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Até que enfim…

No dia em que escrevo (domingo) ainda não se sabe quem irá à segunda volta das eleições presidenciais, isto porque costumo escrever ao domingo de manhã.
Intitulo este trabalho com um ATÉ QUE ENFIM porque, em boa verdade, já estava farto – farto não, fartíssimo – de ouvir uns quantos presidenciáveis a bolsar parvoíces sobre as actuações que iriam ter no caso de serem eleitos.
E quase não havia por onde escolher. Isto porque, os canais televisivos considerados de maior audiência, ocupavam o seu tempo em transmitir a “roupa suja” de supostos casos de corrupção que este ou aquele candidato teria praticado.
Convenhamos que, só numa democracia como a portuguesa é possível ao Tribunal Constitucional permitir a inscrição de pessoas que, à partida, se sabe não terem qualquer preparação para exercício do cargo.
Julgo que a lei deveria prever determinadas condições para concorrer a determinados cargos, nomeadamente ao da Presidência da República que, no nosso caso, não é uma república das bananas como as que existem por esse mundo fora. Resultado? Com admissões impreparadas assiste-se a um tipo de debate de baixa qualidade que, em vez de esclarecer, só confunde o eleitor. Neste particular, sempre gostaria de saber porque motivo se vai “chafurdar” na vida pessoal de determinados candidatos, na tentativa de denegrir a sua imagem. Pelo que ouvi só faltou publicitar quantas vezes o candidato foi à casa de banho.
Por outro lado, alguns candidatos, numa demonstração de desconhecimento dos poderes do Presidente da República “debitam” para os micrófonos dos jornalistas as acções fariam se fossem eleitos, acções aquelas que são da área governativa e não das competências de um Presidente da República.
Faço sinceros votos que, nesta primeira volta, sejam escolhidos os melhores dois candidatos que, para mim, são António José Seguro e André Ventura. Posso dizer isto porque, quando este trabalho fôr publicado, já estão eleitos os candidatos.
O candidato António José Seguro foi, a meu ver, quem melhor ocupou os seus tempos de antena não entrando em polemicas nem pelos ataques pessoais que muitos outros fizeram.
Quanto ao candidato André Ventura, a sua eleição faria com que ele demonstrasse quanto seria capaz de alterar aquilo que muito apregoa estar errado. Isto para além de eu próprio concordar com muita coisa que ele diz que necessita “revisão”.
Porém, é preciso não esquecer que o executivo e o legislativo é que fazem as leis, cabendo ao Presidente da República “apenas” a promulgação, rejeição, ou mesmo o envio para o Tribunal Constitucional para revisão.
Nos Açores, as últimas presidenciais tiveram uma abstenção pouco acima dos 60%. Espero que desta vez, atendendo a que há candidatos para todos os gostos, a abstenção desça consideravelmente.
Por: Carlos Rezendes Cabral

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