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Centralistas a mais, será?

Tenho dificuldade em atribuir os nossos insucessos na relação com a República e na afirmação da Autonomia somente aos centralistas — estes existem e sempre existirão.
O que tem falhado, há muito, são políticos que defendam os interesses dos Açores sem, na sombra, protegerem os seus interesses pessoais ou partidários.
Precisamos de políticos para quem o superior interesse dos Açores e do povo açoriano prevaleça.
Em tempo de campanhas eleitorais, como tem sido nos últimos dias, somos inundados por juras de amor aos Açores e à sua Autonomia. E, estranhamente, muitos se deixam enganar, como se tivéssemos em nós um sentimento amarrado e envergonhado de colonialismo.
Por que existem centralistas? Certamente existirão várias razões, mas estes persistem muito por via da nossa incapacidade de gerir responsavelmente os Açores. Esta incapacidade, visível no aumento galopante da dívida e na mão estendida à República, faz com que esta olhe de forma menor para a nossa Autonomia.
No final do ano de 2025, fomos brindados pelo Governo da República com dívidas às IPSS e com a indefinição do Subsídio Social de Mobilidade.
As dívidas às IPSS foram inicialmente refutadas pelo Governo da República. Dias depois, a verba foi transferida. Em 2023 aconteceu o mesmo. E, em 2026, a situação continua por resolver, com atualizações salariais e transferências em atraso, a bola de neve continuará a crescer.
A suspensão do pagamento dos reembolsos do Subsídio Social de Mobilidade foi propositada. As datas eram conhecidas. O tempo necessário para a operacionalidade da plataforma deveria ser igualmente conhecido. E, mesmo assim, a suspensão é tratada como normal pelo Governo da República.
Depois da suspensão, surge a exigência burocrática de certidões de não dívida às Finanças e à Segurança Social. Ao Presidente da República não lhe sugere qualquer inconstitucionalidade, mas sim um Estado preguiçoso.
Há um silêncio cúmplice, à excepção do deputado Francisco César, que, a 6 de janeiro, anunciou a apreciação parlamentar do diploma. Boa decisão, mas a reboque do Governo da Madeira que vai solicitar a inconstitucionalidade do diploma. Quanto ao desafio lançado pelo deputado a outros deputados para subscreverem a apreciação parlamentar, temo que fique em branco. Se a situação fosse inversa, provavelmente também não subscreveria. No fundo, não são os centralistas que prejudicam os Açores, são os interesses dos eleitos com interesses e trampolins próprios e que tantas vezes sobrepõe os interesses dos Açorianos.
O movimento Ponta Delgada para Todos (PDLPT), face à importância territorial e populacional de Ponta Delgada, escreveu no dia 4 de janeiro aos deputados eleitos para os esclarecimentos que se impõem, assim como ao Ministro das Infraestruturas. O protesto açoriano deveria ter sido em uníssono e de várias instituições políticas e partidárias.
A política dos últimos 50 anos não será a mesma dos próximos anos, assim o exijam os cidadãos.
A melhor forma de combater o centralismo é a defesa da Autonomia, mediante um modelo de gestão política corajoso e audaz e financeiramente responsável e sempre verdadeiramente ao serviço do povo açoriano.
Por: Sónia Nicolau

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