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CCIPD considera saída da Ryanair como sério risco para a conectividade área e competitividade do Destino Açores

A Direcção da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada apresentou, ontem, o balanço da sua actividade de 2025.
Em comunicado, a CCIPD afirmou que o ano que agora finda foi exigente para a economia açoriana, marcado por incertezas e constrangimentos estruturais, mas também um ano em que a Câmara de Comércio assumiu, de forma clara e responsável, o seu papel institucional na defesa das empresas, do emprego e do desenvolvimento económico da Região.
O ano de 2025 ficou marcado por sinais de abrandamento económico, por fragilidades persistentes nas acessibilidades, por um aumento significativo dos custos empresariais e por dificuldades de funcionamento da administração pública. Neste contexto, a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada reforçou a sua intervenção junto do Governo Regional, do Governo da República e também de entidades reguladoras e de operadores estratégicos, sempre com uma postura construtiva, tecnicamente fundamentada e orientada para as soluções.
De acordo com o comunicado, as acessibilidades aéreas e marítimas constituíram uma prioridade central da nossa acção. A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada alertou, de forma reiterada, para a instabilidade da oferta aérea, para a excessiva concentração do mercado, para o impacto da sazonalidade e para os riscos económicos associados à perda de conectividade dos assuntos.
Defendeu, ainda, a necessidade de uma estratégia estável, previsível e diversificada, capaz de responder às necessidades dos residentes das empresas e do sector turístico. Neste enquadramento, manifestou publicamente a nossa oposição ao anúncio da cessação da operação da Ryanair nos Açores a partir de Março de 2026, considerando que este cenário representa um risco sério e estrutural para a conectividade aérea da região e para a competitividade do destino. A eventual perda de capacidade aérea terá impactos transversais em toda a economia, irá fragilizar a operação turística, em particular no inverno e comprometerá anos de trabalho e de captação de mercados e de promoção externa.

Os sinais de abrandamento do turismo

No transporte marítimo, a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada assumiu posições claras relativamente aos constrangimentos verificados ao longo do ano, defendendo uma revisão do modelo, em vigor, maior previsibilidade na operação e soluções estruturais que respeitam os princípios da coesão territorial. Ao nível da mobilidade interna, sublinhamos igualmente a necessidade de adaptar os transportes terrestres ao novo paradigma do mercado de trabalho, marcado por horários diferenciados, por trabalho por turnos e por maior flexibilidade na organização das actividades económicas.
O turismo, enquanto sector estruturante da economia açoriana, mereceu acompanhamento permanente. Os dados analisados evidenciam sinais de abrandamento da procura, quebra de dormidas em períodos relevantes e aumento dos custos operacionais. Alertamos para a insuficiência do investimento em promoção turística e para a falta de previsibilidade na gestão do destino, defendendo uma estratégia integrada que articula acessibilidades, promoção externa e qualificação da oferta.
Chamou ainda a atenção para a necessidade de reforçar o investimento na qualificação do produto turístico, nomeadamente na manutenção e valorização dos trilhos pedestres e de infra-estruturas naturais e termais e destacou a importância de clarificar e concretizar a reabertura das termas da ferraria enquanto activo diferenciador com elevado potencial para o Destino Açores.
A segurança urbana foi igualmente identificada como um factor crítico, uma vez que a percepção de insegurança pode afectar a vivência das cidades, a actividade económica e a imagem dos Açores enquanto um destino seguro. No domínio do comércio e dos centros urbanos, a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada deu particular atenção à dinamização económica e à coesão social. Ao longo do ano, desenvolveu campanhas de incentivo ao consumo local e promovemos iniciativas de animação urbana, reforçando a ligação das famílias das escolas e das comunidades ao comércio tradicional. No mercado de trabalho, assumiu posições firmes e responsáveis. Alertou, também, para o impacto negativo do recurso abusivo às baixas médicas, com efeitos directos na produtividade, na organização das empresas e na escassez de recursos humanos.
A CCIPD manifestou a sua oposição ao projecto-piloto da semana de 4 dias da Administração Pública Regional, por considerar que essa medida é desajustada da realidade económica e social da Região. Defendeu também respostas concretas para a conciliação entre a vida profissional e familiar, como por exemplo a abertura das creches ao sábado e alertamos para a escassez de habitação enquanto um dos principais constrangimentos à fixação dos trabalhadores.
Reconheceu ainda o contributo positivo da imigração para suprir a falta de mão-de-obra, mas sublinhamos que esta integração só será sustentável se existirem soluções de habitação adequadas, Tanto para a população local como para quem escolhe os Açores para viver e trabalhar. No comunicado foi reafirmado o papel activo da Câmara de Comércio no desenvolvimento do ensino profissional e na qualificação dos recursos humanos, defendendo uma maior articulação entre a formação e as necessidades reais das empresas, como condição essencial para aumentar a produtividade, a empregabilidade e a competitividade da economia regional.

Os desafios do próximo ano

Olhando para 2026, identificamos desafios exigentes: o crescimento dos custos de contexto, os elevados custos da construção civil, a instabilidade do sector do turismo, a pressão sobre as finanças públicas, o fim progressivo do PRR e a execução do quadro comunitário de apoio. A estes desafios soma-se a excessiva burocracia da Administração Pública Regional, a necessidade de maior digitalização do Estado e das PME e a persistência de atrasos nos pagamentos, factores que continuam a penalizar a tesouraria das empresas e a confiança económica.
Num contexto internacional instável e com algumas fragilidades na política regional, torna-se ainda mais importante garantir previsibilidade, responsabilidade e eficácia da acção pública. A Câmara de Comércio continuará a assumir o seu papel com independência, rigor técnico e sentido institucional, defendendo políticas públicas realistas, orientadas para resultados e alinhadas com a realidade económica e social dos Açores.
Neste enquadramento, a Direcção deposita grande empenho e expectativa na implementação do Plano de Revitalização do Centro Histórico de Ponta Delgada. Trata-se de um projecto estruturante que aposta numa combinação de animação urbana contínua, capacitação do comércio, transformação digital, qualificação do espaço público e governação profissional com o objectivo de devolver vitalidade económica, atractividade e centralidade ao coração da cidade, reforçando o comércio local, a coesão social e a qualificação da vivência urbana.
Este plano representa uma visão concreta do futuro para Ponta Delgada e o contributo efectivo da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada para o desenvolvimento económico e urbano do Conselho.
Questionado sobre qual dos factores representa a maior preocupação, o Presidente da CCIPD afirmou que “é exactamente o abrandamento no sector do turismo, porque o sector do turismo tem um efeito multiplicador muito forte em qualquer economia e obviamente também aqui na economia dos Açores”.
“Estamos a assistir esse abrandamento já a partir de Agosto, obviamente, sobretudo nos meses seguintes e avizinha-se uma época baixa complicada. Nada que não tenhamos já alertado em Maio quando tomamos posse nesta direcção. E a saída da Raynair é preciso lembrar que não só vai ter impacto na época baixa mas também vai ter impacto na época alta tendo em conta a dimensão da empresa e a projecção que ela tem como a empresa que mais transporta passageiros na Europa”, disse.
Inquirido sobre se a promoção feita pela Visit Açores tem estado a falhar, Gualter Couto afirmou que “cabe aos governos sobretudo a responsabilidade em duas matérias a questão das acessibilidades e a questão da promoção. Juntaria, não menos importante, uma terceira que tem a ver com a qualificação da oferta, como por exemplo o se passa com os trilhos, com as termas que aqui nós referimos. Não temos assim tantas para nos darmos ao luxo termos termas encerradas sem sabermos quando é que vão reabrir. Essas são as responsabilidades do Governo porque da parte dos empresários têm feito tudo o que está ao seu alcance. Não só na própria qualificação dos alojamentos, na qualificação da oferta de animação turística, na qualificação dos respectivos trabalhadores, portanto da parte das empresas o trabalho tem sido feito”.
“Quando falhar uma dessas duas responsabilidades do Governo tudo pode ficar, obviamente pode cair como um baralho de cartas e isso aqui passa a ser complicado. No sector do turismo, todas as estatísticas apontam que já tem um efeito na economia No PIB e no VAP da Região Autónoma dos Açores, perto dos 20%. Significa que um em cada cinco euros vem do sector do turismo, portanto se nós falharmos naquilo que é actualmente a nossa galinha de ovos de ouro, é óbvio que isso vai ter repercussões para todo o resto da nossa economia”, prosseguiu.

A execução do PRR e o problema da falta de turismo

Por um lado, prossegui Gualter Couto, “estamos preocupados com a própria execução dos programas quer do PRR, quer do quadro comunitário. Não podemos falhar na execução do quadro comunitário sobre pena de não termos as mesmas condições num quadro seguindo ou mesma interrupção deste quadro, acreditar que este cenário é impensável, agora mais do que também a própria execução, é também pensarmos e estamos preocupados, que é no dia a seguir, o que é que vai acontecer no dia a seguir de terminar o PRR. Temos que pensar que estamos a dotar a Região Autónoma dos Açores de várias estruturas. Mesmo mais tarde, é preciso manter as estruturas. Isso, obviamente, também vai acarretar despesas no nosso orçamento regional”.
Para o Presidente da CCPI, o turismo acaba por ter “efeitos multiplicadores em todos os restantes sectores acaba a perder implicações em todos eles. Repare, o próprio crescimento que nós tínhamos existido até agora do sector agro-industrial, que tem um peso ainda muito forte nos Açores e ainda bem, mas até esse sector também depende obviamente da presença do turismo, porque obviamente o que nós assistimos É o crescimento deste sector através de maior número de hóspedes e, portanto de maior consumo. Isso significa que era necessário haver menos exportações, porque eram consumidos os produtos regionais nos próprios Açores. Portanto, se diminuirmos ou se abrandarmos a este nível, os outros sectores vão ter necessidade de reforçar as suas exportações”,

Porto de Leixões continua
com problemas…

Questionado sobre os constrangimentos que existem no Porto de leixões, Gualter Couto informou que a actividade está “longe de ser regularizada, ou seja, continuam com problemas em receber embarcações e continuam com problemas na expedição”.
“Estava mais ou menos acordado e estão trabalhando de forma manual, a informação que nós temos é que ainda não está operacional, ainda não tem indicação de onde é que vai estar operacional, e portanto manualmente, estão a tentar despachar um navio para a região autónoma da Madeira um navio para a região autónoma dos Açores, de forma intercalada. O navio que chegou depois dos constrangimentos veio com uma carga muito abaixo da sua capacidade, porque eles não tiveram maneira de operacionalizar”, disse.
Segundo o Presidente da CCIPD, “o outro navio que vinha para os Açores, que era suposto ter sido despachado durante o fim-de-semana, não conseguiu ser despachado no fim de semana, portanto vai sair agora, o que significa que já vai chegar depois da passagem de ano. Não estamos a contar com rotura de stocks, mas estamos a contar, obviamente, com uma diminuição acentuada dos stocks nas prateleiras”.
Para Gualter Couto este problema tem que ser resolvido em 2026 “senão o assunto seria gravíssimo. Mudou-se todo o sistema contra as indicações que têm dos próprios operadores e transformou-se um sistema que estava regularizado num autêntico caos. O Porto de Leixões, que é o maior porto do país, neste momento não tem capacidade sequer para receber mais contentores e não consegue também esvaziar porque os serviços de alfândega mudaram a sua gestão electrónica e não consegue fazer os respectivos despachos. A informação que temos é que estão a despachar manualmente mas a conta-gotas”.
“Portanto há um problema neste momento, quero acreditar, não sei quando é que vai estar resolvido, mas algo que no início de 2026, suponho que vai estar resolvido porque um problema é de abastecimento das funções autónomas, mas também há um problema de importação e exportação para todo o país”, concluiu.
Frederico Figueiredo

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