A Casa Branca afirmou esta Quarta-feira que as decisões do governo interino da Venezuela serão “ditadas pelos Estados Unidos”, numa altura em que Washington apreendeu dois petroleiros e anunciou planos para controlar todas as vendas de petróleo do país após a captura de Nicolás Maduro.
A “Euronews” relata que a secretária de imprensa Karoline Leavitt disse que a administração Trump tem “o máximo de influência” sobre as autoridades venezuelanas após a operação militar de Sábado em Caracas que prendeu Maduro.
De acordo com a “Euronews”, “continuamos em estreita coordenação com as autoridades interinas, e as suas decisões vão continuar a ser ditadas pelos Estados Unidos da América”, disse Leavitt aos jornalistas.
Na Quarta-feira, as forças americanas apreenderam o Marinera, anteriormente conhecido como Bella 1, no Atlântico Norte, após uma perseguição de semanas, e o M Sophia no Mar das Caraíbas. Ambos os navios foram acusados de transportar crude venezuelano sujeito a sanções.
A “Euronews” indica que o Departamento de Energia dos EUA disse que Washington supervisionaria todos os embarques de petróleo venezuelano em todo o mundo, permitindo exportações apenas através de canais aprovados.
Segundo a “Euronews”, as vendas de 30 milhões a 50 milhões de barris começarão imediatamente, com as receitas mantidas em contas controladas pelos EUA em bancos internacionais.
De acordo com a “Euronews”, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o controlo do petróleo da Venezuela permitiria a Washington pressionar o país “sem desperdiçar uma única vida americana”.
A “Euronews” cita Vance a dizer: “controlamos os recursos energéticos e dizemos ao regime que pode vender o petróleo desde que sirva os interesses nacionais dos EUA”, disse à Fox News.
“Marinera”, anteriormente
conhecido como Bella M
De acordo com a “Euronews”, a Guarda Costeira localizou o Marinera sob um mandato do tribunal federal depois de o navio ter fugido quando os oficiais tentaram abordá-lo a 15 de Dezembro.
A “Euronews” refere que o navio foi subsequentemente rebaptizado e mudou de bandeira para a Rússia, tendo a tripulação pintado uma bandeira russa no casco, disse um alto funcionário dos EUA.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia exigiu o rápido regresso da tripulação a casa e acusou Washington de violar o direito marítimo internacional.
A “Euronews” avança que, antes da captura, um submarino russo e outras embarcações terão estado a escoltar o petroleiro enquanto este se afastava das Caraíbas em direcção ao Atlântico Norte.
Segundo a “Euronews”, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, disse que o Departamento de Justiça está a investigar os membros da tripulação por não terem obedecido às ordens da Guarda Costeira. Washington colocou o Marinera na sua lista de sanções no ano passado por alegações de que transportava carga para uma entidade ligada ao Hezbollah.
A “Euronews” noticia que o Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que as forças britânicas apoiaram a operação com aviões de reconhecimento.
Segundo a “Euronews”, o secretário da Defesa britânico, John Healey, acusou o navio de apoiar “um eixo russo-iraniano de evasão de sanções” que financia conflitos em várias regiões.
A “Euronews” relata que o M Sophia deixou de transmitir a sua localização em Julho. Os analistas da Windward estimaram que o petroleiro transportava cerca de 1,8 milhões de barris quando partiu do Terminal Jose da Venezuela no final do mês passado, uma carga avaliada em cerca de 108 milhões de dólares a preços actuais.
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse que os dois navios faziam parte de uma frota-sombra de petroleiros envelhecidos que contrabandeavam petróleo para países sancionados.
Cooperação com os EUA
é “o único caminho”
A “Euronews” refere que pelo menos 16 petroleiros partiram das águas venezuelanas após a acção militar de Sábado, de acordo com a organização de localização de navios TankerTrackers.com.
Segundo a “Euronews”, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que as autoridades interinas venezuelanas solicitaram que o crude dos navios capturados fosse incluído no acordo de transferência de petróleo anunciado por Trump.
A “Euronews” cita Rubio: “eles entendem que a única maneira de movimentar petróleo e gerar receitas e não ter um colapso económico é se cooperarem e trabalharem com os Estados Unidos”, disse aos repórteres depois de informar os legisladores.
A administração Trump planeia autorizar a importação de equipamento e serviços petrolíferos para aumentar a produção venezuelana para cerca de 1 milhão de barris por dia. As autoridades disseram que iriam investir na rede eléctrica para aumentar a produção.
A “Euronews” indica que a empresa petrolífera estatal venezuelana PDVSA afirmou que as negociações com Washington seguiriam os acordos comerciais existentes com empresas como a Chevron.
Segundo a “Euronews”, a presidente interina Delcy Rodríguez disse que a Venezuela vai manter relações económicas em vários continentes, caracterizando o envolvimento dos EUA como uma prática diplomática normal.
A “Euronews” relata que o senador norte-americano Chris Murphy condenou a estratégia após uma reunião secreta no Capitólio, qualificando-a de “insana” e acusando a administração de planear apoderar-se do petróleo venezuelano pela força, enquanto tenta governar o país a partir de Washington.
Trump vai reunir-se com executivos petrolíferos dos EUA na Sexta-feira para discutir planos para o sector petrolífero da Venezuela, disse Leavitt.
