poluição luminosa e promoção da ciência cidadã, envolvendo voluntários, escolas, autarquias, empresas e comunidades locais
Em 2025, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves/Açores (SPEA) voltou a “apostar no restauro de habitats e da vegetação natural dos Açores e na educação ambiental e sensibilização do público para a conservação da natureza e da avifauna do nosso arquipélago”. Segundo o comunicado relativo ao balanço deste ano, publicado no site do SPEA Açores, a ciência cidadã e o envolvimento de voluntários continuaram no centro da sua missão: “Mobilizamos voluntários, escolas, empresas e comunidades locais para proteger o oceano, as florestas nativas e as aves que fazem dos Açores um lugar único. Arregaçámos as mangas e fomos para as praias, molhámos os pés nas turfeiras e aventurámo-nos ainda mais para dentro da floresta Laurissilva. Continuámos a produzir plantas nativas, a criar e recuperar trilhos em áreas protegidas e a promover a observação e monitorização de aves, bem como o turismo sustentável nas Terras do Priolo”, lê-se na nota. Para perceber melhor o impacto deste trabalho, a SPEA destacou os resultados de alguns dos projectos que implementa no arquipélago. No âmbito do projecto INTERREG MAC CircularOcean, a SPEA Açores reforçou o trabalho de sensibilização e acção contra o lixo marinho. Em 2025, foram organizadas 11 acções de voluntariado em praias, com 3 praias monitorizadas durante a época balnear. Foram realizadas acções de capacitação e um trabalho lado a lado com os municípios da Povoação e Vila Franca do Campo para uma melhor gestão das suas áreas balneares. Ao longo do ano, 239 voluntários participaram nestas iniciativas, contribuindo para limpar mais de 150 kgs de lixo e cerca de 4,3 hectares de praia. Para além da recolha de lixo, segundo a organização, estas acções permitiram falar com banhistas, comerciantes e comunidades locais sobre a importância de reduzir a produção de lixo, o problema do descarte inadequado das beatas de cigarro, melhorar a gestão de resíduos e reforçar a necessidade de termos uma verdadeira economia circular ligada ao mar. No SpongeBoost, a SPEA Açores trabalhou na restauração de turfeiras, a “paisagem-esponja” dos Açores, fundamental para reter água, reduzir o impacto de secas e cheias e apoiar a biodiversidade. Ao longo de 2025, foram dinamizadas 3 acções de voluntariado e trabalhos de campo em áreas de turfeira degradadas, promovendo práticas de restauro que contribuem para a adaptação às alterações climáticas e para a protecção dos recursos hídricos, como também foram disseminados resultados e informação sobre o projecto num encontro internacional

Plantadas 31.539 plantas nativas e endémicas nos Açores

O projecto LIFE IP Azores Natura teve em 2025 um grande foco na recuperação de habitats nativos e na melhoria de acessos às áreas mais sensíveis. Só este ano, foram plantadas 31.539 plantas nativas e endémicas nos Açores, contribuindo para recuperar a vegetação natural e reforçar a resiliência dos ecossistemas do priolo. Desde 2021, no total do projecto, já foram 161.805 plantas colocadas no terreno. Outra vertente importante do trabalho da SPEA Açores foi a requalificação de trilhos de acesso ao Pico da Vara, área de grande importância para a conservação do priolo e da floresta altitude. Em 2025, foram intervencionados cerca de 2 km de trilhos: 1,1 km na zona dos Graminhais; 600 m na Algarvia; 250 m em Santo António. Foram ainda construídos aproximadamente 130 metros de novos passadiços, ajudando a concentrar o pisoteio, proteger o solo e a vegetação nativa e melhorar a segurança de quem visita a área. No que toca à base da recuperação da floresta natural dos Açores, encontram-se os Viveiros de produção de plantas da SPEA Açores que, segundo esta ONG, “sem o qual o trabalho de restauro não seria possível”. Até ao passado mês de Novembro, os viveiros apoiados pelo LIFE IP Azores Natura produziram 21.413 plantas, pertencentes a 27 espécies nativas, incluindo 2 espécies raras: Euphorbia stygiana e Angelica lignescens. Estas plantas são depois usadas na recuperação de áreas degradadas, ajudando a “devolver à paisagem a sua vegetação original”.

Poluição luminosa enquanto “ameaça silenciosa”

Com o LIFE Natura@Night, a SPEA Açores continuou a trabalhar para reduzir a poluição luminosa e o seu impacto nas aves marinhas e na biodiversidade nocturna. O foco continuou no esforço para dar a conhecer o que é a poluição luminosa e o que se pode fazer para a evitar. Neste sentido, foram realizadas 28 actividades de sensibilização para escolas e comunidade em geral com mais de 2000 participantes. Ainda neste ano, 65 pescadores estiveram envolvidos em acções de sensibilização, discutindo boas práticas de iluminação e formas de compatibilizar a actividade humana com a conservação das aves marinhas e espécies que sofrem mais os efeitos negativos desta “ameaça silenciosa”. Foram ainda galardoados 26 alojamentos, em 5 ilhas do arquipélago, por adoptarem medidas de iluminação mais amigas do ambiente, como redução da intensidade, horários mais adequados e instalação de luminárias menos impactantes para a fauna. No terreno, o projecto continuou a monitorizar diversas colónias de aves marinhas como o cagarro e a apoiar campanhas como a Campanha do “SOS Cagarro”, mobilizando perto de 200 voluntários e vários parceiros para resgatar cagarros juvenis desorientados pela luz artificial e sensibilizar para a necessidade de noites mais escuras e céus mais saudáveis, nas ilhas de São Miguel e Corvo.

Centro Ambiental do Priolo recebeu 3.613 visitantes e 9.224 participantes em actividades

O Centro Ambiental do Priolo voltou a ser um dos principais pontos de contacto entre o público e o trabalho de conservação da natureza pela SPEA Açores. Ao longo do ano, o Centro recebeu 3.613 visitantes e contou com 9.224 participantes em actividades, desde visitas guiadas a acções de educação ambiental para escolas, famílias e grupos organizados. No total, foram realizadas 123 horas de actividades, levando a mensagem da conservação da floresta Laurissilva, do priolo e de outros valores naturais dos Açores a milhares de pessoas.

354 milhafres observados nos Censos

A participação de voluntários em projectos de ciência cidadã é um dos pilares do trabalho da SPEA Açores, de acordo com a mesma associação: “Várias iniciativas mostraram, mais uma vez, o papel fundamental de quem se disponibiliza para observar, contar e registar”. No Censo dos Milhafres/Mantas, participaram 121 voluntários individuais, que percorreram 2 399,17 km em diferentes pontos do arquipélago. No total, foram 354 milhafres observados, contribuindo para “acompanhar a evolução desta espécie emblemática dos Açores e apoiar a tomada de decisões de gestão”. No decorrer deste ano realizou-se a 12ª edição da BirdRace Açores, um fim-de-semana em que equipas de observadores tentam registar o maior número possível de espécies de aves, sempre com foco na sensibilização e no conhecimento da avifauna açoriana. Nesta edição participaram 11 equipas, num total de 19 participantes, que observaram 64 espécies de aves: “Para além do desafio e do convívio, a BirdRace ajuda a melhorar o conhecimento sobre as espécies residentes, migradoras e acidentais no arquipélago integrando a iniciativa internacional Eurobirdwatch”.

“Um ano cheio de acção, conhecimento e partilha”

Para a SPEA Açores, o balanço de 2025 mostra “um ano cheio de acção, conhecimento e partilha”. “Das praias às turfeiras, das florestas de altitude às noites iluminadas, dos trilhos de montanha aos centros de educação ambiental, o trabalho da SPEA Açores só é possível graças a quem se envolve: voluntários, parceiros, escolas, empresas, autarquias e muitas outras pessoas que escolheram dedicar parte do seu tempo à natureza”, refere o comunicado. A coordenadora da SPEA Açores, Azucena de la Cruz, salienta que “se tivesse de resumir 2025 numa frase seria: um ano em cheio!” “O ano de 2025, foi mais um ano de trabalho conjunto, em que cada pessoa que colaborou com a SPEA fez a diferença “, acrescentou. “Em 2026, o desafio continua: restaurar mais habitats, envolver mais pessoas, reduzir mais ameaças e criar mais oportunidades para conhecer e proteger a biodiversidade dos Açores. (…) Juntos, podemos garantir que os Açores continuam a ser um refúgio para a natureza – e para todos nós”, conclui a nota
José Henrique Andrade

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