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“Ser avô é uma missão de amor,onde o avô carrega a experiência da vida e o carinho de pai”

Michael Damaren nasceu em Guelph na província de Ontário, no Canadá, em 1960. Com 18 anos de unidade juntou-se às forças armadas canadianas, tendo a oportunidade de poder viajar pelo país, reformando-se com 53 anos. Para trás deixou uma vida de dedicação às forças armadas e à força aérea canadiana. “Não pilotava avões, mas trabalhava na parte detrás dos aviões, com a carga, passageiros ou paraquedistas. Foram mais de trinta anos da minha vida”, justificou.
Mais disse, que quando decidiu reformar-se da vida militar, em 2014, passou a não fazer nada. “Estava reformado, ficava em casa, ajudava a minha igreja e voluntariei-me para o exército de salvação. Fiz exactamente o oposto, porque a maioria das pessoas reformam-se e regressam ao trabalho. Eu disse, chega de trabalho”.
Para manter a mente ocupada, obviamente, que teria de fazer alguma coisa. “Estava certo, que nesse processo de reforma percebi, que teria de me manter ocupado e envolvido na comunidade. Não poderia ficar sentado em casa sem ter ocupação”.
“Após a reforma, permaneci em Belleville, Ontário, uma pequena cidade de cerca de 65 mil pessoas, porque a minha esposa Donna manteve-se nas forças armadas, até 2018”. Posteriormente, o casal decidiu viajar para ver o mundo como turistas e não como militares.

“Os Açores chamavam por mim”

Entretanto, e há muitos anos atrás, em Agosto de 1989, Michael Damaren integrava um voo de treino, da Europa em direcção a Santa Maria, ali permanecendo duas noites, para posteriormente partir para Itália e depois para a América do Norte. “Quando estivemos em Santa Maria, havia qualquer da coisa na ilha, que me chamava a atenção. Viajei 13 anos em redor do mundo e vi todos os pontos turísticos, que possas pensar, mas lá no fundo da minha mente, os Açores chamavam por mim. Ainda realizamos dois cruzeiros, que passaram pelos Açores, como turistas e decidimos, que queríamos mudar de ares. Pensamos em Espanha, Portugal continental, mas os Açores chamavam sempre a atenção. Viemos em Janeiro de 2025 para São Miguel, na pior estação do ano, no Inverno. É bom irmos para algum local quente, onde as praias são boas, mas acabamos por percorrer a ilha e encontramos Vila Franca do Campo.”
A mulher queria ficar em Ponta Delgada. Durante três dias percorreram a ilha, mas numa segunda-feira já tinham visto a moradia onde estão agora, embora tenham recebido outras ofertas. “Estamos só a pouco menos de 30 Km de Ponta Delgada, mas a partir dali poderemos ir a qualquer lado. E uma Vila calma, tem tudo o que necessitamos, poderemos caminhar até à praia ou às lojas e a população é simpática”.
Do prado e do mar fresco para a mesa

No Canadá, o peixe chegava Belleville fresco de alguns dias, “mas a oportunidade de poder degustar, na ilha, peixe fresco directamente do mar para o prato é fenomenal. O engraçado aqui, é que a carne é cozinhada para saborearmos bem o que comemos, e o peixe ou o marisco são grelhados ou cozinhados apenas com um pouco de sal e pimenta. Nada de muitos molhos, e isto acontece também com a carne. Comemos um bife grelhado, com um pouco de sal e assim degustamos melhor a carne”.
Embora tenha fixado residência em Vila Franca do Campo, Michael Damaren tem as Capelas como um dos locais de eleição na ilha. “Percorrer a costa a pé, e o modo como as ondas do mar despenham-se na costa assemelham-se a leite-creme fino e apenas observo, porque é maravilhoso. Em Vila Franca do Campo apenas ouço o oceano. Sentamo-nos durante 20 minutos e quando partimos sentimo-nos rejuvenescidos”.

Autorizado a residir

O casal recebeu autorização de residência temporária por dois anos, mas depois já tenciona fazer novo pedido. No entanto, há muito para ponderar, porque tanto Michael Damaren como a mulher têm as suas mães, que com o tempo vão ter de tomar conta das suas progenitoras.
Michael Damaren é pai de três filhos, dois rapazes e uma rapariga. Também já é avô de seis netos. E nem de propósito diz, que “é o melhor título do mundo” e honra muito a expressão, que ser avô é como se fosse pai novamente. “É uma missão de amor, onde o avô carrega a experiência da vida e o carinho de pai”, criando um ambiente seguro e acolhedor. “As crianças chegam ao pé de mim e dizem: avô, avô. O meu coração fica grande”.

Testemunho de fé

De referir ainda, que como homem de fé, Michael Damaren passou a frequentar a Igreja Evangélica Casa de Oração e deu o seu testemunho como tudo se passou. “A minha fundação é a minha fé. Quem sou eu para Deus? Assim, se reflete a minha via, porque um dia disse: meu Deus, entrego-te a minha vida, o que posso fazer por ti? Durante algum tempo, só pensava em mim, mas no presente Deus orienta-me em tudo o que faço, através da minha consciência. Pela graça de Deus queremos estar um dia com Ele, mas também temos de fazer a nossa parte. Não podemos apenas dizer que somos cristãos, sentar na cadeira e não fazer nada.
No Canadá, através de um amigo fomos apresentados ao Pastor Jorge Melo, que tinha sido responsável por uma igreja em Toronto. Esse amigo disse-me, quando fores lá em Janeiro, reúne-se com ele e assim fizemos e fomos à Igreja Casa de Oração. Temos de ir à igreja, porque sem ela, quem nos ajudará. Então, quando fomos lá e dissemos, esta será a nossa Igreja. Podíamos ter ido a outra igreja, mas como reunimo-nos em Janeiro, percebemos toda a sua dinâmica, envolvemo-nos e ajudamos o ministério das crianças, o que é muito importante”.

“Tem sido fantástico”

Mais disse, que no geral, “as pessoas cá são 99% simpáticas. São muito trabalhadoras, vejo os construtores, pescadores e agricultores, e não são tarefas fáceis. Foram criados assim por gerações. Nalguns países, as crianças esquecem o trabalho árduo, porque nunca viram e sentiram o que é trabalhar. Admiro as pessoas aqui, porque têm sido muito gentis connosco, mesmo quando estragamos tudo quando tentamos falar português. Adoramos estar aqui, os Açores são bons para a nosso corpo e mente, e até comemos melhor aqui. É um carregar de baterias para a vida, conhecemos imensas pessoas fantásticas, inclusivamente já fomos convidados para passar a quadra natalícia para apreciar a cultura açoriana, que é diferente da nossa. Foi importante termos sido convidados, fomos bem recebidos, compraram-nos prendas e tem sido fantástico”.

Marco Sousa

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