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Se calhar, passamos já para 2027

Afinal, não era só retórica. A pose alucinante do presidente norte-americano, em cada intervenção pública que faz, foi apenas a ponta do icebergue. Um temperamento em permanente agitação, profundamente instável e demasiado pertinaz para o poder que detém. É o líder do país mais poderoso do mundo, económica e militarmente. Foi eleito diretamente pelo povo norte-americano, com resultados bastante expressivos. Leva a cabo o segundo – e constitucionalmente último – mandato, dando-lhe a liberdade de decisão de quem não terá de se submeter novamente a eleições, não contando, por isso, com o receio de penalização nas urnas pelas suas opções executivas. Tem uma notória necessidade de reconhecimento pelos seus parceiros, sejam eles ditadores ou líderes eleitos democraticamente. Sente-se em casa com os primeiros e desdém dos segundos. Os primeiros falam a sua língua e os segundos não se entendem com ele.
Donald Trump foi eleito apenas há um ano, sucedendo a Joe Biden. A personalidade não poderia ser mais diversa. Com o mundo em permanente ebulição, muito deste cenário foi mal gerido pelo segundo e profundamente acelerado pelo primeiro. Os negócios fazem-se desta maneira: com propostas e contrapropostas, bluff e ameaças. É essa a experiência política de Trump e da sua equipa, aqui incluída a sua família, a sua grande família. Nunca, no passado, se viu uma administração desta qualidade, com enviados especiais despachados para territórios em guerra, cujo passado conhecido é para lá de inóspito. O presidente norte-americano segue a tramitação habitual de se rogar o detentor de grandes feitos, como o maior exterminador de guerras deste século. Sob a sua alçada, o mundo reluz, os maus são detidos e os bons vencem. Pela sua batuta, o dinheiro jorra pelas canalizações norte-americanas, os gangues são postos para lá das fronteiras, o país é visto como exemplo da riqueza mundial, e os restantes estados ou são vassalos ou correm riscos tarifários, bélicos ou, na melhor das hipóteses, verbais.
Estamos a uma semana das eleições presidenciais nacionais e nem dados por isso. A triste realidade é que vivemos uma fase da vida mundial, com os protagonistas atuais, em que eleger qualquer personalidade será indiferente, quando basta que Trump se lembre de o sequestrar durante uma noite qualquer. Não sabemos até que ponto é que o líder norte-americano conhece o porta-aviões natural instalado no meio do Atlântico, chamado Açores, mas é bom que não sejamos demasiado sonsos. Os próximos dias poderão trazer um endurecimento do discurso e da ação em relação ao Reino da Dinamarca, por causa da autónoma Gronelândia. Os EUA e a Dinamarca fazem parte da mesma aliança defensiva, a NATO. O presidente norte-americano não quer saber de formalidades próprias dos regimes democráticos, que permitem que as decisões sejam tramitadas por instituições e não por homens isolados, dizendo o que quer, como quer, por considerar que um homem forte à frente de uma grande nação é apenas isso. Os receios de uma nova etapa de trepidação internacional têm enorme razão de ser. Trocou-se a diplomacia e o compromisso pelo isolacionismo das decisões. Passou a ser ignorado o respeito mútuo entre nações, para tornar real o valor do medo do mais fraco em relação ao mais forte. Toma-se como certo que é melhor prestar vassalagem e não ser prejudicado, do que defender os direitos gerais e universais e poder ser criticado ou pior, ignorado. Trabalha-se no plano do unilateralismo, em detrimento do multilateralismo, que tem feito os povos prosperar desde o fim da segunda guerra mundial.
Por fim, o petróleo e as riquezas minerais raras que são o móbil de quem sempre teve a acumulação de riqueza como propósito. Noutros tempos, passando por cima de quem fosse necessário. Agora, passando por cima de aliados, ditadores e nações inteiras.
No caso da Venezuela, os grandes negócios petrolíferos, o acesso privilegiado a matérias-primas, que possa levar os norte-americanos a ocupar um espaço, na América Latina, que é por estes dias da RP da China e da Federação Russa. No caso da Gronelândia, a presença, no subsolo, de metais de terras raras que possam catapultar o complexo industrial norte-americano para a liderança que, atualmente, em muitos setores de competentes eletrónicos, pertence aos chineses. No meio, ficamos nós. E ficamos mal.
Por: Fernando Marta

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