Anteontem, o Presidente do Governo dos Açores, fez a antevisão do que se espera para o ano de 2026. Na ocasião, José Manuel Bolieiro destacou a importância que o Plano de Recuperação e Resiliência terá para a Região, reforçando a ideia dos prazos que há para se cumprir. Rita Rico, nova cônsul dos Estados Unidos nos Açores, marcou presença no evento, onde também foi ressalvada a importância que o Embaixador Pedro Catarino teve enquanto Representante da República para os Açores.
Na tradicional recepção de Ano Novo, realizada na passada terça-feira, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, o Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, afirmou que 2026 será um ano decisivo, marcado por momentos de celebração institucional, mas também por desafios particularmente exigentes, sobretudo na área financeira e na execução de fundos públicos.
O líder do executivo açoriano alertou para a necessidade de reforçar a capacidade de resposta das instituições e a eficácia dos procedimentos, sublinhando que a Região terá de actuar com rigor e eficiência para maximizar resultados num contexto de grande exigência.
“São vários os desafios que temos pela frente e a que temos de nos habituar com um exercício de eficácia e eficiência”, afirmou.
Um dos pontos centrais do discurso prendeu-se com a recta final do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que o governante classificou como “muito importante, exigente e significativo”, lembrando que a concretização integral deste instrumento dependerá do cumprimento dos marcos e metas previamente definidos. José Manuel Bolieiro frisou que o PRR tem permitido executar investimentos estruturantes na Região, “que porventura de outro modo não seriam realizados”, reforçando deste modo a importância de garantir o aproveitamento total do envelope financeiro disponível, dentro do calendário previsto.
Além do Plano de Recuperação e Resiliência, José Manuel Bolieiro destacou igualmente a nova dinâmica do quadro plurianual de financiamento europeu, no âmbito da Agenda 2030, explicando que a execução dos fundos passa agora por critérios mais rigorosos e por obrigações de execução anual, sob pena de verbas não utilizadas não transitarem para os anos seguintes. Neste contexto, sublinhou que o desafio para as instituições públicas e para os beneficiários privados será cumprir prazos e metas com maior rapidez, precisão e capacidade operacional, de forma a não perder oportunidades de investimento e desenvolvimento.
“A execução exige que haja a execução de um determinado valor financeiro e que, na incapacidade da sua execução, não transita para o ano seguinte”, salientou o governante, reforçando que este cenário obriga a um esforço colectivo de modernização administrativa e de melhoria na capacidade de concretização de políticas públicas.
O Presidente do Governo apontou ainda que este ano que agora se inicia será também um ano de afirmação institucional e identidade democrática, com momentos simbólicos que recordam o posicionamento dos Açores no progresso e no desenvolvimento do território, das pessoas e das instituições autonómicas, mas reiterou que essas celebrações devem caminhar lado a lado com uma acção política focada na resposta aos desafios concretos que se colocam à Região, sobretudo no plano financeiro e de investimento público.
Num evento igualmente marcado pela dimensão internacional, José Manuel Bolieiro saudou a nova Cônsul dos Estados Unidos nos Açores, Rita Rico, que assumiu funções em Agosto do ano passado, assinalando os 230 anos do consulado norte-americano nos Açores como um símbolo de continuidade histórica e de relevância estratégica no relacionamento entre Portugal e os Estados Unidos. O Presidente do Governo reconheceu ainda o empenho da diplomata desde a sua chegada, destacando o acompanhamento que realizou durante o recente ‘shutdown’ nos Estados Unidos, que teve impacto no quadro da cooperação bilateral, incluindo junto dos trabalhadores ligados à Base das Lajes, na ilha Terceira.
O governante reforçou também que a relação com os Estados Unidos se faz por diversas vias, valorizando não apenas a presença institucional através do consulado, mas também o papel da diáspora açoriana, que considera uma ponte viva e determinante entre os dois povos, e recordou ainda o legado histórico do reconhecimento da independência americana, sublinhando que 2026 deve ser “um ano inspirador, fruto do legado e dessa história, para o reforço desta cooperação”.
José Manuel Bolieiro deixou ainda uma palavra de reconhecimento ao Embaixador Pedro Catarino, Representante da República para os Açores, fazendo um balanço positivo da sua passagem pelo cargo, agora em fim de mandato, destacando o respeito demonstrado pela autonomia política regional e o contributo institucional que marcou a sua actuação.
No final, num apelo ao entendimento e à esperança, o Presidente do Governo afirmou o desejo de que 2026 seja um ano de paz, prosperidade e cooperação entre povos, tanto nos Açores como no mundo. Para simbolizar esse espírito, José Manuel Bolieiro e Rita Rico partilharam um brinde ao Ano Novo, renovando votos de confiança num futuro promissor e numa resposta eficaz aos desafios que se avizinham.
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