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Atitudes de árbitros justifica atenção e intervenção

A edição de 20 de Dezembro do Correio dos Açores continha um artigo do conceituado fotógrafo João de Freitas sobre o comportamento de alguns árbitros filiados no Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Ponta Delgada.
João de Freitas acompanha o desporto há mais de 40 anos. Ultimamente assiste a jogos dos escalões de formação todos os fins de semana.
O artigo é um grito de “espanto, indignação e de profundo desagrado”, sentido-se “seriamente preocupado” com as atitudes de árbitros para com as crianças e os jovens de jogos que dirigem. Não somente num ou noutro jogo, mas “repetidas vezes” pelo que, acrescenta”, trata-se de um problema “não pontual mas estrutural”.
João de Freitas, com quem trabalhei vários anos, refere não contribuírem para uma “formação desportiva saudável”, mas, sim, “um verdadeiro atentado em valores que o desporto deveria transmitir: respeito, educação, diálogo, justiça e exemplo”.
“Em vez disso”, escreveu João de Freitas, “muitas vezes o que presencio é arrogância, autoritarismo e uma preocupante falta de sensibilidade para com crianças e jovens atletas que estão em processo de aprendizagem”.
Relata o articulista alguns episódios, realçando o que sucedeu quando um “capitão” de equipa se dirigiu, de forma educada, ao árbitro para um esclarecimento, tendo recebido gritos, mandando-o calar e ameaçando-o de expulsão.
Outra situação apresentada foi da recusa de um árbitro não interromper o jogo permitindo a entrada em campo da ambulância para assistir um jogador.
O essencial foi denunciado. Resta agir. Esses problemas não podem ser “chutados para canto” como sói dizer-se na gíria desportiva. Torna-se indispensável uma atitude de um fragilizado Conselho de Arbitragem, não pelo trabalho que vem desenvolvendo, mas sim para contínua falta de árbitros para os cerca de 80 jogos semanais de futebol e de futsal nas ilhas de São Miguel e de Santa Maria.

PASSADA A QUADRA FESTIVA, o presidente do Conselho de Arbitragem deve chamar João de Freitas para identificar os árbitros que tomam aquelas atitudes. Verdadeiras porque foram vistas e ouvidas. Aliás, já uma ou outra história foi-me contada.
Se não souber os nomes dos árbitros facilmente chega lá através dos jogos que assistiu.
Luís Silva (na foto com Pedro Proença), como responsável mor dos árbitros locais, tem o dever de chamá-los e pedir-lhes um comportamento diferente, pedagógico como se pretende para crianças que se portem bem. Felizmente a maioria.
Os episódios dos árbitros motivam comportamentos indesejáveis de fora para dentro do campo.
O trabalho dos árbitros não é nada fácil. A incidência de comportamentos incorrectos do público cresce de forma assustadora e sem precedentes.
Até aos jogos realizados a 20 e a 21 de Dezembro, o Conselho de Disciplina da Associação das ilhas de São Miguel e de Santa Maria já sancionou 71 actos de indisciplina dos assistentes, muitos oriundos de familiares.
Só nas categorias de Sub-10, Sub-11, Sub-12, Sub-13 e Sub-14 das duas disciplinas foram 23 as multas. Os Sub-10 e os Sub-12 superam com 6 sanções cada, mas os Sub-13 vão com 5 e os Sub-11 com 3 multas.
Estes dados reflectem quão difícil é o trabalho dos árbitros, que, como seres humanos, por vezes têm comportamentos “fora da caixa” porque enervam e descontrola quando as vozes vociferam. Contudo, devem estar preparados para estas contingências da missão que escolheram.
Conversando-se para corrigir. Agora não podem repetirem-se cenas como as relatadas por João de Freitas.

FAIR PLAY” QUE INSPIRA é o título que a dinâmica direcção do Maia Clube dos Açores, da freguesia/vila do concelho da Ribeira Grande adoptou para parabenizar a atitude do seu dirigente e treinador Manuel Chaves.
O encontro de juniores de futsal que opôs o Maia CA à Casa do Povo do Livramento (5-5) foi interrompido porque chovia no interior do pavilhão da escola da Maia (outro a contas com falta de manutenção. É sina!!!), precisamente na quadra de jogo.
Manuel Chaves (na foto ao lado do presidente do Maia CA, Hélio Pereira), homem de grande carácter pelos muitos comentários que li, despiu a t-shirt para enxugar o campo e possibilitar a continuidade da partida em condições normais e seguras para os intervenientes.
“Um gesto simples, mas enorme em valores, que foi justamente reconhecido com o cartão branco exibido pelos árbitros, símbolo do verdadeiro “fair play,” escreveu a direcção na página oficial do clube.
O cartão branco reconhece atitudes de ética e de respeito de jogadores, treinadores, dirigentes e até adeptos como reforço de conduta exemplar.
O Maia CA tem esta época em actividade equipas dos campeonatos de ilha de futsal das categorias de juniores, iniciados, infantis e benjamins.
Desde o início de Junho que o Maia CA tem novos corpos gerentes. A direcção é presidida por Hélio Pereira, que sucede a Rúben Faria Araújo (uma ligação de 20 anos), sendo o quarto presidente nos 36 anos da colectividade, tem desenvolvido várias acções que promovem o clube na Maia e no concelho.
Hélio Pereira foi jogador e mais tarde assumiu funções de treinador, que prossegue na equipa de benjamins.
Recordo que os destinos do Maia CA foi presidido durante 30 anos por Luís Carvalho, justamente homenageado pela autarquia da Ribeira Grande em Julho.

VASCO MATOS CORREU A SÃO SILVESTRE DE PONTA DELGADA, de forma anónima, apesar de reconhecido por alguns dos intervenientes.
O treinador da equipa sénior de futebol do Santa Clara pôs à prova a capacidade atlética que ainda possui para em corrida moderada enfrentar os 6 mil e 200 metros do percurso.
A foto apresenta Vasco Matos, com o número 702, após ter cortado a meta em frente às Portas da Cidade, com o tempo de 39 minutos e 5 segundos, à média de 6,18 minutos por quilómetro.
Com 45 anos foi incluído na categoria de veteranos daquela idade, que contou com a participação de 106 atletas. Não, não foi o último. Atrás de Vasco Matos classificaram-se mais 12 participantes.
Um bom exemplo de gente ligada ao desporto que se cuida fisicamente, fenómeno que há uns 10 anos não se via em grande número dos treinadores de futebol.

SANTA CLARA PROMOVIDO por pessoas que não são nativas tem sido frequente e ainda há uma semana abordei este assunto.
Luís Miguel Almeida, professor na escola secundária da Ribeira Grande, chegou à ilha de São Miguel para frequentar a Universidade dos Açores. Apaixonou-se pela ilha e por aqui ficou. Em praticamente quase tudo do que a ilha oferece. Driblou ser adepto dos três clubes que congregam mais portugueses para ser do Santa Clara.
Já foi dirigente do clube. Agora segue o Santa Clara e promove-o. Não só ele, como os filhos. A foto tirada no final de Dezembro no acesso a uma praia algarvia demonstra que o clube mais representativo dos Açores tem seguidores e tem quem o enalteça longe das ilhas. E o Luis Miguel Almeida não é micaelense de nascimento.

José Silva

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