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Projecto “HOT” quer certificar cientificamente as águas termais dos Açores para contribuir para a saúde e bem-estar da comunidade

A investigação “HOT – Água Termal: Os Segredos das Águas Vulcânicas” surge no âmbito do trabalho da Unidade de Geologia Médica do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos da Universidade dos Açores. O projecto tem o objectivo de “explorar a virtude do termalismo enquanto recurso natural” do arquipélago. Ao ‘Correio dos Açores’, Diana Linhares, investigadora responsável, revela que o objectivo é comprovar cientificamente os benefícios terapêuticos das águas termais açorianas. Ao mesmo tempo que transforma o recurso natural numa panóplia de produtos e experiências de saúde e bem-estar tanto para residentes como para o sector turístico.
Correio dos Açores – Como é que surgiu a ideia do projecto “HOT – Água Termal: Os Segredos das Águas Vulcânicas”?
Diana Linhares (Investigadora Responsável) – A ideia já vinha a ser desenvolvida há algum tempo, pelo menos nos seus traços gerais. Na Unidade de Geologia Médica do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos da Universidade dos Açores, temos vindo a trabalhar de forma contínua sobre o potencial das ilhas vulcânicas da Região e sobre os recursos naturais que delas resultam.
As águas termais surgiram, assim, como um recurso natural de enorme interesse, que desejávamos explorar de forma mais aprofundada, procurando compreender o seu verdadeiro impacto em termos de saúde, bem-estar e capacidade terapêutica, com base numa abordagem técnica sólida.
Faltava-nos, no entanto, a oportunidade certa para submeter esta iniciativa a um concurso onde acreditássemos que teria reais hipóteses de ser financiado, o que acabou por acontecer na última candidatura apresentada.

Qual é o principal objectivo do “HOT”?
O “HOT” tem como principal intuito explorar a virtude do termalismo enquanto recurso natural essencial, destacando os seus benefícios terapêuticos e o seu contributo para o conforto físico e mental.
Pretende-se criar um portefólio de produtos geotérmicos certificados, com vantagens cientificamente validadas, e desenvolver parcerias para a construção de uma oferta comprovada de turismo de saúde e bem-estar, competitiva à escala global nos Açores. Para tal, serão estudadas as propriedades das águas e será promovida a sua integração sustentável no sector, reunindo especialistas de diferentes áreas científicas.
Esta acção é co-financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do programa 2030, e pela Região Autónoma dos Açores, por intermédio da Direcção Regional da Ciência, Inovação e Desenvolvimento, no âmbito do Sistema de Incentivos PROSCIENTIA, contando assim ainda com a colaboração da empresa Verde Similar Termas, concessionária das Termas das Caldeiras da Ribeira Grande.

Quais são os grandes desafios que a investigação poderá enfrentar?
Como em qualquer pesquisa, existem riscos associados, alguns previsíveis e outros de carácter mais imprevisível. No entanto, estes desafios foram considerados desde o início e estão antecipadas estratégias para a sua mitigação.
Contamos com uma equipa multidisciplinar altamente qualificada, especialistas nas áreas e técnicas relevantes, bem como uma empresa associada fortemente envolvida, o que constitui uma mais-valia importante. Acresce ainda o facto de o financiamento estar assegurado, permitindo cumprir os objectivos definidos.
Nesta fase, não estão antecipados obstáculos significativos na execução do programa. Estão reunidas as condições necessárias para o seu sucesso e, caso surjam imprevistos, o grupo tem capacidade para lhes dar respostas eficazes.

Quais são os métodos de pesquisa que serão utilizados para concretizar esta iniciativa?
A ideia assenta numa abordagem claramente multidisciplinar, integrando investigadores e especialistas de diferentes ramos do conhecimento. Serão utilizadas tecnologias e metodologias de pesquisa de ponta, amplamente reconhecidas pela comunidade de ciência internacional. A adopção destas ferramentas é fundamental para garantir resultados robustos, fiáveis e cientificamente válidos, passíveis de serem replicados noutros contextos e regiões do mundo.
Os métodos aplicados serão diversificados e ajustados às diferentes intenções, abrangendo análises laboratoriais, monitorização ao longo do tempo e estudos aplicados.

As águas termais dos Açores têm características únicas quando comparadas com outras zonas vulcânicas do mundo? Se sim, quais?
Acreditamos que sim. Os recursos hídricos do arquipélago resultam de um contexto vulcânico muito particular, com características geológicas e geoquímicas distintas das observadas noutras áreas do globo. Este enquadramento específico faz com que apresentem, muito provavelmente, atributos distintos face a outras zonas.
O que pretendemos é precisamente compreender, com base em evidencia científica sólida, em que aspectos nos distinguimos dos restantes contextos vulcânicos. Sabemos que existem diferenças, mas queremos identificá-las com clareza, caracterizá-las de forma rigorosa e perceber de que modo podem ser valorizadas.
O objectivo final é optimizar os procedimentos existentes e melhorar a oferta termal, transformando essas especificidades num benefício efectivo para o território e para o tipo de produto que pode oferecer.

Como é que prevê aplicar os resultados de forma prática? Será possível certificar artigos termais ou desenvolver terapias de saúde e bem-estar?
Queremos criar um portefólio de artigos termais certificados. Embora não sejamos detentores de nenhum espaço termal, o nosso papel é de investigação, sendo assim iremos fornecer à empresa parceira toda a informação necessária para que possa desenvolver produtos comprovados e de confiança.
A intenção é que, no futuro, tanto turistas como residentes possam identificar de forma clara os benefícios específicos de cada água termal. Cada tipo será caracterizado e associado a determinados efeitos ou recomendações, permitindo orientar o seu uso de forma segura e eficaz.
Em suma, pretendemos criar uma base científica sólida que permita valorizar as termas dos Açores e transformar esse conhecimento em produtos e experiências certificadas.

Para além de criar visibilidade para o arquipélago açoriano, de que formas é que o “HOT” contribui? Vai colaborar, por exemplo, para a sustentabilidade?
Nos dias de hoje, é impossível desenvolver investigação técnica sem ter a sustentabilidade como prioridade, sobretudo quando se trata da valorização dos recursos naturais, por isso este aspecto é uma das nossas bandeiras.
O “HOT” assenta também em princípios de economia circular e procura alinhar-se com práticas do sector da saúde. Em Portugal Continental, a recomendação clínica de banhos termais é bastante comum, mas no arquipélago ainda não é rotina. Ao evidenciarmos a qualidade do nosso bem termal, é possível promover uma utilização sustentável e responsável, beneficiando tanto o estado das pessoas como o desenvolvimento económico e turístico da Região, de forma integrada e duradoura.

Quais são os resultados que espera alcançar até ao final, em 2018?
Temos como motivação principal a caracterização detalhada deste recurso de São Miguel, de modo a compreender plenamente o seu impacto. Até 2028, esperamos ter desenvolvido um perfil científico completo das águas termais, identificando de forma clara quais os seus principais ganhos terapêuticos e usos mais vantajosos.
Além disso, pretendemos fornecer esta informação aos parceiros, apoiando-os não apenas na promoção do produto na sua origem, mas também no desenvolvimento de novos artigos e experiências. A empresa com quem colaboramos já possui uma linha de cosméticos baseada em resultados preliminares de outras investigações, e esperamos que, com os dados finais desta, seja possível alavancar a criação de novos itens e soluções que integrem o termalismo como recurso para o bem das pessoas.
Diogo Simões Pires

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