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“Encare o fim da relação como o encerramento de um capítulo e não como um fracasso pessoal”

Nesta entrevista, Marta Martins releva, que as pessoas devem encarar o novo ano baseado em três pilares. Sobre o que correu menos bem em 2025, sublinha, que “reflectir sobre os momentos baixos ajuda a alinhar os objectivos para o futuro com a realidade, promovendo uma maior resiliência”.
Marta Martins é terapeuta emocional, que através da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG) orienta as pessoas a livrarem-se das suas dores emocionais. “O paciente não precisa de partilhar informações constrangedoras ou íntimas com o terapeuta para que o processo funcione, pois, a terapia não é baseada na fala. A TRG é indicada para uma vasta gama de problemas emocionais, incluindo traumas, ansiedade, fobias, medos irracionais, dificuldades de relacionamento e luto”.

Na sua perspectiva, como é que as pessoas devem encarar o ano novo?
“Aqui estão três pilares para abordar este novo ciclo: Encare como uma continuidade, não um reinício. Psicologicamente, a ideia de «ano novo, vida nova» pode gerar ansiedade e frustração, se as mudanças não forem imediatas. Veja o dia 1 de Janeiro como uma oportunidade para ajustar a direcção de processos, que já estão em curso, e não como uma obrigação de se tornar uma pessoa diferente da noite para o dia; Privilegie Intenções em vez de metas: Em vez de metas rígidas, foque em intenções baseadas em valores. As intenções são mais flexíveis e permitem-lhe navegar os imprevistos do ano com menos autocrítica; Pratique a aceitação e o foco no presente: O futuro é incerto por natureza. Em vez de tentar controlar todos os aspectos de 2026, foque-se no que pode influenciar hoje. Se sentir que a pressão do novo ano está a afectar a sua saúde mental, procure apoio emocional”.

Devemos reflectir sobre o que menos bom aconteceu em 2025?
“Para 2026, a reflexão sobre experiências negativas deve ser encarada como uma ferramenta de crescimento emocional, e não como um exercício de autocrítica. Analisar falhas permite identificar padrões de comportamento. Em vez de focar no erro, questione: O que esta situação me ensinou sobre os meus limites ou necessidades? Ignorar o que correu mal pode levar à acumulação de stress. Reconhecer a tristeza ou a frustração ajuda a libertar a carga emocional e a evitar o esgotamento. Reflectir sobre os momentos baixos ajuda a alinhar os objectivos para o futuro com a realidade, promovendo uma maior resiliência. É fundamental tratar-se com a mesma bondade que trataria um amigo. O objectivo da reflexão é o encerramento de ciclos, permitindo começar o novo período com mais clareza. Em suma, deve refletir sobre o «menos bom» apenas o tempo suficiente para transformar a dor em conhecimento, focando-se de seguida nas soluções e no bem-estar presente”.

Como lidar com perdas?
“Permita-se sentir: É normal sentir negação, raiva, culpa, tristeza profunda ou até alívio. Não reprima o que sente. Dê tempo ao tempo. O luto não tem um prazo fixo. Cada pessoa recupera ao seu próprio ritmo. O luto não tem um cronograma fixo. É fundamental aceitar as emoções sem autojulgamento. Negar a dor apenas prolonga o processo de cura. Se a perda estiver a comprometer a sua funcionalidade diária, procure ajuda emocional. O luto não é uma doença, é um processo. Não se trata de «superar» ou esquecer, mas sim de aprender a acomodar a perda na nova realidade da vida”.

No caso específico do divórcio, como deve ser encarado?
“Encare o fim da relação como o encerramento de um capítulo e não como um fracasso pessoal. Evite, remoer o passado e concentre-se em reconstruir a sua identidade individual. Manter a motivação após um divórcio ou separação exige um foco equilibrado entre a aceitação emocional e a reorganização prática da vida. Respeite o processo de luto. O fim de uma relação é comparável a um luto, passando por fases como negação, raiva e tristeza. Não apresse a cura. Aceite que a recuperação exige tempo e paciência; tentar ficar bem rapidamente pode ser contraproducente. Acolher os sentimentos e chorar, se necessário, é essencial para a elaboração da dor e para evitar que ela se acumule. Redescubra hobbies, mude o visual e cuide da sua imagem para fortalecer a autoconfiança. Treine o cérebro para novos prazeres estimulando os sentidos com actividades, comidas ou lugares, que não estejam ligados à antiga relação. Ter clareza sobre o novo custo de vida e gerir o orçamento básico é uma forma de protecção e segurança emocional. Manter-se ocupado com trabalho ou novos projectos ajuda a evitar o enclausuramento e a distracção da dor”.

Qual é a sua abordagem terapêutica?
“É uma abordagem terapêutica focada em resultados e de curta duração, que trabalha directamente com a origem emocional de traumas e padrões limitantes, sem se basear na terapia da fala ou no autoconhecimento interpretativo. O objectivo é ajudar o cérebro a «reprogramar» respostas automáticas e a libertar o que ficou preso no passado. A abordagem vê as dores actuais como um somatório de experiências passadas registadas no inconsciente, visando reestruturar a vida do paciente desde a infância até ao presente. O paciente não precisa de partilhar informações constrangedoras ou íntimas com o terapeuta para que o processo funcione, pois, a terapia não é baseada na fala. A Terapia de Reprocessamento Generativa (TRG) é indicada para uma vasta gama de problemas emocionais, incluindo traumas, ansiedade, fobias, medos irracionais, dificuldades de relacionamento e luto”.

Como funciona o processo terapêutico?
“O método actua como um «antivírus emocional», reestruturando a psique desde a infância até o presente através de cinco métodos principais: Método Cronológico: Reprocessa eventos traumáticos seguindo a linha do tempo da vida do paciente; Método Somático: Foca nas sensações físicas e dores psicossomáticas geradas pelos traumas; Método Temático: Trabalha medos ou traumas específicos que não seguem uma ordem cronológica clara; Método Futuro: Prepara o indivíduo para enfrentar situações futuras sem as travas do passado; Método de Potencialização: Visa fortalecer a resiliência e as capacidades emocionais do paciente”.

Marco Sousa

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