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Director Regional da Saúde espera pico da gripenos Açores nas próximas semanas e alerta paraqueda de 2% na vacinação face à época 2024/2025

A actividade gripal nos Açores mantém-se dentro do esperado para esta altura do ano, embora se preveja um agravamento nas próximas semanas. Em declarações ao ‘Correio dos Açores’, o Director Regional da Saúde, Pedro Paes, refere que a faixa etária entre os 30 e os 64 anos é a mais afectada. Apesar de não se registar qualquer pressão anormal sobre as unidades de saúde, a Direcção Regional da Saúde alerta para uma ligeira diminuição de 2% na cobertura vacinal face à época 2024/2025. Segundo o responsável, “a vacinação contra a gripe é a medida mais eficaz para prevenir complicações”.
Correio dos Açores – Como descreve a actual situação da gripe nos Açores? Estamos acima, abaixo ou dentro do esperado para esta altura do ano?
Pedro Paes (Director Regional da Saúde) – Na presente época sazonal, 2025/2026 e de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP (INSA, IP), os casos começaram a surgir, no Continente, cerca de três a quatro semanas mais cedo do que nos dois anos anteriores, atingindo o ponto máximo dos episódios gripais no final do ano transacto e início do corrente.
Nos Açores, verifica-se habitualmente um ligeiro desfasamento face ao cenário epidemiológico observado no território continental, com o surgimento mais tardio das ocorrências no arquipélago. Por este motivo, a evolução da situação está a ser monitorizada de forma contínua, sendo expectável que o pico da actividade gripal na Região Autónoma dos Açores (RAA) ocorra nas próximas semanas.

Que tipo de gripe tem sido mais frequente (A, B) e quais os principais grupos etários afectados?
As estripes da influenza apresentam variações significativas de um ciclo estacional para outro, bem como as faixas etárias mais atingidas.
Na actual temporada, o vírus influenza A tem sido o mais frequentemente identificado, sendo que a faixa etária compreendida entre os 30 e os 64 anos destaca-se, à data, como sendo a mais impactada.

Como está a doença em relação a anos anteriores? Tem existido alguma diferença?
No período de vigilância 2025/2026, observa-se um aumento de números de registos positivos entre as semanas 39 e 52 do período anual de 2025, registrando-se mais 166 casos em comparação com o período homólogo anterior (2024/2025).
Verifica-se igualmente uma alteração do tipo de influenza predominante, passando da agente influenza B (semanas 39 a 52 do ano de 2024) para o A, que domina no mesmo intervalo temporal de 2025.
Todavia, ao recuar à época sazonal 2023/2024, constata-se que no mesmo tempo, o mais frequente foi também a influenza A, mas com um número de notificações positivas substancialmente superior, 1.099, apresentando um acréscimo de 780 casos relativamente ao total registado até à semana 52 do presente período, com 319.

Há maior pressão sobre os serviços de urgência e centros de saúde? Em que ilhas isso é mais visível?
À data, verifica-se, em todos os sistemas incluindo as unidades hospitalares, o normal aumento de afluência de pessoas, característico desta altura, sem que tal represente qualquer constrangimento anormal face ao observado em anos anteriores.
Contudo, caso se venha a registar um incremento excepcional da procura de utentes, em relação ao já previsto para este período, todos os locais de saúde dispõem de planos de contingência devidamente preparados e prontos a serem activados, assegurando a implementação local das medidas necessárias para garantir a melhor resposta possível.
Adicionalmente, para o presente momento,esta Direcção Regional determinou a adopção e integração de uma escala de quatro níveis de contingência para a resposta sazonal em saúde. Esta escala inclui critérios de avaliação, indicadores a monitorizar e medidas específicas para cada grau, com o objectivo de promover maior granularidade, flexibilidade operacional e eficácia na comunicação de risco.
Esta abordagem visa distinguir as fases de crescimento gradual, de pico e de situação crítica, assegurar uma proporcionalidade das medidas, evitando respostas excessivas ou tardias. Pretende melhorar a comunicação de risco, reduzindo ambiguidades e aumentando a confiança dos profissionais e da população e ainda quer promover a adaptação à variabilidade, considerando as diferenças entre as estirpes virais, as coberturas vacinais e o impacto nos serviços de saúde.

Existem ilhas com maior incidência da doença do que outras? A que se devem essas diferenças?
A monitorização da circulação do vírus e de outros agentes respiratórios é realizada com base nas amostras colhidas e analisadas, predominantemente, nas unidades hospitalares da RAA. Por conseguinte, não é possível estabelecer essa correlação.

As ilhas mais pequenas estão mais vulneráveis a surtos devido a recursos mais limitados?
Os surtos de gripe resultam da circulação activa e expectável do vírus, associada a comportamentos individuais e colectivos que aumentam a probabilidade de transmissão e de propagação da doença.
Entre estes destacam-se a participação em aglomerações de pessoas, a permanência em espaços fechados e com ventilação insuficiente, bem como a não adopção de medidas de autoprotecção, como a higienização das mãos e a etiqueta respiratória e a não renovação da vacinação sazonal anual.

Qual é a taxa de vacinação contra a gripe nos Açores este ano? Está ao nível desejado?
A taxa na presente época é similar à cobertura alcançada no período homólogo anterior.
Entre as semanas de 39 e 52 de 2025, foram administradas 30.284 vacinas contra a gripe na RAA, enquanto na altura 2024/2025 foram contabilizadas 30.561 administrações.
A título de exemplo, no mesmo intervalo temporal, observa-se um diferencial de 2% na cobertura vacinal da população com idade igual ou superior a 60 anos, passando de 45% em 2024/2025, para 43% no presente.
Relativamente às pessoas com 65 anos ou mais, a cobertura actual é de 50%, face aos 52% registrados na temporada anterior, e, no grupo etário dos 80 ou mais anos, a cobertura situa-se em 56%, comparativamente aos 58%, verificados em 2024/2025.
Esta Direcção Regional considera que a vacinação contra a gripe é a medida mais eficaz para prevenir complicações, sobretudo em grupos vulneráveis e para reduzir o impacto da doença nos serviços de saúde, razão pela qual mantém o apelo às pessoas, para que todas as elegíveis se vacinem, protegendo o seu bem-estar e a dos que as rodeiam, contribuindo para uma comunidade ainda mais protegida e garantindo um Inverno mais saudável para todos.

Que estratégias estão a ser usadas para chegar às populações mais isoladas, como idosos que vivem sozinhos ou em zonas de mais difícil acesso?
A organização da Campanha de Vacinação Sazonal e dos respectivos processos mantém-se alinhada com o modelo adoptado em épocas anteriores, na medida em que a mesma prevê as estratégias necessárias a implementar, com vista à garantia da acessibilidade e da equidade dos cuidados prestados em toda a Região.
De entre as medidas implementadas destacam-se as seguintes:
A administração das vacinas é realizada, predominantemente, nas Unidades de Saúde de Ilha – Centros de Saúde e Núcleos de Saúde Familiar, distribuídos de forma capilar na comunidade, promovendo proximidade e acessibilidade. Estes serviços contam com profissionais que actuam ao nível comunitário e que são responsáveis pelo acompanhamento das famílias residentes ou temporariamente deslocadas na área geográfica de influência, assegurando a identificação dos utentes elegíveis, conforme os critérios definidos.
Outro método é a priorização na deslocação das equipas a contextos onde os habitantes apresentam mobilidade reduzida, mitigando perdas de oportunidade que ocorreriam caso dependessem, exclusivamente, da activação dos seus próprios meios.
Um outro processo é a implementação de estratagemas específicos para garantir a equidade na vacinação de pessoas acamadas e em situação de sem-abrigo, nos locais ou instituições onde estas se encontram.
E existe ainda a utilização do método de agendamento e convocatória das pessoas elegíveis, de acordo com o plano logístico e operacional de cada Unidade de Saúde de Ilha, como forma de relembrar a população sobre a campanha em curso, educar para o bem-estar e incentivar a adesão ao acto vacinal.

Quais são as melhores medidas de prevenção? Quais são os sintomas mais comuns?
A prevenção baseia-se na adopção de normas eficazes que visam reduzir o risco de transmissão e proteger a saúde individual e colectiva. A vacinação anual constitui a principal estratégia preventiva, sendo recomendada para toda a comunidade a partir dos seis meses de idade, com especial atenção para grupos vulneráveis, como crianças, pessoas idosas, grávidas, indivíduos com doenças crónicas e profissionais do sector.
A higienização das mãos e a etiqueta respiratória são igualmente fundamentais. Deve-se proceder à lavagem frequente com água e sabão, durante pelo menos vinte segundos, ou utilizar solução alcoólica a 70%, sobretudo após tossir, espirrar ou tocar em superfícies de uso comum. Em caso de tosse ou espirro, é imprescindível cobrir o nariz e a boca com um lenço descartável ou com o antebraço, evitando o uso das mãos, para reduzir a disseminação de partículas respiratórias.
A ventilação adequada dos espaços é outra medida essencial. É recomendável privilegiar ambientes bem arejados, mantendo portas e janelas abertas sempre que possível. Deve-se evitar locais fechados e com elevada concentração de pessoas, especialmente durante períodos de maior circulação do vírus.
Sempre que se apresentem sintomas gripais, como tosse ou espirros, é aconselhável o uso de máscara, com vista à protecção das pessoas próximas e à redução do risco de transmissão. Por fim, deve ser evitado o contacto próximo com indivíduos que apresentem os sinais, bem como a participação em eventos ou locais com elevada concentração de sujeitos, por constituírem contextos de maior chance de contágio.
Nos adultos, os indícios mais comuns incluem mal-estar geral, fadiga, febre elevada, dores musculares e articulares, dor de cabeça e de garganta, tosse e congestão nasal.
Nas crianças, geralmente são semelhantes aos observados nos mais velhos. Contudo, nas mais pequenas, a gripe pode manifestar-se através de febre alta, tosse, rinite, dor de cabeça, de garganta e musculares, náuseas, vómitos, diarreia e dificuldade respiratória.

Quais os desafios no combate a este fenómeno?
O combate ao fenómeno enfrenta diversos desafios que exigem uma abordagem integrada e contínua. Um dos principais obstáculos reside na elevada capacidade de mutação da influenza, que sofre alterações frequentes na sua estrutura genética, obrigando à reformulação anual das vacinas.
A variabilidade da resposta imunológica individual e a eventual discrepância entre as estirpes vacinais e as que circulam na comunidade reforçam esta dificuldade. Contudo, a vacinação continua a ser a melhor defesa contra a doença grave e a hospitalização e a oferecer uma protecção relevante mesmo sem incluir todas as estirpes, apoiando a redução da propagação e a segurança dos mais vulneráveis.
A circulação do vírus em populações animais, como aves e suínos, representa um risco e um desafio adicional, dado o potencial para originar estirpes com capacidade pandémica.
Os potenciais surtos surgem como desafios que acarretam um potencial de sobrecarga dos serviços de saúde, aumentando a procura por cuidados de saúde e o número de hospitalizações, o que exige a existência de planos de contingência eficazes e adaptáveis à variabilidade sazonal.
Estes desafios evidenciam a necessidade de estratégias coordenadas que incluam o reforço das campanhas de a comunicação eficaz de risco e a preparação contínua dos sistemas de saúde.

Que mensagem gostaria de deixar à comunidade?
A Direcção Regional da Saúde informa que está a decorrer a Campanha de Vacinação Sazonal contra a gripe, até ao dia 30 de Abril de 2026. Esta é uma medida essencial para reduzir o risco de complicações, hospitalizações e transmissão da doença, especialmente durante a presente época gripal.
É recomendada a toda a população e é gratuita para pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, crianças entre os 6 e os 24 meses, grávidas, indivíduos com determinadas patologias crónicas ou condições médicas específicas consideradas elegíveis e profissionais da saúde inseridos em contextos definidos na Circular Normativa desta Direcção (Circular Normativa n.º DRS-CNORM/2025/22ª, de 4.12.2025).
A gripe é uma doença contagiosa que pode evoluir para situações graves, pelo que a prevenção continua a ser a melhor forma de protecção individual e colectiva.
Apelamos à população para que contacte a sua Unidade de Saúde, com vista ao agendamento do seu acto vacinal. A adesão à vacinação contribui para uma comunidade mais saudável. Proteja-se, proteja os seus e proteja os outros. Vacine-se!

Diogo Simões Pires

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